sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Gavetas


Não sei o que mais me atraía em você
se esse seu ar frágil e indefeso diante da vida, 
o jeito delicado e infantil de sorrir, 
ou o brilho cativante de seus olhos de amêndoas

Tinha uma deliciosa mania de ouvir com doçura
a canção que trazia você na lembrança  
era tanta delicadeza que me acariciavam a alma
que podia sentir um leve afago de paz

Meu coração imensamente puro e tão desprovido de culpa
podia viajar por momentos de tamanha ternura
sem medo de se desorganizar entre todas gavetas internas

E assim, baixando a guarda já demasiadamente cansada,
era como se nossas mãos pudessem se encontrar uma vez mais
sem interferência alguma suficiente para nos deter
apenas nos reconstruindo e desfazendo todos nossos muros invisíveis, nossos infinitos nós

É preciso coragem para se permitir revisitar caminhos antigos
sem se deixar rodopiar e esconder o sol que aquece o coração diante de tamanha saudade
não se abater nas interrogações que nunca adormecem e nos envolvem
impedindo que pudessem voltar a bagunçar tudo outra vez
sermos capazes de redescobrir o riso e a música tão suaves e presentes naqueles momentos

Seguimos sem pressa e nem culpa por não esquecer,
gratidão pela vida e por tudo que veio de felicidade junto com ela
por se fazer lembrar do que foi especial e reagir ainda com mais delicadeza às marcas deixadas
de constatar o amor maiúsculo à última pessoa do mundo que pensei que amaria
do perceber recordações que já não machucam pela organização daquelas gavetas

O despertar vem junto com o amanhecer e nossa “amadurecência” também
e ao abrir olhos é possível perceber que destes encontros levamos apenas a lembrança mágica
de tudo o que foi belo e sempre tão carregado de carinho e encantamento

Mas já não há mais nada a sentir diante de tanto tempo cercado de presença inconstante
da porção de Peter Pan surpreendente que tanto se agarra para justificar traumas e medos
os dias nos jogam na cara de que aqueles amores salva-vidas já não combinam mais com a gente
é necessário buscar ser ainda mais leve quando o sentimento é infinitamente intenso
mesmo sabendo que o de melhor que sabemos fazer seja sentir e carregar uma infinidade de amor

Às vezes é preciso abraçar o mistério, se desfazer das memórias
e todas as incertezas que nos encharcam a alma
dos versos que escrevemos e não mostramos
das cartas escondidas que jamais serão entregues
e abrir espaço para aquela alma ainda desconhecida, porém recíproca e tão viva diante dos olhos
para podermos despertar a tudo que por ora nos foge do entendimento
mas onde o coração consegue encontrar paz e descanso para voltar a escrever poemas, voltar a sentir,
e, quem sabe...  Amar.
💜🙏 

Ela é de capricórnio

 "Ela é de capricórnio e eu só preciso te advertir que apesar do que possam falar e do que digam os horóscopos de revistas de fofoca, ela tem sim coração.
E ele é grande, toma conta do corpo quase todo.
Ela é toda coração, ela só não expõe numa vitrine pra todo mundo ficar olhando.

Ela gosta de saber onde tá pisando e ainda assim tem sempre um pé atrás ou dois.
Ela já se machucou e as feridas que demoraram a cicatrizar, ela trata com respeito.
Não permite que ninguém fique cutucando, tirando casquinha ou remexendo na sua dor,
mas se algum dia você se mostrar de verdade e ela te enxergar e vir sinceridade em você, ela vai se mostrar e se entregar por inteiro.

Ela gosta de ter tudo planejado na sua cabeça, embora nem sempre – ou quase nunca – siga seus planos.
Ela dá valor aos seus objetivos e geralmente vai até o fim pra conseguir o que quer.

Ela é independente e dá valor a isso.
Por isso não diga que é ganância quando ela exigir ser recompensada pelo seu trabalho duro e quando ela der valor a tudo o que construiu.

Ela pode parecer fria como gelo.
É uma imagem comum que se faz dela.
Mas no fundo e por dentro ela é quente e arde.
Ela arde de prazer pelas coisas que ama, pelos sonhos que tem, pelas coisas que deseja conquistar.
Ela é quente que nem o seu abraço mais verdadeiro e como o seu beijo mais apaixonado.

Ela é apaixonante e isso te apavora, eu sei.
Ela também tem medo de se deixar apaixonar, mas quando descobre o amor próprio, ninguém é capaz de amá-la mais do que ela mesma!
E como isso é bonito sobre ela.
Esse é só mais mistério que ela tem.
Mas no fundo, é lógica como um jogo de xadrez, onde se tem que analisar todas as probabilidades antes de avançar.

No amor também age como no jogo, então se ela se entregou é porque acredita.
Ela se entrega às causas que acredita e se põe no lugar do outro como ninguém.
Ela é tão intensa quando se trata de emoções, cara.

Ela chora com músicas melancólicas e ri de piadas sem graça.
Ela se comove com filmes que não são tão óbvios e até com comercial de dia dos pais na TV.

Ela dá valor às relações, independente da duração.
Pra ela o que vale é a intensidade, porque é isso que ela é.
Quando ela sente, sente mais do que qualquer um no mundo, para o bem e para o mal.

Quando sorri, o mundo se ilumina.
Quando fica triste, se fecha.
Mas, ela não precisa necessariamente estar triste para se voltar pra si mesma e querer ficar sozinha.
Às vezes é só um momento.

E quando ela quiser estar só, deixa ela.
Ela vai se fechar por um tempo, ficar mais calada, pensar mais, agir menos, porque é isso que ela faz.
Mas fica tranquilo, ela volta e volta ainda melhor"

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ela é de peixes


Ela tem dois caminhos que se confundem quase sempre.
De um lado, sonha em chegar lá – mesmo que não saiba exatamente onde é esse lugar.
Acredita que mais importante que o caminho são as pessoas que encontra no meio dele.
Para o barco, dá carona, gosta de companhia.
Seu jeito é meio à luz de velas quando o sol desaparece no horizonte.

Ama como se houvesse amanhã, como se fosse durar uma vida inteira porque ela tem esperança.
Pra ela não acaba, não se finda, não vai sumir num piscar de olhos.
Pensa que o mundo inteiro se resolve num abraço, muito mais que num beijo.
E envolve, se envolve, é sempre num cruzar de braços.
Mal dá pra ver que ela é cheia de abismos, que por dentro ainda existe alguma coisa que não a deixa sossegar. Continua nadando.
Se alguma coisa a machuca, prepara-se pra mudar de rumo.

Já te contei que existem dois caminhos pra ela, e que eles se confundem.
Nada pra baixo com toda a força do mundo quando tem que nadar.
Mergulha com tudo, ela é intensidade pura.
Vai no fundo do oceano e não prende o ar, não precisa disso.
Se mistura com as ondas e vem de forma violenta.
Te acerta ainda na praia e toda a tranquilidade de antes se transforma num turbilhão.
Mas foi você quem provocou isso, foi você que pediu pra ver.

Ela escapa como se tivesse guelras.
Ela se recusa a largar sua moradia. Seu corpo, sua casa.
Quem tenta violar suas regras encontra placas de aviso na surdina, na calada da noite, em toda janela que deixa aberta.
Algumas setas, alguns alvos. Ela não quer que você chegue perto, não quer que você entre.
Melhor se afastar, melhor deixar pra lá.

Ela parece frágil feito líquido, transparente feito água, mas você já conseguiu enxergar as profundezas de qualquer mar?
Não, nem vai enxergar as dela. Ela não deixa.
Sonha com um mundo que ainda não existe, sonha com alguém que ainda não existe, sonha com tudo.
Seria capaz de viver nos sonhos e construir sua vida neles.
E constrói, na verdade.
Tudo em volta dela é sonho, tudo em volta dela é algo que você não consegue ver. Ela vê.
Ela enxerga coisas que ninguém enxerga o tempo todo.
Talvez porque essas coisas estejam dentro dela, dentro dos tesouros perdidos num naufrágio submerso, e não nas coisas que você jura que vê na superfície.

Ela é de peixes - Daniel Bovolento, 

Ela é de áries

"Ela não vai ficar se explicando, rapaz. Se ela for de Áries pode esperar por uma mulher mandona e impaciente, mas também superprotetora. Você não vai querer contrariá-la, nem fazê-la de boba. Saiba que ela não perdoa e vai seguir com ou sem você. Se der mancada, adeus. Sabe aquele ditado ‘ou soma, ou some’? Cuidado para não ser descartado da vida dela.
Se quiser conquistá-la, terá que fazer por merecer. Ela gosta de ser admirada e sentir que é a pessoa mais importante no seu mundinho. Não basta dar carinho. Se ela for de Áries você terá de tratá-la com respeito e consideração. Mas isso não é garantia de que ela ficará morrendo de amores.
Guarde o cafuné para os momentos certos, não abuse na dose ou perderá a oportunidade de ficar mais um tempinho com ela. Se ela for de Áries, a paixão não estrá em primeiro plano. Ela sabe onde quer chegar e não deixará que um relacionamento atrapalhe tudo.
Se você for um homem orgulhoso, fique longe da mulher de Áries. Ela gosta de fazer as próprias escolhas e decorar a vida com as cores que bem entender. Acostume-se com seu jeitinho manhoso de sempre assumir o comando. Saiba que ela não desistirá quando surgirem obstáculos. Dará a volta por cima com a cabeça erguida.
Talvez você tenha dificuldade para suportar seu impulso agressivo e controlador, mas saiba que valerá a pena tê-la do seu lado. Faça elogios sinceros, sem cair no senso comum ou ser fútil demais com as palavras. Mostre que se interessa pelo que ela é de verdade: uma mulher com garra e determinação.
Se você se apaixonou por uma ariana, tenha em mente que ela pensará bastante no futuro e será sempre confiante. Ela não abandonará o relacionamento por causa de um probleminha qualquer. Não, ela vai lutar para que dê certo. Para que isso aconteça é preciso que você esteja com ela, do lado, de igual para igual. Muito mais do que um namorado, a mulher de Áries procura um parceiro para a vida toda"

Ela é de aquário

"Não é por mal que ela desaparece.
Se parece que ela não se importa: isso não é, necessariamente, verdade.
Em alguns casos, é.
Mas normalmente o que acontece é que ela, cheia de dúvidas e anseios e mergulhada até o pescoço em tudo o que não consegue resolver, prefere erguer as sobrancelhas e mudar de assunto.
Às vezes dói. Pra ela, na verdade, dói sempre.

Ela não consegue ver o todo.
Se apega aos detalhes. Checa. Verifica.
Cutuca e analisa até ficar irritada com a sua própria mania de não ficar na superfície.
Às vezes gostaria de não afundar, mas não consegue.
O abismo, o buraco, o mar, a correnteza – todas essas coisas lhe são caras e atraentes e ela prefere morrer nos braços das sereias do que só molhar o pé na areia.

Se preocupa tanto que não sabe se as bolsas sob os olhos são por conta das dificuldades pelas quais passa aquele amigo de longa data,
ou por medo de acordar e descobrir que o mundo acabou em napalm,
ou por medo do que mora dentro dela e que ela nunca quer ver sair de novo.

Tem receio de se perder (e não percebe que é perdida por natureza – torta das ideias, coitada).
Coleciona besteiras. Papéis antigos, embalagens coloridas, bitucas de cigarro.

Apega-se aos que passaram pela sua vida com um amor tão avassalador que nunca pede para que eles voltem.
Acredita que são lindos mesmo quando estão do outro lado do mundo, e quer que permaneçam lá se estão bem.
Ela os quer bem, no final das contas – até tenta guardar rancor, mas tudo passa.

Tudo é inconstância, delírio, adeus.
Segura o que precisa segurar.
O resto, joga ao vento.
Tem mania de dizer o contrário, e pode trocar de lado no meio da conversa porque ou quer te provocar ou porque, realmente, sabe que eu nunca pensei nisso?

É orgulhosa até o momento em que não precisa ser mais.
Reconhece. Aceita.
Às vezes se morde um pouco, quebra um vaso na parede, arrebenta um souvenir, mas: reconhece.
Aceita.
Se recusa quando precisa e não foge.
Foge.
Foge demais porque quer ser passarinha (e às vezes ela pensa que já passou da idade de querer qualquer coisa assim).  

Muda.
É uma pessoa nova quando acorda, outra diferente quando vai dormir.
Beija as mãos que lhe estendem porque acha que amor tem que ser dado assim: na palma aberta, para cima, em oferenda.
Em doses que escorrem pelos dedos. Não quer nada que caiba dentro de um punho fechado.

Ela não sabe onde cabe.
Às vezes, não cabe"

Ela é de câncer

"[Você pode ler este texto ao som de Chandelier]

No balcão do bar, ela pede a bebida preferida “Garçom, uma dose de vodka, por favor.”
A rapidez com que vira o copo, os olhos marejados e a urgência pela próxima dose, dão indícios de que mais uma vez, a vontade de amar incondicionalmente, colidiu com a insensibilidade dos braços errados.

Lá pelas tantas da madrugada, chega cambaleando em casa – corpo cansado, coração dilacerado e gosto amargo de desamor na boca.
Enquanto o teto insiste em girar e o estômago dá sinais de ressaca, ela cantarola Cartola baixinho.
Entre um verso triste e outro, chora e sufoca os gritos com o travesseiro.
No fim de cada canção, promete para si mesma que trancará todo o afeto desperdiçado no quartinho dos fundos.

Ela é refém do sentir-visceral.
Tudo é profundo.
É intenso, é carne viva.
Sente por ela, por quem ama e por aqueles que nem conhece.

Tem o costume de enxergar leveza nos detalhes da vida.
Se emociona com boa música, com bons filmes e com pessoas de bom coração.
Ela nasceu com instinto de zelo, sabe cuidar de tudo que a cerca com maestria – se um dia ela deixar você sentar no sofá da casa dela, considere-se um cara de sorte.

Ela é de câncer e costuma ser colo, mas às vezes, precisa trocar de lado no jogo.
Ela precisa que você esteja com ela até o fim, por isso, se a sua intenção é fazer firula com o afeto dela, dê meia volta e peça mais uma cerveja, queridão"

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Amadurecência

Acredito que a gente aprende a gostar de futebol ainda na infância, pelo menos comigo foi assim. Talvez pelo fato de contar com 4 irmãos mais velhos isto tenha se aflorado ainda mais.
Eu, particularmente sou apaixonada por futebol. Já fui bem mais fanática, confesso. Já chorei copiosamente em derrotas, em perda de campeonatos ou até mesmo em jogos de despedida (a despedida do Olímpico e do Danrlei são exemplos).

Já perdi as contas das discussões que me envolvi por conta de assuntos de futebol, da paciência elevada ao extremo dos extremos em tentar proteger os erros de um time medíocre ou desprovido de talento. Tudo em prol de uma defesa com unhas e dentes, a base de argumentos vazios para tentar justificar aquilo que era por vezes, injustificável. Perdi incontáveis vezes a razão em conversas sem fim quando o time jogava mal, sem alma, sem identificação alguma com aquilo que esperávamos da equipe. Tudo isso já vivi e muito.

Hoje não perco mais o meu sono por derrotas sofridas, não me envolvo em comentários ou flautas quando estas são totalmente insalubres ou desnecessárias. 
Hoje abstraio por completo.

Em casa só ligo a TV quando tem Christiane Torloni na tela ou qualquer partida de futebol. Sempre assisto, mesmo que não seja do meu time. Gosto de futebol em si. Os domingos de bobeira em casa são totalmente sem graça quando não tem futebol. Tal qual a fórmula 1 pós 1994, sem Ayrton Senna. 

Ainda vibro e muito, me empolgo e me envolvo por este Grêmio de atualmente, mas sem lamentar com sofrimento exagerado caso a vitória não venha ou ocorra uma desclassificação prematura. Aprendi a desviar o foco de discussões calorosas apenas com o intuito de colocar a prova todo conhecimento e paixão de cada um. 

Acho que é por isso que o futebol é tão emocionante. Esta “amadurecência” que também vamos adquirindo com o passar dos anos, com as decepções do mundo da bola ou simplesmente pelo cansaço de tanto exagero. Chega um momento em que damos um basta para aquilo que só faz mal para nós mesmos, aquilo que corrói e até machuca dentro da gente. Quando o amor ao clube se torna uma doença é muito perigoso. Tenho exemplo bem próximo, inclusive. E me entristece ver tamanha “cegueira” em prol de um time de futebol, uma rivalidade que ultrapassa a linha do saudável. 

Lembro quando me percebi muito mais Portaluppiana que gremista: 30 de junho de 2011. Ouvia na rádio, Renato aos prantos se despedindo do comando técnico do Grêmio. Mesmo tendo tirado o Grêmio da zona de rebaixamento para o 4° lugar no campeonato daquele ano, com a melhor campanha no returno, sendo indicado ao prêmio de melhor treinador e garantindo vaga para a Libertadores de 2011, pedia demissão do tricolor. 

Após vários resultados ruins no campeonato brasileiro de 2011 e, principalmente depois de perder o Campeonato Gaúcho para o Inter, não conseguiu dar continuidade ao trabalho. Se despedia entre lágrimas do comando gremista. E eu fiquei umas duas horas estática, olhando para os céus, sentada em um dos bancos do condomínio onde moro, com um chimarrão na mão. Não estava acreditando no que ouvia. Estava perplexa. Meus olhos pareciam verdadeiras cachoeiras. Chorei de soluçar, tal qual uma criança. Já escrevi sobre isso, inclusive. 

Aquela noite foi difícil, bem difícil. Dias depois me desassociava do Grêmio. Desde 1998, era a primeira vez que abandonava o tricolor sem olhar para trás. Ali também surgia o meu desencantamento pelo futebol. Já não me sentia mais tão visceral, com aquele sentimento incontestável de amor pelo Grêmio que transcendia qualquer entendimento. Já não nutria aquela tendência ao exagero e à euforia desenfreada que todos que são apaixonados por futebol compreendem perfeitamente. Parecia que a magia havia se quebrado ou, de alguma forma adormecia algo dentro de mim.

Eis que no ano de 2013, como presente antecipado de aniversário, Renato retorna ao Grêmio. Era 01 de julho. Mas, mesmo levando a equipe ao vice campeonato brasileiro daquele ano, não teve o seu contrato renovado. Em época eleitoral ocorre muito isso nos clubes. Os candidatos que não aprovam o atual gestor do grupo, optam por não se comprometer na renovação de contrato. É a política influenciando o futebol. Quem perde com isso? O clube, sempre. E, mais uma vez não mais colocaria os meus pés no estádio como sócia.
E eu pensava com meus botões: Não seria a hora dele de novo, é isso mesmo? Não era a nossa vez de vê-lo alçar voos maiores com o tricolor. Que pena! :/
Aquele gaúcho de Guaporé, ex ponta direita e um dos maiores pontas mundiais dos anos 80 e início dos anos 90, mais uma vez nos dizia “até breve”.

Mas, quis o destino que em 18 de setembro de 2016,  o maior ídolo da história  do Grêmio, maior jogador da história do clube, tendo sido campeão da América e do Mundo em 1983, acertasse seu retorno ao Grêmio.
Era sua terceira passagem pelo clube e também minha volta à Arena. 

Fez sua estreia no jogo de volta pela Copa do Brasil, diante do Atlético Paranaense (que tinha no elenco o meu eterno queridinho, André Lima). Perdemos o jogo de 0 x 1 com gol justamente do Guerreiro Imortal. E a decisão foi para os pênaltis. Li certa vez que "a sorte e o revés sorriem para todos indistintamente" e aquela noite seria de sorte ao time do Grêmio. Marcelo Grohe garantiu nossa passagem à fase seguinte.

A partir de então, sob o comando do ídolo gremista, surgia um time brigador e envolvente. Renato em questão de dias já obtinha uma liderança sem igual sobre o vestiário. Tinha o grupo literalmente nas mãos. Ele sabia mexer decisivamente no time ao longo das partidas, tinha estrela. 

Aquele então ponta direita, alto, driblador, ótimo cabeceador e com boa técnica mostraria ao Brasil que estava pronto. Era um Renato diferente. Mais comedido, mais reflexivo e maduro. Um cara que aprendeu como ninguém a fazer uma leitura pontual dos jogos, por vezes de forma cirúrgica. Prova clara da sua “amadurecência” com o passar dos anos como treinador. Não havia perdido a essência e irreverência de jogador de outrora, é bem verdade. Continua mito. É incontestavelmente o maior ídolo. Mas agora complementa ao seu currículo, juntamente com seu carisma e talento de sempre, a imensa capacidade plástica como técnico de futebol.

E, em 7 de dezembro de 2016, foi Pentacampeão da Copa do Brasil com o Grêmio após vencer o Atlético Mineiro por 3–1 no primeiro jogo, e no segundo empatar em 1–1. Quis o destino e todos os anjos no céu que fosse com ele o fim do jejum de 15 anos sem títulos de expressão nacional do Grêmio. Que fosse com Renato a volta do Tricolor à elite do futebol brasileiro. 

Agora sim, senhores, a cidade voltava ao normal. Tudo estaria em ordem novamente e o Grêmio com o melhor futebol do Brasil. A partir dali seriamos a vitrine, o time a ser batido. E o futebol, sob meu ponto de vista, voltava a ser mágico e fascinante. Era Renato – O Cara no comando daquele exército gremista.

Quando comentam que somos fanáticos e que todo aquele blá blá blá de idolatria a Renato é uma loucura, sabemos que não é. No Grêmio o protagonista não é Luan (melhor jogador da América) ou Arthur e toda sua maestria com bola. No Grêmio a estrela é Renato. Só quem é um verdadeiro torcedor sabe e tem a real dimensão disso. E percebe que é algo inexplicável. Apenas vive-se e se sente. 

Sou bem suspeita para falar de Renato, é a máxima verdade. É meu maior ídolo desde sempre. E, como já mencionei anteriormente, sou mais Portaluppiana que gremista, é fato. Agora era preciso que ele ficasse para o próximo ano também. Caso ele ficasse e nos desse o Tri da América, prometi que pintaria meu cabelo de azul. 

Foi a volta de Renato e, ao mesmo tempo esta transformação no jeito de jogar, no envolvimento em geral do time do Grêmio e notório comprometimento de cada jogador com o clube, que me fez reviver o encantamento pelo futebol. Resgatou em mim aquela alegria e vibração da valorização da camisa tricolor que nos enche o coração de orgulho. 
A volta daquele arrepio, o sentir dos batimentos cardíacos ultrapassarem a sensação de bem-estar. Este sentimento que hoje não encontro palavras para diagnosticar veio junto com o retorno de Renato. Trouxe de volta em mim a paixão e emoção pelo Grêmio.

Veio 2017 e o caminho já estava traçado, seria o ano do foco 100% na Libertadores. Tínhamos o melhor time do campeonato gaúcho, mas perdemos na semifinal em cobranças de pênaltis para o Novo Hamburgo, que se sagrou campeão gaúcho na final disputada com o nosso coirmão. Nem sempre o melhor time é o que vence e o momento era então de não perder o rumo e apostar no nosso objetivo principal que seria a reconquista da América após 22 intermináveis anos. 

Estivemos bem perto, há alguns anos, é verdade. Chegamos a disputar a final de 2007 contra o Boca Juniors, da Argentina. Mas amargamos o vice-campeonato naquele ano. 2017 reservava ao Grêmio manter-se no topo da Copa do Brasil (éramos os atuais campeões) e também Campeonato Brasileiro, muito embora todos soubéssemos que seria uma tarefa um tanto quanto difícil. Seria ousadia demais também querer beliscar todas os campeonatos. 

E isso percebeu-se no decorrer do ano e no acúmulo dos jogos decisivos. Começaria então a afunilar as competições, os clubes mais capacitados seguiriam adiante, na busca pelos títulos. 
E quase fomos à mais uma final de Copa do Brasil, perdemos a semifinal nos pênaltis (de novo) para o Cruzeiro, que se sagrou o campeão. Mesmo “MilaGrohe” defendendo 3 penalidades, não era a noite do Grêmio, definitivamente. 
E Marcelo ao final do jogo disse: “Queria não ter defendido pênalti algum, mas ter classificado o Grêmio à final. Quem sabe Deus não está nos reservando algo maior mais lá na frente”? Agora já não estávamos sozinhos como os maiores campeões daquele torneio. O Cruzeiro passava a nos fazer companhia no Pentacampeonato. :/

Perdemos uma Copa do Brasil que estava caindo de madura, deitando no colo do Grêmio e isso foi muito frustrante. Tínhamos o melhor time, indiscutivelmente. O melhor futebol do brasil era jogado pelo Grêmio. Nenhum outro clube possuía tamanha desenvoltura em campo. Foi um golpe muito difícil de assimilar. Eu, pelo menos senti muito esta eliminação justamente por estar tão perto o título e ter a consciência da superioridade do time de Renato. O Hexa escapava por entre nossos dedos. 

Lembro que no ano anterior não havia ficado tão ansiosa. Acredito que tenha sido pelo fato de, na época, o Grêmio não ser o favorito ao título. Palmeiras possuía o melhor elenco, melhor futebol. Mas, ainda assim, superamos. Não imaginava que vencêssemos o Atlético Mineiro na final e vencemos mesmo com o time deles sendo recheado de medalhões como Fred e Robinho. 
Enfim, cada jogo é uma emoção diferente e era preciso engolir o choro e voltar ao nosso maior objetivo maior do ano de 2017, que era a Libertadores da América. Nossa verdadeira obsessão.

Estivemos próximos da conquista do brasileirão deste ano, mas por ter de optar entre as competições no decorrer do caminho, abrimos mão em diversos jogos ao escalarmos um time totalmente de reservas. Motivo este de certo jornalista imbecil (que não vou dar ibope citando nome) ter “rogado” praga ao time do Grêmio dizendo que não conquistaríamos NADA em 2017 por termos “desdenhado” do campeonato brasileiro. O que não procede. 

Até onde pudemos, brigamos pelo título. Mas, é bem verdade também que, o Corinthians fez um primeiro turno irretocável, abrindo uma vantagem muito difícil de ser batida em uma competição por pontos corridos. 

Sem mencionar o fato de não poder contar todo o ano com nosso “maestro” Douglas (e principal jogador da conquista do Penta em 2016) por conta de uma grave lesão. Perdemos também meias importantes no decorrer de 2017 como Bolaños e Gata Fernandes que seriam os substitutos imediatos de Douglas. O capitão do Penta, Maicon também se lesionou. Vendemos o Pedro Rocha (titular do time) e com ele, perdemos muito no setor ofensivo da equipe. 

Foi preciso improvisar. Geromel e o próprio Luan estiveram ausentes também por lesões durante várias partidas do brasileirão, assim como em outras decisivas da Copa do Brasil. Era o reflexo do desgaste que se abatia sobre o elenco gremista. Efeito de jogos exaustivos, decisivos e acúmulos de partidas durante o ano todo.

Ainda assim, contra tudo e contra todos, aos trancos e barrancos, conseguimos alcançar nosso maior objetivo. Recuperando um jogador ali outro aqui, repondo peças, substituindo outras, estávamos a apenas dois jogos da tão esperada conquista. 

As datas estavam definidas: 22/11/2017 e 29/11/2017. Cheguei a brincar com amigos que estávamos próximos do Natal, com o ano de 2018 batendo na porta, mas o dia 22 de novembro não chegava nunca, tamanha ansiedade. 

O primeiro jogo seria na Arena e a decisão, tal qual em 2007 na Argentina. Só que desta vez o adversário seria o Lanús, de melhor campanha entre os 4 semifinalistas, o que garantia a decisão em seu estádio. Time que nos dois confrontos anteriores à final havia revertido placar totalmente adverso contra o São Lorenzo (time do Papa) e o River Plate, também da Argentina. Não seria um jogo nada fácil. 

Durante a semana que antecedeu não se falava ou pensava em outra coisa que não fosse sobre o jogo. Uma atmosfera diferente se fazia sentir. Não era medo, era uma sensação estranha difícil de explicar. O planejamento de um ano inteirinho estava por se concretizar. Mas poderia não ser positivo o resultado final, o que colocaria em aberto infinitos questionamentos sobre as prioridades estabelecidas. Teríamos feito a escolha correta quando lá no início elegemos a Libertadores como nosso maior objetivo? Que as palavras de Grohe ao final do jogo contra o Cruzeiro pudessem fazer sentido dali alguns dias.

O tão esperado dia chegou. E a primeira batalha de 180 minutos brilhava diante dos nossos olhos. O céu mal começava a se abrir e o pulsar da festa já se fazia sentir.
No trabalho o dia se arrastava, os ponteiros do relógio definitivamente não se mexiam. Impossível manter a concentração ou falar sobre qualquer coisa que não fosse o jogo daquela noite. 

A partir das 12h já se tornava visível o efeito nas ruas. Eram bandeiras, camisas, buzinas, tudo numa única vibração e sintonia. Era o torcedor a caminho do estádio ou se organizando para o momento do jogo. Quando se fala em futebol, não tem jeito. É imprescindível se falar em emoção, paixão e todo sentimento que transcende qualquer outro significado ou explicações da palavra amor. 

Não existem dicionários ou fronteiras para esse amor incondicional. Apenas se sente. E aquela noite não seria diferente. A Arena iria pulsar em preto e branco, unidos pelo azul. Os minutos passavam lentamente e a euforia tomava conta de cada um. Os nervos já à flor da pele, numa mistura de ansiedade e calmaria, sem explicação. 
A contagem era regressiva para o apito inicial. 

E foi um jogo extremamente difícil. O Grêmio parecia nervoso, com medo de levar gol. Travado em campo. Tão preocupante quanto o desempenho do time no primeiro tempo desta partida tinha sido o cartão amarelo recebido por Kannemann, que o tiraria do jogo de volta.
Já passávamos da metade do segundo tempo e nada do gol tricolor. 

Mas, na casamata havia o mestre da equipe e quis o destino que aquela noite tão complicada e demasiadamente importante fosse decidida num detalhe.
Aos 37 minutos do segundo tempo, após mexidas cirúrgicas de Renato, Cícero faria o gol da vitória com um leve toque de pé esquerdo aproveitando escorada de cabeça de Jael. Através dos seus "cascudos", brilhava uma vez mais a estrela de Renato como técnico, o que nos garantia certa vantagem para o jogo de volta. A arbitragem na Arena foi horrível, muito fraca mesmo. O juiz chileno ainda optou por não marcar um pênalti claro em Jael no último minuto do jogo, o que (se convertido), aumentaria a vantagem para o jogo na Argentina. Agora era torcer para o substituto imediato do Argentino Kannemann, e tão contestado Bressan, desse conta do recado no jogo de volta.  Preparação total para a batalha final do dia 29.

Estávamos então a um empate na Argentina para sermos tricampeões da América. Bastava sair "vivo" de La Fortaleza para conquistarmos com Portaluppi mais um título em 15 meses de comando tricolor. E, com a mão de Renato o Grêmio estava na quinta final de Libertadores da sua história. Ganhou do Peñarol (1983) e do Atlético Nacional (1995) e perdeu para Independiente (1984) e Boca Juniors (2007).

Aquela era a melhor sensação do mundo. E só o futebol permite isso. É o esporte com a maior capacidade de despertar semelhantes emoções em toda sorte de pessoas. Pouco importa a classe social, o futebol move a todos, independentemente de crenças ou etnias. Em todo lugar do planeta o sentimento é o mesmo.

Por Deus, não entendo como a estátua dele ainda não está pronta. A conquista do Penta no ano passado, após 15 anos sem títulos por si só já era digna de uma homenagem de tamanha magnitude. A última final do Grêmio havia sido há 10 anos, quando perdemos para o time de Riquelme. Há 22 anos sem um título Internacional. É muito tempo para um clube feito o Grêmio.

No jogo de volta o atual campeão nacional da Argentina preparou toda a festa, só esqueceu de jogar bola. O Grêmio simplesmente não tomou conhecimento do time do Lanús. Foi para cima como se estivesse jogando na Arena e numa arrancada sensacional de Fernandinho, menos de 20 minutos do início da partida, fazíamos o gol em solo Argentino. 

Era o momento divino de extravasar todos os sentimentos. A Arena com mais de 40.000 gremistas, pulsava na pista e arquibancada da Fanfest. O descontrole era geral. Uma sensação incomparável. E mais uma vez me senti criança. Agarrei ainda mais forte a bandeira junto ao peito e, de joelhos, em lágrimas, beijava minha medalhinha agradecendo tamanho feito. 

Estávamos ainda mais perto do tão sonhado título e o estádio era uma alegria só. Paixão de torcedor realmente não se explica. Aquela vibração que contagia e toma conta da gente. É o olhar para o lado e se comover com o choro e emoção de um bando de marmanjos desconhecidos, é vibrar a cada lance disputado, é entrar no clima, é sentir no peito a sensação de estar dentro de campo como se fosse o 12° jogador. 

O Grêmio passeava em campo e não tardou a brilhar a estrela do menino Luan, num lance maravilhoso ele marcava o segundo gol do Grêmio. Uma pintura de gol, mais belo que as flores. Era um GOLAÇO, digno de uma final de campeonato. Para emoldurar, para ficar marcado na história. Àquela altura o meu sorriso já era de uma criança, estampando no rosto toda alegria e choro durante toda a partida com os olhos encharcados de amor.

Torcida do Lanús em total silêncio, ouvia-se apenas os mais de 5.000 gremistas cantando e sentindo toda felicidade do TRI tão perto. Era o La Fortaleza se pintando de azul, preto e branco. No segundo tempo o Grêmio apenas administrou a partida e o Lanús, por jogar em casa, dava indícios de que queria estragar a festa. Conseguiu um pênalti, mas nada que apagasse tamanha festa que se fazia em solo argentino. 

Era o Grêmio copeiro que estava de volta. Os gritos de tricampeão começam a fazer eco entre as pessoas, sem limites para tamanha emoção e alegria. Fim de jogo e festa nas ruas e a Argentina literalmente estava pintada de azul. É um amor inexplicável, loucura total. 

Fazia-se festa na Arena, na Goethe e no “La Fortaleza”. Em todos os lugares do mundo o céu se pintava nas cores do Tricolor. Que descontrole, que lindo! Comemorações nas ruas numa felicidade completa. O Grêmio sagrava-se TRI CAMPEÃO DA AMÉRICA e estava apto a disputar o MUNDIAL DE CLUBES, em dezembro nos Emirados.

O encantamento pelo futebol nos permite vivenciar tudo isso de uma maneira tão visceral e emocionante. Naquela noite Renato entrava para a história do Grêmio e também da Libertadores! Seria o PRIMEIRO BRASILEIRO a vencer a Copa Libertadores como jogador e também como treinador, se juntando aos argentinos Humberto MaschioRoberto FerreiroJosé Omar PastorizaNery Pumpido e Marcelo Gallardo, além dos uruguaios Luis Cubilla e Juan Mujica. E isto não é pouca coisa não!

Algumas pessoas não entendem a dimensão de toda essa magia que envolve o futebol. Mas nunca foi apenas futebol. É muito mais do que isso. É paixão, emoção, vibração.

E lá fui eu pintar meu cabelo de azul e aqui estou eu escrevendo uma vez mais sobre futebol, uma vez mais sobre Renato – O Cara!

Muito obrigada, Renato Portaluppi. Meu técnico. Meu ídolo. E agora, meu “Rei da América”!

Saudações muito mais Portaluppianas. 💙🇪🇪