Não sei por onde começar esta carta que já nasce atrasada, pensamos sempre que temos muito a dizer mas as palavras são pouco amistosas, onde encontrá-las agora, às três e dez de uma madrugada em que me encontro insone e pensando mais uma vez em você?
Você esperou por estas palavras por muitos meses, na esperança de que elas aliviariam a dor do seu coração, mas elas não vieram porque estavam ocupadas vigiando meus impulsos, me impedindo de me abrir, e minha própria dor lhe pareceu desatenção, eu que não durmo de tanta paixão congestionada, de tanto desejo represado, de tão só que estou.
Meus motivos sempre lhe pareceram egoístas, e se eu lhe disser que o descaso aparente foi na verdade uma atitude consciente para preservar você, me chamarás de altruísta e não sairemos do mesmo lugar.
Eu errei por não permitir que você me oferecesse seu afeto, eu errei ao sobrevalorizar um risco imaginário, eu errei por achar que existem amores menores e maiores, avaliados pelo tempo investido, pela contagem dos beijos, pelas ausências sentidas, por tudo isto fui conduzido a um erro de cálculo.
Não te peço nada além de compreensão, e esta carta nem era para pedir, mas para doar, eu que sempre me achei bom nessas coisas, o voluntário da paz, o boa-gente oficial da minha turma.
Mas peço: lembre de mim como alguém que alcançou a mesma medida do seu sentimento, a mesma profundidade das suas dúvidas, o mesmo embaraço diante da novidade, o mesmo cansaço da luta, a mesma saudade.
A carta vem tarde e redigida com palavras covardes, as corajosas repousam pois se imaginam já ditas e escritas, valentes foram as palavras do início, as desbravadoras, as que ultrapassaram limites, quando nós dois ainda não sabíamos do que elas eram capazes, palavras audazes, febris.
Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tu vida longe de mim e eu de ti, pela imensidão da nos descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos nãos todos que te falei, pelo pouco que houve de sim, acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim.
Martha Medeiros
"Não sei de mim. Sei que tenho uma alegria nos olhos e que a tristeza por vezes faz eclipse, e que minha vontade é de mergulhar no que me aconchega: a palavra, a caneta... lambuzar-me na tinta preta, até me reescrever inteira" (Nanquim - Débora Tavares)
quinta-feira, 15 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Aceitar não é entender...
Aceitar não é entender.
Frase da queridíssima Sara Bodowsky, jornalista da RBS, em mais um belíssimo texto seu. O título (muito bem apropriado, por sinal) chama-se “Medo do Medo” e a idéia central gira em torno do falecimento da cantora Whitney Houston, ocorrido dia 12 de fevereiro deste ano. Segue o link, para quem quiser dar uma conferida:
http://www.facebook.com/sara.bodowsky/posts/385684831448765
Fiquei com esta frase na cabeça e junto dela um turbilhão de pensamentos sobrevoando minha mente durante dias.
Dias estes em que me permiti voltar a pensar um pouco mais na vida. Apenas para dar tempo da minha mente se reorganizar diante das muitas opções, idéias e acontecimentos.
Assim como quem rearruma todas as peças do tabuleiro no meio de um jogo. Era preciso. E, em se tratando de jogo, as estratégias e ações são sempre muito importantes. A pessoa aqui, particularmente, prefere ser totalmente ingênua no jogo das conquistas do que absurdamente virgem dos verdadeiros amores da alma. Mas há quem opte pelo contrário.
E quando o assunto é amor há tanto ainda por se compreender.
Aceitamos que tudo tenha movimento próprio e que, assim como a água, o amor não possa ser retido. Mas não há real entendimento sobre isto. Queremos o amor perto, ao nosso alcance, afinal.
Assim como somos livres para amar, mas não amamos, (segundo a psicóloga Fernanda Perlin de Cesaro), também somos perfeitamente aptos em aceitar o que não temos a menor condição de entendermos.
Muitas vezes não somos capazes de organizar nossas próprias impressões a fim de perceber melhor o que se passa dentro da gente mesmo, como então conseguir compreender o que se passa na cabeça de uma outra pessoa, por exemplo? Muito difícil. Impossível, eu diria.
É preciso ir muito além. Nossa mente precisa se soltar para fazer grandes e complexos entendimentos. Talvez por isso seja muito mais fácil aceitar do que entender de fato.
Entender requer saber se colocar no lugar do outro, pensar como o outro, enxergar através dos seus olhos, da sua alma, do seu coração. E isto é humanamente impossível já que somos feitos de sentimentos.
Por vezes somos movidos a eles, o que implica em não conseguirmos ficar 100% desligados da gente, do que sentimos, das nossas vontades e desejos. Então como poder sentir por outra pessoa esquecendo temporariamente de nós mesmos? Como entender realmente as atitudes de um outro alguém? Definitivamente, não dá.
Aceitamos que alguém não goste da gente, mas não compreendemos o real motivo. Por que aquela pessoa que você tanto adora e quer não está nem aí para seus sentimentos? Nossos melhores amigos apostam na gente como a escolha ideal, a opção perfeita, afinal. Então por que na prática isso não acontece? Não sabemos, não entendemos. Mas aceitamos para poder tocar a vida e seguir em frente.
E aceitamos por total falta de alternativa, por saber que alguma decisão não partiu da gente e nada temos a fazer ou mesmo porque a situação toda vai muito além do que é de fato da nossa conta. Mas o porquê disso tudo, por vezes, não há como ser compreendido. E aos nossos olhos, certas situações parecem tão injustas e, no entanto, na verdade nos faltam elementos para poder entender suas causas de fato.
"A água de cada um bate no joelho que cada um estabelece", já dizia, Fernanda Young. E é verdade. Podemos não entender atitudes ou ações de alguém, mas não seremos os responsáveis pelas suas escolhas. Cada um decide o que quer para a sua vida e, ainda que não concordemos com suas opções e não as entendamos, aceitamos. Exemplo claro de situações que estão sob controle de alguém e só dependem deste alguém para serem mudadas.
Aceitamos o prazer que nos é oferecido. Mas porque fomos escolhidos? Não sabemos. Mas acatamos mesmo assim.
Aceitamos ingressar em situações totalmente fora de nosso controle. E não conseguimos entender o porquê optamos sabendo desde o inicio do risco do suposto domínio escapar por entre nossos dedos.
Que fique claro que aceitação das coisas que não podemos mudar, não pode ser entendida como um convite ao comodismo, à inércia, ao cruzar-se os braços e nada mais fazer, ok?
Aceitamos que determinadas pessoas, por opção ou não, se afastem da gente. E nos doemos por dentro. Não conseguimos entender o porquê, mas respeitamos a decisão.
São as chamadas situações que não estão sob nosso controle e, portanto, não podem ser mudadas pelas nossas ações, mesmo que a gente queira muito. É fato!
Ou como Caio Fernando Abreu ensina: “Se algumas pessoas se afastarem de você, não fique triste, isso é resposta da oração: “livrai-me de todo mal, amém”“.
Aceitamos isso como resposta ao acontecimento, mas na realidade, não conseguimos entender o porquê.
Não compreendemos por que certas situações, objetos ou pessoas vão embora de nossas vidas.
Conforta-nos acreditar que elas se vão tão somente para que a gente possa ficar mais leve e voar mais alto. Mas isso na verdade não nos convence de fato.
Bom seria poder nos deparar sempre com situações que, embora não tenhamos como modificar diretamente, possamos, de alguma forma, influenciar na sua mudança.
Sabemos apenas que aceitar, definitivamente, não é entender.
Mas,
"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento" escreveu certa vez, Clarice Lispector.
Simples assim...
; )
Em tempo: Transcrevo abaixo a "Oração da Serenidade" que destaca quatro virtudes fundamentais que precisamos desenvolver para se viver em equilíbrio e harmonia: serenidade, aceitação, coragem e sabedoria.
"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras".
(Reinhold Niebuhr - Teólogo)
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Brincar de Viver
Com os pés destruídos de tanto dançar durante a noite, exausta e já pronta para dormir, me deparo com a tal insônia.
Insônia com nome e sobrenome, infelizmente.
Mas e os braços que sempre me acolheram em minha cama, onde foram parar, afinal?
Tudo por conta da noite, de certa forma, emocionalmente turbulenta.
(Des) encontros casuais por assim dizer.
Ou citando o grande poeta, Drummond:
“... Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas...”.
E este trecho do poema, neste momento, caiu feito uma luva para a pessoa aqui.
Às vezes as coisas estão tão “estupidamente” claras e não as enxergamos.
Mas aquela noite havia sido diferente.
Talvez o cansaço de há tanto viver de “me doar e me doer” tivesse me dado um empurrãozinho. Já não estava mais disposta a suportar e tão pouco aceitar as mesmas (não) atitudes. As mesmas desculpas para a acomodação, para o não se fazer nada.
Muito menos ter de lidar com as lágrimas que voltam para a garganta.
Na saída da festa, quando questionada sobre tudo, tão somente respondi às amigas: “Vi o que precisava ver”. Na verdade também senti o que não queria sentir, mas optei por guardar isso comigo apenas.
Marisa Monte esteve presente naquela festa e durante toda a insônia:
"... Ouça o barulhinho que o tempo no seu peito faz. Faça sua dor dançar. Atenção para escutar o que você quer saber de verdade".
E foi isso mesmo que aconteceu: Parei para ouvir o tal barulhinho, coloquei minha dor para dançar não só a noite inteira como também no clarear do dia, já no meu quarto. E pude escutar o que queria saber de verdade.
Difícil e doloroso? Sim.
Mas, profundamente necessário.
“...Nem era dor aquilo que doía;
ou dói, agora, quando já se foi?
Que dor que se sabe dor, e não se extingue?
(Não cantarei o mar: que ele se vingue de meu silêncio nesta concha)...”
Lembrando outra vez o poeta e também meu tempo necessário de uns dias apenas me viciando em silêncio.
A frase de uma grande amiga ao final de 2011, e que me ajudou muito em algumas decisões, também me visitou durante a insônia.
Ela escreveu num e-mail: “não há porque esperar por algo/alguém que nunca ficou de vir”.
Quem primeiro olhará para trás? Não sei dizer.
Só sei que o domingo todo ficava lembrando de coisas que escutei no decorrer do mês de fevereiro e que, naquele momento fazia todo sentido.
“Se proteja, cuide de você”, alguém muito importante me escreveu também.
“Uma vida em constante movimento, mas você está pronta”, outro alguém, porém totalmente desconhecido até então, me disse dia desses.
Pronta para dar continuidade a tudo o que durante muito tempo ficou de maneira engessada.
Pronta para o recomeço em um novo trabalho ou em uma nova relação, para aproveitar e desfrutar do amor, para amar sem medos e inseguranças, para viver intensamente aquilo que ficou por viver ou que durante certo tempo esteve feito uma gangorra.
Pronta, para, se preciso for, procurar até encontrar, tal qual o pirata em busca de novos mares.
Pronta para ir além, para se permitir abrir ou fechar ciclos, sem meio termo. Do tipo “vem ou vá de vez”.
Pronta para o que desejar.
Ou como uma de minhas melhores amigas me comentou ao nos encontrarmos na terça de carnaval: “Você está diferente, parece muito tranqüila, leve”.
E eu concordei respondendo que de fato estava em paz, aprendendo a viver no presente e tão somente ele: um dia de cada vez. Sem muito ter o que pensar. Indo e fazendo, como quem nada anseia.
Buscando apenas meu sossego e bem estar.
Se isto é estar pronta, me sinto assim.
Se for preciso, viro a página. Se não for, espero tudo se reacomodar. Deixando as coisas correrem por si mesmas, sem impor minhas expectativas. Apenas tentando viver sem perder o eixo, aproveitando o que de melhor há.
Quem sabe com isso não possa viver sentimentos amplos e renovados?
Se o que sonhamos ou queremos definitivamente está tão distante ou jamais poderá ganhar forma concreta, deixemos então que se desfaça tudo aquilo que precisa se desfazer para que se possa dar lugar a algo novo.
E, por que não acreditar que uma novidade possa vir a ser bela e boa?
Só é preciso permitir entregar-se, sair do controle.
Não ter medo de recomeçar, de tentar, de ousar, de arriscar. Sem ficar preso a nada, nem ninguém.
As circunstâncias mudam se a gente quiser de fato.
A vida é hoje, agora, o momento com as escolhas que a gente faz para nós mesmos.
E a noite, apesar de tudo, ao final foi bem divertida e, porque não dizer, surpreendente.
Arriscaria com isso dizer que acordei tirando a água dos olhos e disposta a observar ao redor. Sair enfim do luto.
E tudo ao final irá operar por magia.
Chega de rotinas vazias. Agora é brincar de viver!
(Para não deixar de lembrar Bethânia e a musiquinha que eu adoro por demais!)
Um brinde ao cotidiano que se abrilhanta!
Em tempo:
1) Minha “bailarina de caixinha de música” de volta das férias e Monique chegando...
2) Em fase de acabamento outros 3 textos...
;)
"... Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer..."
(Maria Bethânia - Brincar de Viver)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Não canse quem te quer bem
O título deste post é o mesmo de um texto de minha musa, Martha Medeiros, há cerca de dois meses (não tenho certeza) na coluna de domingo na ZH.
E é justamente sobre parte dele que irei comentar.
De cara, quando li apenas o título, pensei logo em se tratar de algo relacionado ou associado à espera.
Alguém já cansado de esperar por notícias ou por algum tipo de retorno de uma outra pessoa de quem gostava ou queria muito bem. Ou seja, de certa forma, o título vinha a ser um pedido para que, exatamente por ter este sentimento, que esta pessoa desse algum sinal de fumaça, alguma resposta antes que o cansaço da espera surgisse. Poderia ser não?
Não era. Ao ler todo o texto, percebi que se tratava de algo completamente diferente do que havia imaginado.
E o que aconteceu?
São as tais frases que lemos de forma crua, e a interpretamos da maneira que bem quisermos. No entanto, elas podem ter significados completamente diferentes de uma pessoa para outra ou até mesmo para a mesma pessoa, dependendo da maneira como se lê, do dia em que a lemos, do estado emocional em que nos encontramos naquele momento em que nos deparamos com ela ou até mesmo na quantidade de vezes que lemos a tal frase.
Não é exatamente este o caso, até porque o texto por si só já explica o significado da frase logo no seu início. Mas, se colocássemos apenas a frase, pura e simples, daríamos margem a infinitas interpretações. Certo?
Eu adorei a frase, assim como o texto todo e, confesso que a partir da leitura dele, passei a pensar muito e também agir sobre algumas questões.
Acho que é por isso que gosto tanto do que Martha Medeiros escreve. Sempre me faz parar e pensar muito sobre tudo, reler infinitas vezes a mesma crônica para tentar captar exatamente o que ela vem a dizer e onde se encaixa na minha maneira de pensar ou agir.
O texto em resumo fala sobre uma frase de Camila Morgado (atriz) em um programa do GNT chamado “Saia Justa”. Ela explica a frase como algo que temos a mania de fazer: cansar as pessoas com nossas lamúrias, nossas tristezas, nossos desabafos. E, por isto ela diz: Não canse quem te quer bem.
E concordo. Ela tem toda razão.
Na maioria das vezes encontramos nossos amigos e quando nos perguntam como estamos, mesmo que nossa resposta seja um “tudo bem”, logo em seguida já despejamos aquela nuvenzinha que ronda por nossa cabeça.
Devemos pensar sobre isso.
Se tanto gostamos de determinadas pessoas ou nossos amigos, devemos poupá-los deste tipo de coisa, e simplesmente aproveitar a companhia deles para nos divertir, rir e melhorarmos como pessoas.
Aproveitar este tempo com eles para trazer à tona aquilo que nos move e nos emociona, sem necessariamente ser algo triste, melancólico ou depressivo.
Vamos parar com essa mania que temos de “alugar” aqueles que amamos com nossas lamentações, lágrimas e tudo o que nos carrega para baixo, que nos entristece.
Chega de cansar nossos amigos, cansar quem nos quer bem.
E, principalmente, chega de cansar aos que queremos muito bem também, de quem gostamos.
Tudo bem. Sei que na teoria tudo é muito simples (parece, pelo menos) e que na prática as coisas não funcionam exatamente desta forma. Ou como diria minha musa, “é mais fácil ser bem resolvida em textos, com edição”. E é verdade. Escrever é algo tão mais simples. Não há testemunhas, nem mesmo álibi. Estamos todos bem, aos olhos de quem lê.
Ninguém sabe de verdade o que se passa com a gente enquanto escrevemos determinadas coisas e, tão pouco, podem saber se aquela é mesmo nossa opinião.
Não há o ‘olho no olho’ para se ter esta certeza, afinal.
É claro que às vezes estamos tristes, nublados e que um contato humano ajuda a relaxar e arejar as idéias. Mas isto não quer dizer que precisamos encher a paciência daquele que nos ofereceu abrigo, colo e um imenso buquê de carinhos.
Há momentos em que estamos mais quietos, mais com a gente mesmo, que precisamos chorar baixinho, ficar em silêncio.
Momentos estes que geralmente nos puxam para dentro de nós mesmos e, da mesma forma, podemos nos enxergar mais nitidamente.
Então por que ter medo desta solidão por vezes tão necessária?
Por que escolher cansar quem queremos tão bem com nossas tristezas?
É disso que to falando.
E é exatamente isto que me sacudiu neste texto e que me fez parar para pensar.
Chega de cansar quem me quer tão bem.
Quem se preocupa de fato comigo.
Dependendo da dor que a gente estiver carregando no peito, às vezes é melhor optar por nossa própria companhia, sem cansar ninguém mais.
A pessoa aqui fez esta opção.
;)
Geladeira e Pia
Qualquer um que se disponha e queira abrir minha geladeira encontrará, em qualquer tempo, quatro ‘elementos’ básicos:
1) Água
2) Banana
3) Ovos
4) Erva mate (sim, guardo na geladeira)
Não necessariamente nesta ordem, mas todos eles sempre!
Em outras vezes, dependendo do humor da pessoa aqui, é grande a possibilidade de, além destes, também se avistar:
• Brócolis
• Ricota
• Pasta de berinjela de Papi (e que agora até já sei fazer hehehehe)
• Suco (abacaxi ou laranja) ou energético
• Sorvete Galak ou ‘várias delas’ Tortuguitas de Baunilha.
(Obs. Twix e Kit Kat continuam sendo meus chocolates preferidos, mas as tais tartaruguinhas fofas ultimamente têm me conquistado quando a opção é por este tipo de guloseimas).
Outros alimentos, somente quando estou inspirada a ponto de preparar algo diferente e, de preferência, para mais gente, além de mim. Do contrário não. O fato de morar sozinha me faz ser bem mais objetiva em termos da famosa relação “custo x benefício”.
Por exemplo: Não irei à feira do Olímpico aos sábados pela manhã comprar um monte de frutas se durante a semana acabarei comendo apenas banana, que é a minha preferida. As demais estragariam, certamente. E também não deixaria de comprar banana por conta de estar levando outras frutas rsrsrs. Isso é fato!
É disso que falo.
Gosto de banana e aí compro banana, maçã, abacaxi, etc. Ao pegar na geladeira vou sempre optar por comer banana, ora!
E olha que na feira até que sou bem tranqüila e tenho paciência, já em supermercado. (@#$@#@@%$@%$#¨!$%#¨!)
Qualquer coisa que faça de comida acaba sobrando também, consequentemente estragando e, inevitavelmente indo fora. Desta forma, prefiro não desperdiçar alimento e muito menos meu tempo em supermercado (que já não gosto e tão pouco tenho paciência).
Não, isso não é desculpa de quem tem receio ou não se arrisca a cozinhar, ok? Chamo isto de praticidade, apartamento de gente solteira ou de alguém que, excetuando os finais de semana, passa a maior parte do tempo fora de casa.
Também não se trata de não saber ou não gostar de cozinhar... Aloouuuu, muito pelo contrário: A D O R O O O O!
Sempre que posso cozinho, experimento uma receita aqui, outra ali, invento, arrisco. Da mesma forma gosto muito de assistir e aprender as receitas do Anonymus Gourmet, Jayme Oliver ou Edu Guedes.
Em resumo: Me viro muito bem na cozinha e posso garantir que não morro de fome rsrsrs
Aproveitando o fato de a geladeira ficar na cozinha, abro então espaço para falar do meu local de ‘terapia’:
A pia! Uiiiii... Até rimou rsrsrs
Sim, é sério!
E olha que nem é pela união de verbo + artigo + sujeito, no caso (ter + a + pia). E sim, pela própria situação de ‘relaxar’, me tranqüilizar quando estou lavando louça.
Algo que, definitivamente eu AMOOOO!
Adoro o contato com a água, uma espécie de convite a deixar os problemas do lado de fora da porta, não pensar, apenas aproveitar o barulhinho da água para desopilar a mente. Uma terapia mesmo.
Talvez pelo fato de não gostar de ver louça suja ou não suportar aquela ‘reunião’ de talheres, pratos ou copos fazendo verdadeiros malabarismos e lutando heroicamente por um espaço dentro da pia, aguardando desesperadamente o momento de serem lavados. Hehehe
Tinha de colocar de uma forma teatral, né? Senão não seria a pessoa aqui, afinal. Mas o fato é que realmente, DETESTO!
Certa vez fui ao apartamento de um irmão e, na ingenuidade da pessoa aqui, tentei beber um copo de água.
Óbvio que não demorou muito para perceber que não existia copo algum limpo e, claro, por uma única razão:
Todos estavam sujos dentro da pia!
E lá havia mais de dez copos!
Aí brinquei perguntando se ele não costumava lavar louça em casa e como resposta veio algo do tipo:
- Sim, quando não tenho mais copo limpo.
Ãh? Como assim, cara pálida?
É claro que lavei toda louça antes para poder então beber a minha água.
E, ao final, ainda tive de escutar:
- Bah, agora só daqui uns dois meses lavarei louça.
Até sujar todos eles novamente, vai demorar um bom tempo.
Muita gente ri quando digo “deixa que eu lavo”. Pensam que é brincadeira ou que quero agradar e tal.
Mas não.
Gosto mesmo.
Ou melhor, AMOOOO!
Agora uma dica: JAMAIS me peçam para secar a louça.
Definitivamente, NÃO!
ODEIOOOO!
Isto eu deixo para “Nossa Senhora”.
;)
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Você me Bagunça
E tudo bagunçou novamente.
Eu que estava quietinha e bem. Não 100% ainda, mas na medida do possível, bem.
Aí você reaparece e ilumina tudo novamente.
Devolve a cor e o encanto de lírios aos meus dias.
Então penso: enfim poderemos nos conhecer de fato, devagar, com cuidado e com tempo, afinal os dois lados parecem se entender e querer a mesma coisa.
Mas, de repente você surta, recua e foge novamente.
Sem deixar um perfume no caminho.
Me desestrutura, me esfacela por inteiro com esse medo absurdo que tem de me magoar.
E não percebe que isso sim é o que machuca, que me abala de fato. O não se permitir, não arriscar, ter medo de curtir, de conhecer, de aproveitar, de gostar ou não, mas ver qual é, tentar. Sem querer almejar o eterno.
A tal mente fértil já imagina e se cobra por coisas que não existem e que sequer aconteceram ou aconteceriam.
A cada abrir de olhos parece fazer um inventário mirabolante na cabeça.
E esquece que nada é real, a não ser o momento.
Me sinto totalmente impotente quando resolve se colocar no meu lugar sem o meu consentimento.
E se perde em todos seus “achômetros”, sem exceção.
E me pune com sua decisão de se afastar.
Sem um último olhar.
Diz que é pra me poupar.
Não me dá chance, não tem tempo. Só mês que vem depois da chuva. Quem sabe, com um pouco de sorte.
Em um almoço, daqui uma semana, numa véspera de feriado.
Numa cegueira temporária da mente e perpétua dos sentimentos, daquilo que não pode controlar.
De uma maneira injusta, com você e comigo.
Egoísta ao ponto de esquecer principalmente de você.
E nem assim consigo sentir raiva ou mágoa.
Apenas decepção e tristeza.
Se este era seu objetivo, alcançou.
Mas vai ter que se esforçar muito mais para me perder de fato.
"Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu sim
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim
Assimila, dissimula, afronta, apronta, diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você
Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"
Parece que o coração carece e diz: "pára!" Silencia.
Se embrulha e se embaralha,
Reconsiderar o ar, o andar , nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, fio, corredor, a calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo
Difícil precisar quanto preciso
Difícil precisar quanto preciso"
(Você Me Bagunça - O Teatro Mágico)
Você Arriscaria? (Parte II)
Acabo de assistir pela 9586381704782 vez meu filme preferido.
Não, não irei comentar sobre ele, até porque já fiz isso inúmeras vezes em outros posts. Hoje apenas abro parênteses para comentar sobre uma cena em que a personagem Rachel, interpretada docemente pela atriz Piper Perabo, lê para colegas de trabalho o seguinte trecho de uma matéria sobre o amor:
‘No discurso, a cientista homenageou o marido. Amanhã o casal comemora 42 anos de casamento depois de fugirem juntos no dia em que se conheceram. Quando perguntado se sabia que daria certo, o professor respondeu ao estilo de cientista: “Nunca se sabe, mas é preciso arriscar. A certeza é para pessoas que não amam o bastante”. ’
Adoro todo o filme, que é lindo, fofo e encantador, mas esta cena me chamou à atenção por um detalhe que sempre observo muito em filmes que assisto: as chamadas “frases fortes”.
Em meus livros tenho o hábito inclusive de sublinhar aquelas que me chamam à atenção e depois transcrevo para um caderninho. Frases que nos fazem refletir, que por vezes têm algum significado subentendido. Ou que possam ter vários sentidos, dependendo da interpretação que se dá a elas. Faço isso com as músicas que ouço também.
Muitas vezes frases simples e lá estou eu anotando tudo (sim, sempre levo meu caderninho quando vou ao cinema também, exatamente para este fim rsrsrs). Mania da pessoa aqui.
Esta frase, em especial, fala sobre arriscar por amor ainda que não se tenha certeza do que vai acontecer. Forte, não? Corajoso, bem mais.
Ainda que não saibamos onde estamos pisando, não tenhamos a menor idéia de como será o dia de amanhã. Mas, arriscar mesmo assim. E por quê? Porque desde o primeiro olhar ouve um encantamento e o coração bateu descompassado. Algo que não se explica, apenas se sente. E eu compreendo perfeitamente.
Eu sou assim. Me exponho, corro riscos, dou a cara a tapa, coloco meu coração na vitrine. Muitas vezes erro, sofro, choro feito criança, me esfolo a ponto de carregar durante dias minha alma em prantos, mas jamais lamento ter apostado, ter tentado.
Posso lamentar não ter tido chance de fazer melhor, não ter tido tempo de mostrar tudo que queria, de conhecer, não ter sido capaz de conquistar, enfim. Mas jamais por não ter arriscado.
E, da mesma forma, quando me perguntam se arriscaria novamente, a minha resposta é imediata: “sim, faria tudo exatamente igual”.
Agora vem à mente a frase da Martha Medeiros que diz “talvez você se depare com seu medo bem no meio de sua coragem”. O que digo sobre isso? Não, antes disso já arrisquei, já fui, já mergulhei naquilo que me despertou encantamento. Simples (?) assim!
Quando falo sobre arriscar ou correr riscos, tanto faz, sempre lembro da musiquinha bonitinha “Trampolim”, do Paulinho Moska que diz:
“Que pulo que eu vou ter que dar pra não me ferir?”
Não existe. A pessoa aqui pula. Depois a gente vê se a queda causou algum dano. E ferimentos cicatrizam, sempre.
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