terça-feira, 17 de março de 2015

Música na alma


O Avesso dos Ponteiros é uma das músicas de Ana Carolina que mais me vêm à mente nos momentos em que preciso de um pouco de paz. 
É quando busco um pouco de silêncio aqui por dentro. Paro tudo e me pego repensando um pouco a vida. Questionando uma infinidade de coisas. 

Por vezes queria que meu coração fosse feito de gelo. Que não sentisse tanto e tão pouco necessitasse de atenção, carinho e cuidado. Que não pedisse colo ou uma breve pausa para um soluço quando a garganta embarga. 

Em muitos momentos queria que meu peito fosse blindado, como quem se protege do frio. Para camuflar qualquer dor que possa surgir pelo caminho, para fingir que nada machuca ou bagunça por lá. Que está tudo na mais perfeita ordem. Que não existem medos, dúvidas ou saudades do lado de fora. 

Mas, infelizmente não é possível revestir aquele que tantas vezes bate tão descompassado. 
Não, eu não sou tão forte quanto alimento. Às vezes sofro quieta na minha concha. 
Busco o refúgio do silêncio para não incomodar ninguém com o barulhinho que faz aqui do lado de dentro. 

Dias em que retomo meu olhar mais atento. Do tipo que entende e acolhe tudo o que se esconde e se embaralha bem fundo na alma da gente. 
Neste meu turbilhão de emoções onde lembranças e pensamentos insistentemente se confundem.

Efeitos de um coração que trabalha mais do que o normal. E é preciso dar uma pausa para arrumar a casa de vez em quando. Reorganizar e modificar a história toda se preciso.E música sempre acalma e dá suavidade às infinitas constelações do meu coração. Que bom!  \o/ \o/

Indo direto ao ponto


Sempre fui muito transparente em tudo que sinto. 
Se gosto de alguém ou não, percebe-se de imediato. Não faço rodeios, vou direto ao ponto. Demonstro.
Da mesma forma, "mimimi" demais ou bajulação em excesso, não fazem minha cabeça. Não gosto, não faço e detesto que façam comigo. 
Em situações como esta, minha reação é automática e espontânea: simplesmente me afasto. 
Quem me conhece de fato, sabe muito bem como funciona. Muitas vezes chego a ser dos extremos. Se gosto, AMO. Se desgosto, evito. 

Não sou perfeita, muito pelo contrário, sou coberta de defeitos. Mas, acredito muito no livre arbítrio. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e muito menos participar de encontros ou qualquer coisa que definitivamente não queira. Cada um tem de seguir a sua vontade apenas. E ela deve ser livre. É a sua escolha e ninguém tem nada a ver com isso. 

Outra coisa que faço questão de manter distância é de pessoa invasiva. Sabe aquela que a todo instante quer contato, saber da tua vida ou tenta de todas as formas te cercar, e através de alguns gostos teus, procura te agradar, tentando se tornar íntima? E mais do que isso: impõe a presença e não se dá conta que está sendo inconveniente ou imensamente chata e repetitiva? Pois é... Me cansa, me dá preguiça. 
Porque elas não têm o famoso "se mancol" e insistem em puxar assunto ou te agradar quando você demonstra exatamente o oposto. 

Não suporto me sentir invadida e, quando isso acontece, inevitavelmente recuo. 
Nestas horas, não sou nem um pouco querida ou doce. E nem faço questão de ser. Também não me incomodo nem um pouco se posso ou não vir a decepcionar alguém. 
Sempre optei pelas coisas bem às claras e nunca tive pretensão alguma de estar certa. 
Apenas de ser eu. Discreta e absurdamente direta. Gostem ou não.

A Letra das pessoas


Coisas que a gente não conhece mais...

#ALetradasPessoas
#MinhaLetra
#Guardanapo
#LetraEspelhada

Um café e um amor...


Um café e um amor… Quentes, por favor!
Sem excessos de doçura ou amargura.
Forte
Doce…
Que ambos façam meu coração acelerar.
… Que me mantenham vivo.

Um café e um amor… Quentes, por favor!
E que de nenhum deles eu sofra de vício,
Mas que de ambos,
Eu possa me dar ao luxo do hábito.

Um café e um amor… Quentes por favor!
Pra ter calma nos dias frios.
Pra dar colo
Quando as coisas estiverem por um fio.

E que eles nunca tenham gosto de ontem
Nem anseiem pelo amanhã
Que me façam feliz nesse agora,
Que me abracem pela manhã.

Amargos, suaves
Intensos, sutis
Saborosos!
E quentes.

Um café e um amor… Quentes por favor!

Caio Fernando Abreu

Veterinária


Pouco depois de encerrar meu ciclo na Rede Vip, a fim de desopilar a mente, resolvi fazer um curso de Auxiliar Veterinário. Um tanto para aliviar a cabeça após os últimos meses estressantes, mas também para alimentar um pedaço meu guardado há bastante tempo. Tempo em que sonhava cursar Medicina Veterinária. Aí soube do curso e resolvi ver se levava jeito para a coisa. Se me despertaria interesse em outra faculdade. Aquela que pudesse me trazer a real felicidade profissional. Enfim, querendo quem sabe transformar um pouco da minha teimosia em uma pontinha de esperança. Então fui.


O mês todo de novembro foi de aulas teóricas e também práticas, com duas veterinárias como professoras. E, posteriormente, viriam outras 160 horas de estágio não remunerado em clínica, com acompanhamento direto e avaliação do veterinário responsável.
O período do curso foi ótimo. Muita aprendizagem das doenças mais comuns em cães e gatos. Os cuidados básicos que são úteis no dia a dia com os nossos bichos. No conhecimento para diagnosticar possível início de alguma virose ou infecção. Em saber preparar e aplicar medicação oral ou subcutânea se preciso for. E outras tantas informações que tivemos ao longo do curso. Fomos avaliados com provas teóricas e também práticas.

O estágio já começou um pouco diferente. A avaliação era diária. Havia em mim um misto de ansiedade e receio. Sabia que lidaria na maioria das vezes com a fragilidade e vulnerabilidade dos bichinhos.

Era o dia a dia com situações de cão ou gato com problema de descamação da pele, fraturas e lesões diversas. Bichos com infecções, vomitando ou sangrando, por vezes indo direto para a sutura ou cirurgia. Claro que também havia casos mais tranqüilos como uma simples vacina em um filhote ou a aplicação de um analgésico qualquer, mas a maioria das vezes era dias de lidar com bichinhos maltratados, doentes, definhando por alguma bactéria ou por terem sido abandonados à própria sorte, infestados de pulgas e carrapatos. De dar dó, capaz de embaçar um pouco o brilho dos nossos olhos. Mas a gente lá, ajudando, participando de alguma maneira da melhora deles. Do recomeço de alguns. E isto sim é extremamente gratificante e recompensador. 

Final do mês encerra-se esta etapa. Já estou certa de que não é a área que desejo para a minha vida, afinal não há como mudar certas raízes de lugar. Serviu de muito aprendizado e vou levar meus conhecimentos para os meus filhotes e para a vida. Foi ótimo todo o curso e está sendo também o estágio, mas desde sempre tenho o "cheiro" como algo muito importante. O cheiro é minha essência, é parte da minha memória. E, nesta área existem aqueles peculiares que realmente me repulsam, me dão ânsia. Sempre tive esta sensação em relação à ambiente hospitalar, por exemplo. Nunca gostei. Sinto-me como se não conseguisse respirar direito dentro de um hospital. Como se o ar faltasse de repente ou se fosse completamente diferente. E na verdade é.

O cheiro de um hospital não é como o da casa da gente. Em clínica veterinária não é muito diferente, apesar de que o ambiente em si é bastante diverso. E isso me dá tranqüilidade no dia a dia do período do estágio. 

Mas, o cheiro realmente me domina e explica o que sou. E existem doenças específicas em cães e gatos que possuem um cheiro bastante característico. E são doenças de pele bem comuns, inclusive. E, definitivamente, com estas não sei lidar de forma alguma. O cheiro (para mim) é absurdamente forte. Não há como ignorar ou fingir que não sinto quase nada. Tão pouco é possível prender a respiração em situações como esta, pois para o tratamento, há que se fazer uma limpeza profunda no local da lesão no animal e isto sempre demanda tempo. Não me importo com cheiro forte de fezes, diarréia ou vômitos dos bichinhos, mas com as famosas "bicheiras", sou péssima.

Lembro do primeiro dia que me deparei com este tipo de doença. Na noite anterior havia em mim uma vontade imensa de entender e estudar os casos ocorridos até aquele dia. Na tarde do dia seguinte, ao me deparar com uma situação desta, não havia mais vontade alguma de compreensão sobre nada. Apenas a certeza de que ali não estava meu futuro. Aquela profissão não seria para a pessoa aqui.

Fabrício Carpinejar certa vez escreveu que "Humildade depende de dupla audácia, primeiro se descobrir, depois se aceitar", então aceito que entendi que, apesar de amar muito, esta área da Veterinária não é para mim. 

Talvez Biologia Marinha, quem sabe? De repente explique meu fascínio por água e tartarugas. ;-)
Enquanto isso, vamos à luta... Vamos tentando.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Um novo amor

Neste último sábado, a Globo exibiu no Supercine o filme cuja tradução para o português é o título deste post. Realmente SENSACIONAL!! ♥ 
Daqueles que te prendem em frente à televisão sem nem mesmo ter coragem de levantar para ir ao banheiro ou pegar um copo de água. Divertidíssimo e emocionante também. 
Foi uma grata surpresa para um sábado à noite. 

O filme todo passa-se em um único dia. George e Edith (vividos por Andy Garcia e Vera Farmiga) se conhecem no campus da Universidade em que levam seus respectivos filhos para um Tour. 
Se perdem de todos e acabam compartilhando este dia juntos.  :) 

"Porque eu não quero que o nosso dia acabe" 

Esta frase é dita por George, personagem de Andy Garcia, em determinado momento da trama. Reforçando apenas aquilo que tantas vezes vivenciamos. O medo de se perder o par e toda a alegria ainda não vivida. Tudo isso que reforça tamanha entrega de ambos ao dia perfeito e inesquecível. 

É um filme envolvente, que nos convida a acompanhar tudo mais de perto, como parte dele. Muito engraçada esta sensação de ficarmos na torcida para que eles se entendam. Pedindo baixinho para que aquele dia tão espetacular e especial não termine e o calendário encerre ali mesmo.É instigante quando ambos se dão conta da sintonia que de imediato eles têm um pelo outro. Verdadeiro encontro de almas. 

A verdade é que antes deste dia, cada um tinha sua vida. Ambos casados e com filhos. Algo que não se pode mudar do dia para a noite. Porque entre os quereres que todos têm na vida e também os deveres que, igualmente carregamos, há uma longa e intensa cadeia de decisões e escolhas a serem feitas. 

Portanto, contrariando todas as expectativas, eles não ficam juntos.

A gente se comove intensamente com a tristeza de ambos na despedida. Que voltam silenciosos para a realidade e rotina de suas vidas, carregando nos olhos todo disfarce da dor. 
Então suspiramos devagar e engolimos o choro. Porque o filme nos dá a realidade dos fatos. Mostra-nos a beleza das inflexões sem nos deixar esquecer de que a vida não é um conto de fadas. A vida é o agora. E eles vivem isso enquanto há tempo. Antes que o dia acabe. 
Talvez esteja aí o grande segredo de tão envolvente filme e o que o torne tão interessante e encantador.  
♥ 


"Amar é não decidir. Decidir é terminar sempre. Quando se ama alguém, ama-se a vida inteira daquela pessoa. Inclusive o que não se viveu" 
Fabrício Carpinejar 

quinta-feira, 5 de março de 2015

(Re) Começar

Então você optou por seguir em frente e virar a página. Desistir sempre nos deixa a impressão de que algo fica para trás. Mas havia uma escolha a ser feita. E você foi. Viajou quilômetros. Conheceu alguém de fora, cuja fisionomia e alguns traços eram bastante familiares ao seu coração. Traços estes que, com o tempo, lhe fizeram perceber que não eram simples coincidências. Era seu coração fazendo a escolha pelas razões mais óbvias possíveis. E não hesitou em arriscar viver algo novo, com alguém diferente, mas que se encaixasse no seu círculo de amizades sem maiores complicações. Afinal, queria uma dose de paz em sua vida. E grande parte de seus amigos davam força para isso. Você só buscava se permitir viver e ser feliz de fato. Precisava tão somente ser.

E a felicidade se fez presente. Você, que sempre se exigiu estar vivendo de algum tipo de encantamento, estava de repente com o peito em constante alívio. Sem crises à volta, sem interferências, nem brigas desnecessárias. E sua alma saía de casa para sorrir outra vez. Tudo conspirava a favor e a peça principal daquele velho quebra-cabeças, que tantas vezes andou perdido pelo caminho, se encaixava perfeitamente. Apesar de saber que, durante certo tempo, este alívio ocuparia o lugar da real verdade, se sentia feliz. Encontrava nesta paixão a paz interior e a conexão mais próxima de seu equilíbrio emocional.

Pouco mais de um ano se passou e, como num "clic", de repente você se viu se acomodando outra vez. Seu olhar já andava diferente, mais distante. Não havia mais o brilho nos olhos, tão pouco o entusiasmo de outrora. Sentia muita diferença entre o profundo e o raso dos sentimentos de seu coração, confuso uma vez mais. Carregava peso no peito e sua vida seguia em um ritmo de "mais ou menos" ou "tanto faz". E a vida é muito curta para que se viva duas vezes o mesmo dia. Sabia que havia tentado para que tudo fosse perfeito, mas sabia também que as tais "borboletas no estômago" jamais acompanharam esta relação. Imaginou que a cada nova viagem, talvez voltasse a se apaixonar toda vez que se encontrassem. E o amor verdadeiro com o tempo acontecesse de fato. Mas não existiam os badalos de sinos. Tudo era rotina e zona de conforto outra vez. E aqueles quilômetros passariam então a ficar um pouco cansativos e também desgastantes.

Talvez estivesse vivendo no melhor lugar no momento errado. Porque durante todo o tempo esteve com o coração tranqüilo, sem muito do que reclamar. Mas faltava algo. Aquele sentimento de arder por dentro, das pernas bambas. A sensação de que tudo dentro do peito virava um longo mergulho. A alegria imensa com um simples telefonema ou uma mensagem de carinho. A ansiedade a cada encontro que parecia ser sempre o primeiro, daquele frio na barriga. Coisas que passava então a se dar conta de que inexistia nesta paixão. E sentiu um misto de dúvidas e também saudades. Queria voltar a sentir o gostoso arrepio inteiro da alma diante de um olhar doce e um sorriso de lírios.

Àquela altura já não se sentia mais tão feliz. Lembranças de um passado voltavam a se fazer presentes em seus pensamentos. Havia muita incerteza e infinitas perguntas carregadas de saudade a sua volta. A verdade é que não há como se planejar a felicidade plena. E você sabia que era preciso muito mais improviso e disposição para ir além. E, por mais carinho que tivesse pela sua relação atual e por tudo de bom que ela havia agregado aos seus dias, sabia que algo muito importante estava escondido em seus olhos. Algo forte e invisível feito o vento e toda sua vontade tão bonita de voltar a sentir o amor com toda a liberdade que lhe cabe.

Na vida nos apaixonamos infinitas vezes e, portanto, corremos também o risco de sermos absurdamente cruéis conosco e com os outros em função desta tentativa do amor ou daquele sentimento todo que julgamos ser o mais próximo disto. Esperamos sempre encontrar alguém que nos transmita confiança e que, principalmente, não desista da gente. Por vezes empurramos relações para frente com a intenção de que o amor aconteça, mas também pelo receio e medo de ter de começar tudo de novo, recomeçar do zero. Nem sempre é possível, mas continuamos buscando aquilo que nos desperta o brilho intenso da alma, o olhar terno que hipnotiza e incendeia o peito, o que fagulha o corpo inteiro num simples toque, feito o estrondo de um trovão sem raios. Porque queremos mais. Queremos sentir outra vez o amor de verdade. Queremos também mais tempo. Muito mais tempo livre. Tempo de sobra para amar e sermos amados. E amar junto. E amar direito.

Então você optou por seguir em frente e virar a página. Desistir sempre nos deixa a impressão de que algo fica para trás. Mas havia uma escolha a ser feita. E você foi. Foi atrás daquele sentimento já vivido, já sentido anteriomente. Recomeçando uma vez mais.