terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Não Pare Pra Pensar




"Não Pare Pra Pensar", título que dá nome ao último trabalho da minha banda preferida.
Ainda não ouvi incontáveis vezes para poder, de fato, manifestar minha opinião a respeito. 
Eis abaixo a relação das músicas para quem tiver interesse em ouvir.
Pato Fu, a banda mais criativa do planeta!!! :-)

1. Cego para as Cores
2. Crédito ou Débito (04:25)
3. Ninguém Mexe Com o Diabo (07:51)
4. Não Pare Pra Pensar (11:54)
5. Eu Era Feliz (16:10)
6. Um Dia do Seu Sol (20:01)
7. You Have To Outgrow Rock'n Roll (23:49)
8. Siga Mesmo no Escuro (27:06)
9. Pra Qualquer Bicho (feat. Ritchie) (31:22)
10. Mesmo Que Seja Eu (35:38)
11. Eu Ando Tendo Sorte (39:14)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Um olhar


Não sei dizer o que hoje me desperta interesse em alguém. 
Tive um amor avassalador que me consumiu os instintos, me absorveu por completo com um simples olhar. Depois disso, nada mais. 

Mas, têm olhares que me instigam. E falo de olhares mesmo. 
Daqueles que nos envolvem e perturbam. Olhares discretos, feito os meus. 
Que sorriem disfarçados. E que, ao mesmo tempo, nos hipnotizam. 

Não sei de onde esses olhos vêm. Sei apenas que eles têm poder de conquistar sem qualquer palavra, tão pouco gesto. 
Olhares que despertam entusiasmo, mesmo não tendo nada além disso. 
Apenas essa bifurcação de caminhos em almas que se entregam ao mesmo movimento sutil de um olhar. 

Tempos de WhatsApp


Vou te falar sobre o que não deu certo. 
Entre todas nossas afinidades, éramos infinitamente diferentes, acredita? 
Somos iguais na maneira de pensar mas, muito diferentes no jeito de agir, de demonstrar. 
Você enxerga coisas que não existem, cobra por outras tantas que não disse ou pensei. 
E ignora aquilo que fiz de lembrança. 

Te sou transparente em tudo, inclusive no meu grande amor do passado e você questiona um whats qualquer que não vi e não respondi. 
Porque isso, de verdade, não faz a minha vida melhor. 
Isso não substitui o beijo, a presença. Isso apenas afasta. 

Não há como saber a entonação e tão pouco reação da outra pessoa após uma leitura. 
Só sabemos olho no olho. E você deduz muito e não pergunta nada. 
Isso me distancia, me desencanta por completo. 
Por mais que eu diga, é em vão. Palavras entram e saem sem surtir efeito. 

E, quando nos vimos, já não é mais algo natural. 
Já não somos mais leves. Já não estamos mais em paz com a gente. 
E assim, nos perdemos. Nos afastamos. 
É isso que não deu certo. 

Muita distância física pra tanta conversa escrita. 
Muito desentendimento, interpretação equivocada e discussão boba no virtual. 
O que importa de fato ficou em segundo plano. O contato tem de ser real. 
Nada substitui o beijo, o carinho, o toque, a voz no ouvido. 
É disso que falo. 
E é isso que não deu certo. 
♥ 


WhatsApp: Use com moderação
* O Ministério da Saúde Adverte: WhatsApp em excesso pode ser prejudicial :-)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Cheiros


Sempre fui muito ligada a cheiros. Cheiro de brisa do mar que, com tamanha delicadeza, transporta nossa alma a algum silêncio, a uma paz intensa diante da imensidão das águas. Sensação ímpar este afago que causa no peito.

O cheiro da roupa limpa estendida no varal que, ao sair do quarto, seu perfume parece adoçar e embriagar meus sentidos. Trazendo uma calmaria tão grande, uma suavidade de toque, feito um lençol macio ao se deitar na cama. E nem precisa estar passado (coisa que nunca fiz, mas sei que muita gente tem este costume), basta estar estendido, bem esticado e cheiroso.

Gosto de perfumes que entram na alma da gente ao acaso, muito de repente. O cheiro bom que fica ao cruzarmos com alguém na rua, por exemplo. E nem é preciso que a gente conheça a pessoa pra saber que o perfume já deixou certo encanto pelo caminho. Um bom cheiro tem seu valor, afinal. Às vezes até nos confundem um pouco. Há perfumes tão marcantes que o simples cheiro deles no ar, nos dá a impressão de que alguém que conhecemos está por perto.
E, no entanto, tudo não passa de uma pura coincidência de gosto.
Muito bom gosto, diga-se de passagem.

Sem dúvida o meu cheiro (e sabor) preferido é o de Baunilha, desde sempre. Quem bem me conhece, sabe. E este é com tudo: desde bolos, doces, chás, cafés e sorvetes, como em perfumes, cremes para pele, óleos, velas, incensos e até desodorizadores de ambiente.
Meu olfato e paladar sabem expressar-se com clareza e exigem sempre uma dose de baunilha, sem titubear. Amo mais que chocolate!

Cheirinho da chuva, aliado ao barulhinho bom que vem com ela, indiscutivelmente, não tem igual. Parece sempre nos remeter à infância, às lembranças de banho de chuva e pés descalços.
É provável que esteja aí o que me desperta tanto entusiasmo por tempestades. Uma sensação muito nítida de liberdade, de andar sem pressa e sem hora, num contato direto que nos convida sempre a sorrir junto.

Há o cheiro do cloro que me fascina também. Calma, eu explico.
Este é específico. Apenas quando chego para nadar. O cheiro que me entorpece de imediato, no momento em que subo a rampa para entrar na natação. É a mistura do cloro com o ambiente da piscina, em contato com a água, dando aos meus sentidos um misto de leveza e alegria.
Acredito que, sendo eu tão chata com cheiros, se não gostasse desta hipnótica essência, talvez não amasse tanto nadar.

Por fim, vamos ao que deu origem a este texto. O cheiro do café.
Aquele recém passado, fresquinho. Acredito que de fato, ame muito mais que o próprio sabor do café. O cheiro do café passado na hora, tem um que de qualquer coisa avassaladora, pelo menos em mim. Porque mesmo que não esteja afim de café naquele momento, acabo tomando por conta do cheiro que, definitivamente, instiga.
Impressionante! É quase um convite, um sorriso meu que se expande.
É claro que irão dizer: mas é só não passar café que não sente o cheiro e nem vontade de tomar. E eu vou responder que quando se mora em condomínio, o simples fato de você levantar da cama, já se tem grandes chances de seu olfato ser alvo, por conta dos vizinhos.
Têm dias em que, literalmente, acordo pelo cheiro do café fresquinho. Sem nem precisar da voz metálica da vizinha feito um despertador, ao pegar seu carro em frente à janela do meu quarto. O cheirinho do café recém feitinho desperta-me bem antes. Uma verdadeira delícia, eu diria. Dentre as delicadezas todas da minha vida, o cheirinho do café é um combustível e tanto ao meu sorriso mais amoroso.
Melhor seria somente se acordada com um delicioso café na cama, né?

sábado, 10 de janeiro de 2015

Hei!!


Hei, chega mais perto. Me conta dos teus dias, por onde andou este tempo todo. Me mostra os lugares que te doeram até aqui, o que carrega na alma, as partes que ainda te doem. Vamos encarar as lições, nos desapegar das resistências. Entender que podemos ser sensíveis à alegria e à dor e, ainda assim, sorrir para o mundo. Me explica de onde vem essa sensação de nossos encontros serem sempre tão desencontrados. Vamos acender nosso entendimento, resgatar a magia. Vou te contar o que realmente me encanta e te adoçar a vida com beijos. 

Hei, vem pra cá. Me diz o que te bagunça, te tira o fôlego, o tino, a paz. O que te faz ter tão pouco cuidado com teu coração. Encosta tua cabeça no meu peito e coloca tuas certezas todas em dúvida. Vou te contar dos meus dias, dos meus medos e segredos. Dizer que também andei com o coração marejado, me desfazendo de algumas raspas de amizade por aí. Que perambulei por territórios feridos em busca de poesia e tô aqui, depois de tanto doer. Deixa que eu te roube um beijo e te arranque sorrisos. 

Hei, vem aqui mais juntinho de mim. Vamos marcar um encontro com a gentileza. Cola teu coração no meu e deixa que nossas almas conversem em sonhos. Vem acender minha alegria, me falar dos teus sentimentos mais intensos e colorir minha vida. Me mostra tua alma na linha de frente e me ensina a sorrir com o rosto inteiro, de olhar terno e gentil. 

Hei, foge não. Quando o afeto é grande, cabeça e coração não podem ser conflitantes. Basta diminuir o volume, apagar as despedidas e permitir que a tal borboleta aconteça. Podemos errar e consertar os erros sem sentimento de culpa e sermos somente amor, deleite para o coração. Vamos preservar a alegria e deixar nossos olhos se tocarem em silêncio, num contato de alma. 

Hei, não tenha medo. A vida sempre nos abre novas portas e janelas. Tudo pode ser mais leve agora, mais perto e suave de vez. Com o sorriso dos meus melhores, vou te dizer tudo que canta neste instante em meu coração. Vamos partilhar esse afeto, nosso carinho e tudo mais que nos abraça. E fazer despertar a felicidade mais profunda em jardins carregados de sonhos e flores. 

Hei, vem me roubar o sossego e desfibrilar o meu peito. Chega pra ser a prece que repito toda noite, minha tão delicada caixinha de lápis de cor. Me diz de onde vem essa certeza de que, de algum jeito, nossas vidas estarão sempre próximas, com todos os riscos que nos encantam. Te dou meu gesto mais doce e a poesia mais bonita, em troca do brilho bom que teus olhos dizem. 

Hei, vem me ensinar teu jeito de amar. Me explica toda essa familiaridade de teus olhos em mim e o encanto deste teu coração tão bonito. Senta aqui do meu lado e vem sorrir comigo, sem perder tempo em fantasias de sorte. Vem se deliciar com a vida, me envolver em tua alma. Prometo te amar bem baixinho, mas sem restrições. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Encomendas diárias de amor


Um dia te conto dos sonhos que tive. 
Que eles se deram em sequência, contínuos durante uma semana. 
Eram feito encomendas diárias de amor. 

Numa tarde ensolarada de domingo, me roubaram sorrisos sinceros e eu, como boa canceriana que sou, andava de braços dados com a Lua, carregando uma infinita felicidade na alma.
Entre milhares de pessoas, escolhia justamente você, com todos seus trejeitos e defeitos.

Na segunda chovia muito e meus pensamentos dormiram e acordaram com a mesma intensidade incontáveis vezes. Tal qual os parênteses que abrimos e não fechamos nenhum. 

A terça-feira passei ouvindo músicas que há anos não faziam mais parte da trilha sonora da minha vida. Me peguei revendo filmes antigos que tiravam nós da garganta. 

A quarta veio curiosamente fria. À noite abri a janela para contemplar a linda Lua cheia e me senti ainda mais agora, um bocado ainda mais intensa mas, com um sorriso pela metade, tímido. Faltava uma certa dose de desassossego. Já passava das 21h e então a campainha toca por três vezes. Ao abrir a porta, dou de cara com você e todas suas vírgulas e reticências daquele mesmo olhar terno de quem deixa bilhetinhos em xícaras. O frio na barriga ainda seria o mesmo e, apesar das nossas fissuras e desencantos, sem palavra alguma, nos envolvemos num longo e apertado abraço. De lágrimas e desabafo mútuo. 

A quinta foi de muita harmonia nos afetos e sentimentos um tanto quanto convulcionados.
Os acontecimentos da alma apenas se justificam diante dos nossos gestos. 
Não há erro algum nas nossas escolhas. 
Presença e importância não se impõem em nossos sonhos, simplesmente acontecem.

A sexta custou a chegar e veio cinza, como quem brinca de adivinhar sorrisos. Medo e alegria se entrelaçaram por toda tarde. E poderia também ter sido uma tarde doce. Mesmo naqueles piores dias, nublados e tristes, ainda sim seria você a desenhar amores em minha alma.

No sábado saí de casa com a nítida sensação de quem perde todos seus documentos. 
Sem projeções, interrogações ou expectativas, mas com o coração escrito em prosa, verso e algumas poesias. 
Minha alma carregava uma culpa imensa, mesmo sabendo-se inocente. 
Você não fazia por mal. Mas fez.

Escorreguei no seu sorriso, me perdi no seu beijo doce e o amor foi franco e espontâneo.
Éramos duas partes indescritivelmente distintas, sabíamos bem. Água e vinho. Razão e coração. E você ficou na semana, na medida certa. Até a gente se perder de vez.

Um dia te conto mais sobre este e outros sonhos. 
Afinal, sabemos que é possível navegarmos nas contradições da nossa alma sem entrar em conflito constante e ainda resistir à tentação de julgá-la pelas escolhas.

E começa a viver


"Toda pessoa passa por dois momentos fundamentais na vida: o instante em que nasce e aquele em que se da conta disso. E pode até ser que, em alguns casos, esse intervalo demore bastante, mas, uma hora, acontece. 

E é aí que você se reconhece enquanto indivíduo. Quando entende quem é você e o porquê de ser exatamente assim. E aí, compreende a sutil diferença entre egoísmo e amor próprio. 
E passa a viver mais para si e menos para os outros. E para de se importar com o que não importa.

E entende que é você quem terá que conviver com as consequências dos seus atos. E começa a pensar com a sua cabeça. E então, para de viver para agradar, de sempre tentar realizar desejos alheios e de se importar com o que as outras pessoas vão pensar.

Percebe, também, que qualquer pessoa tem o direito de sair da sua vida quando bem entender, que na maioria das vezes você não pode evitar que isso aconteça e que, a sua jornada, será com aqueles que escolherem permanecer. Neste momento, você aprende que a reciprocidade é a bússola da felicidade. E coloca o seu bem estar como meta. E deixa de ser um alvo fácil para a tristeza. 

E decide tirar aqueles velhos planos da gaveta. E perde o medo de arriscar. E entende o que realmente mata a sua fome. E para de se contentar só com migalhas. E para de se boicotar.
E põe um ponto final nas mazelas do passado. E se liberta. E aprende a sorrir. E volta a respirar. E começa a viver." 

Rafael Magalhães