quinta-feira, 30 de abril de 2015

Glória na Flor

 Glory in the flower - Glória na Flor

What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight
Though nothing can bring back the hour
Of splendor in the grass, of glory in the flower
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind
In the primal sympathy
Which having been must ever be
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.
 
 

(tradução)
Que embora o brilho que já foi tão claro
Seja agora de minha vista levado
Embora nada possa trazer de volta a hora
Do esplendor na grama, da glória na flor
Não lamentaremos, mas sim encontraremos
Força no que ficou para trás
Na simpatia primal
Que tendo sido, sempre serão
Os relaxantes pensamentos que brotam
Fora do sofrimento humano
Na fé que olha através da morte,
Nos anos que trazem o espírito filosófico.
 
William Wordsworth (1770-1850)


24 meses se passaram...De lá pra cá muita coisa mudou, outras tantas rastejando em vogais, perderam-se pelo caminho.
Dois anos pra entender um bocado sobre a importância de sermos eternos resilientes e, mesmo quando tudo parecer ser muito cansativo, ainda encontrar forças para dar a volta por cima. Porque é preciso.
24 meses para aprender a necessidade de nos ouvirmos muito mais e não fugirmos diante de certo desânimo ou sentimento de impotência.
Dois anos aceitando o gesto de atender ao peito quando este aperta de saudades. É quando não me culpo por chorar em respeito a mim mesma. Um pranto egoísta, é verdade. Porque é tão somente por mim, por lembrar que não o tenho mais aqui perto, presente. Que não mais o vejo.

Mas, sonhando ainda tenho a chance de encontrá-lo.
24 meses viajando para longe para me permitir anestesiar esse coração por vezes tão desencontrado. Porque há momentos em que o conselho que damos pro outro pode servir pra gente também.
Dois anos e, aos poucos organizando minhas incertezas, descobrindo que, apesar de todo tipo de medo ou tristeza, meu caminho permanece florido e aquela estrela brilhando de onde estiver.


"Amigo vivo é rua, amigo morto é estrela"


#24meses
#MaisUm30
#Saudades ♥



Turma da Jogatina

 
Tempos atrás ouvi que a gente é que nem roda, só se equilibra em movimento. E foi pensando nisso que num sábado desses resolvi aceitar o convite do Beto para uma jogatina em seu apartamento. Era hora de colocar a cara para fora, reencontrar amigos de longa data, matar as saudades...
Movimentar-se, afinal.
Beto, Renan, Dada, Juki e Julie... e lá se vai mais de uma década de amizade.

Uma noite deliciosa de carteado, afagos, risadas e muita diversão.
Às vezes é preciso aparar as arestas, lapidar algumas defesas nossas, deixar que a chuva nos inunde a alma para recuperarmos nosso equilíbrio. Aquele sinalzinho que vem nos dizer de que a Vida quer nos acariciar, nos ouvir e nos dar o colo que necessitamos. Coisas que não raro, levamos certo tempo para enxergar. ;-)
Noite tão perfeita que me permiti a tudo isso e nem senti o tempo passar. Já era dia quando cheguei em casa, de alma e coração leves.
Coisa bem boa!! :)


"Não importa o tempo, o minuto que passa. Mas, o minuto que vem"
Machado de Assis
 
 

Televisão

Não tenho o hábito de assistir televisão, exceto quando sei de alguma programação especial como jogo de futebol (do Grêmio, claro!), algum filme bom ou a Diva Torloni na tela (como é o caso atualmente na novela Alto Astral, das 19h30). Entretanto, em outras situações, geralmente a televisão permanece desligada aqui em casa. Têm dias que sequer ligo, nem mesmo para ver a Diva. Simplesmente ignoro a presença do aparelho em questão.

A programação da televisão anda tão forte e massacrante que, ultimamente prefiro evitá-la. A gente se rende quase que diariamente a tudo isso. E, por vezes somos obrigados a aceitar e encarar toda essa avalanche de informações de corrupção, operação lava jato, manifestação de todo tipo pelo País e outras tantas notícias de cunho político. Tragédias de temporais devastando casas, inundando cidades inteiras, falta de água em diversos bairros em grandes metrópoles, até tráfico de drogas através de trocas de malas em aeroportos já existe, sem falar nos costumeiros desastres aéreos que chegam através da tela em nossa casa, em nossa vida por letras garrafais.

É mais uma aeronave que cai em algum lugar de um País vitimando muitas pessoas. Uma tremenda brutalidade pelo choque, pela queda e também pela quantidade de gente envolvida. O mundo evoluindo tanto tecnologicamente, tão à frente em algumas coisas, mas ao mesmo tempo, extremamente vulnerável para assuntos desta dimensão. Por que continuam caindo aeronaves? É quase uma notícia que esperamos a qualquer momento no noticiário. Seja por descuido, por falha humana, manutenção ou terrorismo. Já não é mais novidade alguma. Está cada vez mais se tornando parte do nosso dia a dia.

E no dia seguinte, ao ler sobre os fatos da queda do avião, a gente se choca novamente pela mesma notícia porque descobre que a aeronave não caiu. Não foi um acidente em si e sim um atentado suicida, uma coisa totalmente absurda. Um louco pilotando um avião que resolve por fim à sua vida, levando junto com ele, outras tantas pessoas inocentes, que nada tem a ver com seus problemas, com sua pouca fé na vida.
Aí menos de uma semana depois, é um helicóptero que cai, onde também todos os ocupantes morrem. Desta vez é aqui no Brasil e, enquanto noticiam que há entre os passageiros o filho de um governador, ocorre um tiroteio em uma favela do Rj. E um menino de dez anos é atingido e morto por uma bala perdida. Ora... ora... Bala perdida... Não né? Fosse perdida não achava o menino.

Eis mais uma tragédia por descuido, falha humana, despreparo que entra na vida da gente pela televisão. Por vezes, a sensação que tenho é de que, se chovesse dentro de nossas casas a cada notícia na televisão, haveria um líquido a escorrer pela tela e ele seria cor de sangue, tamanha violência que atravessa nosso lar todos os dias através de um noticiário ou uma chamada de urgência na TV.

Coisas que nos fazem pensar que tanto faz, que um domingo lindo ou uma segunda-feira chuvosa, não possuem qualquer diferença. A tragédia vai invadir o seu dia, a sua casa de qualquer maneira. E olha que nem mencionei aqui os últimos acontecimentos em Salvador ou Nepal onde milhares de pessoas dependem hoje da solidariedade humana para sobreviver.

Cada vez mais, quando estou em casa, abro mão de ligar a televisão e procuro por qualquer outra forma de entretenimento. Acho que, definitivamente, não sei lidar com sofrimento. Descobri uma vez mais que desistir, por vezes, nos mostra uma outra parte da nossa força também. Porque têm coisas que não dependem da gente ou de nossa condução. E aprendemos a aceitar isso de uma forma mais suave, não permitindo que as duras verdades nos atinjam diretamente ou nos machuquem. Afinal, se não quiser ver o gênio, não esfregue a lâmpada - dizem.

De novembro pra cá, tenho feito muito isso. Além de ter me retirado de muitas redes sociais, ando optando bem mais pela leitura para respirar, para fugir daquilo que me invade tão negativamente. Seja por motivo de estudos que tenho tido, auxílios a textos ou como forma de lazer mesmo, aquele exercício da mente para acalentar a alma com coisas mais amenas. Aliás, de lá pra cá, já li 23 livros, entre eles nove releituras. Coisa que há tempos não me dedicava tanto. A tal leitura. E ela sempre muito bem acompanhada por uma música de fundo, claro! :)

 ♥

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Dança


Não jogue fora o seu amor
Cheio de vagas lembranças
Não desperdice o coração
Que essa vida insensível cansa
Não brigue por qualquer bobagem
E aprenda a cair na dança

A vida é curta para ser pequena
A alma é longa, bela e serena
A trilha as vezes é triste
Mas só para lembrar que a tristeza existe

E quando lhe faltar a paciência
Invente um novo passo
Mas não deixe desatar o laço
Vire o disco, mude a letra
E nunca perca a esperança
E nunca deixe de dançar a dança

A vida é curta para ser pequena
A alma é longa, bela e serena
Se assim parece, então, quem sabe apenas
É só para lembrar que a tristeza existe

E quando lhe faltar a paciência
Invente um novo passo
Mas não deixe desatar o laço
Vire o disco, mude a letra
E nunca perca a esperança
E nunca deixe de dançar a dança

Nunca deixe de dançar a dança
Não jogue fora o seu amor
(Playmobille)


*** Uma das belíssimas canções da trilha da "fofa" novela das 18h30 - Sete Vidas :)
Aliás, uma grata surpresa conhecer o trabalho desta banda chamada Playmobille. Me lembrou muito os velhos e bons tempos de Los Hermanos. Vale muito à pena dar uma conferida em outras belas canções deles como "Linda Rosa", "A próxima vez", "Pipoca", entre outras. ;-)  

segunda-feira, 30 de março de 2015

Saber viver


"Não sei... Se a vida é curta 
Ou longa demais pra nós, 
Mas sei que nada do que vivemos 
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. 

Muitas vezes basta ser: 
Colo que acolhe, 
Braço que envolve, 
Palavra que conforta, 
Silêncio que respeita, 
Alegria que contagia, 
Lágrima que corre, 
Olhar que acaricia, 
Desejo que sacia, 
Amor que promove. 

E isso não é coisa de outro mundo, 
É o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela 
Não seja nem curta, 
Nem longa demais, 
Mas que seja intensa, 
Verdadeira, pura... 
Enquanto durar" 
(Cora Coralina) 

#23Meses 
#Saudades ♥ 
#MaisUm30

terça-feira, 17 de março de 2015

Música na alma


O Avesso dos Ponteiros é uma das músicas de Ana Carolina que mais me vêm à mente nos momentos em que preciso de um pouco de paz. 
É quando busco um pouco de silêncio aqui por dentro. Paro tudo e me pego repensando um pouco a vida. Questionando uma infinidade de coisas. 

Por vezes queria que meu coração fosse feito de gelo. Que não sentisse tanto e tão pouco necessitasse de atenção, carinho e cuidado. Que não pedisse colo ou uma breve pausa para um soluço quando a garganta embarga. 

Em muitos momentos queria que meu peito fosse blindado, como quem se protege do frio. Para camuflar qualquer dor que possa surgir pelo caminho, para fingir que nada machuca ou bagunça por lá. Que está tudo na mais perfeita ordem. Que não existem medos, dúvidas ou saudades do lado de fora. 

Mas, infelizmente não é possível revestir aquele que tantas vezes bate tão descompassado. 
Não, eu não sou tão forte quanto alimento. Às vezes sofro quieta na minha concha. 
Busco o refúgio do silêncio para não incomodar ninguém com o barulhinho que faz aqui do lado de dentro. 

Dias em que retomo meu olhar mais atento. Do tipo que entende e acolhe tudo o que se esconde e se embaralha bem fundo na alma da gente. 
Neste meu turbilhão de emoções onde lembranças e pensamentos insistentemente se confundem.

Efeitos de um coração que trabalha mais do que o normal. E é preciso dar uma pausa para arrumar a casa de vez em quando. Reorganizar e modificar a história toda se preciso. E música sempre acalma e dá suavidade às infinitas constelações do meu coração. Que bom!  \o/ \o/

Indo direto ao ponto


Sempre fui muito transparente em tudo que sinto. 
Se gosto de alguém ou não, percebe-se de imediato. Não faço rodeios, vou direto ao ponto. Demonstro.
Da mesma forma, "mimimi" demais ou bajulação em excesso, não fazem minha cabeça. Não gosto, não faço e detesto que façam comigo. 
Em situações como esta, minha reação é automática e espontânea: simplesmente me afasto. 
Quem me conhece de fato, sabe muito bem como funciona. Muitas vezes chego a ser dos extremos. Se gosto, AMO. Se desgosto, evito. 

Não sou perfeita, muito pelo contrário, sou coberta de defeitos. Mas, acredito muito no livre arbítrio. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e muito menos participar de encontros ou qualquer coisa que definitivamente não queira. Cada um tem de seguir a sua vontade apenas. E ela deve ser livre. É a sua escolha e ninguém tem nada a ver com isso. 

Outra coisa que faço questão de manter distância é de pessoa invasiva. Sabe aquela que a todo instante quer contato, saber da tua vida ou tenta de todas as formas te cercar, e através de alguns gostos teus, procura te agradar, tentando se tornar íntima? E mais do que isso: impõe a presença e não se dá conta que está sendo inconveniente ou imensamente chata e repetitiva? Pois é... Me cansa, me dá preguiça. 
Porque elas não têm o famoso "se mancol" e insistem em puxar assunto ou te agradar quando você demonstra exatamente o oposto. 

Não suporto me sentir invadida e, quando isso acontece, inevitavelmente recuo. 
Nestas horas, não sou nem um pouco querida ou doce. E nem faço questão de ser. Também não me incomodo nem um pouco se posso ou não vir a decepcionar alguém. 
Sempre optei pelas coisas bem às claras e nunca tive pretensão alguma de estar certa. 
Apenas de ser eu. Discreta e absurdamente direta. Gostem ou não.