sábado, 10 de setembro de 2016

Único jeito de esquecer alguém

Você não esquece virando as costas. 
Você não esquece fugindo. Você não esquece ninguém evitando encontros. 
Você não esquece apagando as fotos e excluindo os telefones. 
Você não esquece jogando fora os pertences. Você não esquece cortando o cabelo e os hábitos. Você não esquece trocando de personalidade e de emprego. 
Você não esquece mudando o percurso dentro da cidade, você não esquece nem mudando de país.

Você não esquece ninguém ao longe, distante, sem contato nenhum.

Você não esquece parando de pensar e de escrever. 
Você não esquece com paixões ou acumulando casos. 
Você não esquece desprezando conselhos. 
Você não esquece off-line. 
Você não esquece trocando a carência da saudade pela prepotência da mentira. 
Você não esquece omitindo nomes e recortando histórias. 
Você não esquece passando por cima da realidade e atropelando fatos. 
Você não esquece destilando ódio e rancor. 
Você não esquece arquitetando vingança e planejando respostas de conversas passadas. 
Você não esquece contando os dias de abstinência. 
Você não esquece fingindo desinteresse. 
Você não esquece dando de ombros, limpando os ombros, beijando os ombros. 
Você não esquece tomando ansiolítico e antidepressivo. 
Você não esquece fazendo greve de fome e de prazer. 
Você não esquece abandonando os amigos. 
Você não esquece forçando amizades. 
Você não esquece adotando outras religiões.

A culpa não ajuda a esquecer. 
A maldade não ajuda a esquecer. 
A indiferença não ajuda a esquecer.

O único e verdadeiro jeito de esquecer é vendo de novo e não sentindo mais nada.

Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Orgulho da Dinda ♥

E então domingo último, minha afilhada me avisa sobre seu espetáculo de dança. 
Ela e suas colegas do Núcleo de Arte e Dança participariam neste mês do Festival Internacional de Dança - Copa Internacional de Dança Aeróbica (Vem Dançar Sudamerica). 
Sabia que seria em setembro, apenas ela ainda não havia me dito o dia certinho. 
O festival acontece de 06/09 a 11/09 no Clube do Professor Gaúcho, aqui em Porto Alegre.

Eis que a participação dela seria justamente na quinta, dia 08/09. Imaginei que fosse em um final de semana, por exemplo, o que não aconteceu. Lamentei por ser exatamente a noite de prestigiar o aniversário de uma amiga muito querida aqui da Uniodonto. 
Fiz uma correria para poder me dividir em duas nesta quinta, porém, devido ao grande atraso nas apresentações, não consegui. :/

Fiquei com dois corações nesta quinta. Queria muito ir ao aniversário da Fê, apesar de não ser tão adepta de pizza (e a comemoração seria em uma pizzaria). Para poder compartilhar daquela alegria com ela. Infelizmente não deu. E tive de escolher entre os dois eventos da noite. Cada escolha uma renúncia, afinal. 

Às vezes, nossa vontade maior tem de ficar em segundo plano. Que bom! 
Porque me sentiria infinitamente culpada se minha opção fosse outra. Sei o quanto represento pra Érica e que ela conta comigo. Apesar de também não ser muito fã de dança, não a decepcionaria.
E foi lindo! Só a emoção de vê-la dançar e percebê-la feliz já valeram muito à pena. Apesar de extremamente cansativa toda função (saímos por volta das 23h de lá), foi muito gratificante.

Mas aí hoje veio a recompensa. Meu coração quase saltou pela boca quando vi a postagem sobre os resultados de ontem.. Alegria e orgulho imenso desta minha pequena e linda "bailarina de caixinha de música". As meninas tiraram o 3º lugar Trio estilo livre do Festival. E Joana, uma das meninas, ficou em 2º lugar no solo Juvenil!!!! \o/ \o/

A felicidade hoje transborda do peito! Parabéns às meninas e também à prof. Teté Furtado!
Orgulho da Dinda! ♥


Núcleo de Arte e Dança!!! Trio Duda CunhaÉrica Lopes e Joana Rocha Cantarutti.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

De luto. Na luta.


31 de agosto de 2016, o dia da vergonha. Vergonha de ser brasileira.
O dia em que 61 senadores, em sua maioria, investigados e processados, corruptos, réus, jogaram no lixo o meu voto, assim como de outros 54 milhões de brasileiros.

Hoje silencio ainda mais, com a voz embargada e o coração aos pulos pelo dia todo em que fiquei acompanhando esta tristeza toda. Meu corpo todo dói, e dói no fundo da alma. 
A Constituição que foi rasgada diante dos nossos olhos. Vejo um retrocesso se aproximar. 
Com a extinção de muitos direitos e também a volta de tempos nublados.

Hoje não tenho força nem para ficar triste. Aqui dentro bate uma decepção tão grande por todo este coronelismo que impera atualmente no Brasil. Por perceber que somos sim ainda um povo muito preconceituoso e machista. 

Uma verdadeira injustiça. Mas como falar em justiça hoje em dia não é mesmo? Um Congresso Nacional que boicotou desde sempre este governo. Como entender que destituíram do cargo alguém pelos seus acertos e não por seus erros?

Nunca fui de ficar em cima do muro, sempre tomei partido, manifestei minha opinião e hoje não seria diferente. O que me conforta é saber que estou do lado certo da história.
Que diante deste crime contra a democracia, há uma mulher guerreira que não fugiu da luta, não se curvou diante dos seus algozes. Muito pelo contrário, os encarou nos olhos. Provou a todos que é melhor cair do que morrer de joelhos. E sai ainda mais forte de todo este turbilhão.

Que meu silêncio de hoje possa me trazer ainda alguma alegria. Que meu silêncio arranque toda possível mágoa que encobre meu riso. 

Hoje não sei nem bem o que dizer. Apenas peço que não faltem flores para devolver beleza e esperança ao meu coração.

De luto pela democracia. Na luta!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dedicação e paciência


No último 29 de agosto, passados quinze dias de tratamento à base de antibióticos contra a sinusite, voltei à Puc. Mais um recomeço. 

Nadar tem dessas coisas. Uma vez que a gente se afasta das águas, todo o trabalho de condicionamento e treinamento feitos até então, vão-se embora.

Dobra-se a paciência por mais um retorno devagar, a passos lentos. Reaprendendo a respirar nos intervalos, readquirindo fôlego, aquecendo os brônquios, ajudando os pulmões a voltar ao seu treino normal no longo prazo.

Sem dúvida esta é a parte mais chata de todo processo. Passado todo período em aceitar o afastamento em prol da saúde, vem o segundo passo: o assimilar que durante este tempo “off”, perdeu-se sobretudo a elasticidade e o volume dos pulmões.

É tudo do zero novamente. O recomeço de todo um trabalho respiratório na água, de fortalecimento da musculatura torácica e também cardíaca. Literalmente, um dia de cada vez.

É o compreender também que as planilhas anteriormente anotadas das práticas de exercícios, juntamente com as metas propostas para o ano (mania da pessoa aqui rsrs) serão apenas utilizadas para fins de comparação, nada mais.

É tudo novo, de novo. Todo trabalho de ampliar o fôlego e resistência passam a ser também um processo bacana pois há a possiblidade de se aperfeiçoar melhor a técnica do nado. O que se perde em termos de focar apenas em atividades mais aeróbicas, buscando resistência e preparo físico, ganha-se em termos de qualidade do nado.

Então, bora lá... Nados de crawl e costas apenas, até poder ter condições de voltar com tudo acrescentando velocidade e força nos nados de peito e borboleta também.

Enfim. Algumas semanas ainda de muita dedicação e paciência. Faz parte. ;-)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Apaixone-se por alguém que adore a sua companhia

Outro dia li uma frase que dizia mais ou menos assim: “Não trate como prioridade quem só te trata como opção”, e fiquei pensando nos amores rasos que de vez em quando vejo por aí.

Tenho visto muita relação desigual, e por mais que um dos lados viva de esperanças, na expectativa infantil de que tudo pode mudar num piscar de olhos, é preciso enxergar os fatos como eles são.

Já ouvi muito a história: “A gente não escolhe quem vai amar”, mas será que é isso mesmo? Será que não podemos escolher o que fazer de nós mesmos quando estamos amando?

Nem sempre o coração está certo, e podemos entrar numa “canoa furada” pela simples dificuldade de sermos amorosos com nós mesmos.

Amor nenhum deveria doer. Amor nenhum deveria impor angústia e sofrimento. Amor nenhum deveria fazer você duvidar se o outro sente amor e alegria na sua companhia.

Acredito sim que a gente escolhe quem amar. E muitas vezes repetimos erros porque não aprendemos a ser gentis e generosos com aqueles que deveríamos colocar em primeiro lugar: nós mesmos.

Apaixone-se por alguém que adore a sua companhia e escolha estar com você sob o sol forte ou embaixo de uma chuva fria. Alguém que sinta a sua falta e demonstre que precisa do seu abraço a qualquer hora do dia.

Apaixone-se por alguém que goste do seu cheiro, que aprecia suas ideias e admira suas atitudes. Alguém que não titubeie ao andar ao seu lado nem tenha a intenção de guarda-la só para si.

Apaixone-se por alguém que assuma que lhe ama, alguém que tenha orgulho de ter sido cativado por você.

Apaixone-se por alguém que valorize seus gestos e escute sua opinião. Alguém que lhe queira sempre por perto, e que sinta saudades se você demora.

Apaixone-se por alguém que lhe dê segurança, alguém cujas atitudes dizem mais que mil “eu te amo” recitados da boca pra fora; alguém que faça valer a pena, pois sabe que não é todo dia que é possível encontrar alguém como você.

Apaixone-se por alguém que ame a sua risada e queira ter consigo todas as suas manias; alguém que lhe enxergue como uma pessoa especial e não vacile na hora de ter você como companhia.

Apaixone-se por alguém que releve suas variações de humor e se divirta com sua euforia; alguém que segure forte a sua mão numa turbulência e comemore as vitórias com alegria.

Apaixone-se por alguém que não tenha medo de se comprometer e amar; alguém que não tenha dívidas nem dúvidas, e que esteja disposto a fazer do encontro de vocês uma história especial.

Apaixone-se por alguém que não desista de você quando faltar grana, quando a receita daquela torta der errado, quando você passar mal, quando uma briga boba afastar vocês dois.

Apaixone-se por alguém com quem você não precise insistir para ficar; alguém que deseje estar ao seu lado por vontade e prazer; alguém que tenha a definitiva certeza de que fez a escolha certa ao querer você…

Fabíola Simões

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Das coisas...


Das coisas que sinto e não digo, mas demonstro
Das coisas que consigo ignorar por completo, porém dão uma preguiça danada
Das coisas que, nas entrelinhas todas das minhas emoções, sussurro uma mensagem

Das coisas que me deixam sem escrita, sem ar e inundam a alma
Das cosias que acredito, que me sensibilizam, me deixam à vontade
Das coisas que me silenciam, me carregam no colo e me abraçam de sorrisos

Das coisas que me fazem buscar calma na alma, me embriagam o peito, me transbordam
Das coisas que não adio, que me recuso a silenciar ou esquecer
Das coisas que escondo, que engulo a seco, que desmoronam tudo aqui dentro

Das coisas que me surpreendem e me cativam, me entorpecem os sentidos e deixam meus olhos risonhos
Das coisas que me lembram o tempo todo a ser melhor, a buscar o equilíbrio e a paz
Das coisas que me transmitem sinais, que expõem oportunidades diante dos olhos

Das coisas que me deixam mais disposta e feliz, que envolvem meu coração com saudades gostosas
Das coisas que mudam minhas atitudes, me fazem ir em busca de novas emoções ou revisitar lembranças antigas 
Das coisas que fecham feridas, que espalham sementes, que me apresentam infinitos buquês de carinhos

Das coisas que, independente de todo desgaste, ao final valem todo esforço, me acolhem, me despertam para o momento 
De todas estas coisas citadas e outras tantas que também, por vezes, encobrem meu riso,
Mas me fortalecem, me aconchegam no vazio, me transportam, me fazem ir desocupando abraços, admirando belezas cada vez mais escondidas todos os dias

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A diferença entre "ser amado" e "ser útil"

Você ter utilidade pra alguém é uma coisa muito cansativa. 
Ta certo, realiza. Humanamente falando é interessante você saber fazer as coisas, mas eu acredito que a utilidade é um território muito perigoso, porque muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. 

Ele ta interessado naquilo que a gente faz por ele. 
E é por isso que a velhice é esse tempo que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. 

Porque só nos ama / só vai ficar até o fim, aquele que depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus, sabe? Sempre faço à Ele, a oração D’Ele. Poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. 

Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade, né... 
De ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor. 

Quando eu viver aquela fase na vida: põe o Pe. Fábio no sol… Tira o Pe. Fábio do sol… 
Aí eu peço à Deus sempre a graça de ter quem me coloque ao sol, mas sobretudo, alguém que venha me tirar depois. 

Alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que sabe / que possa saber que eu não sirvo pra muita coisa, mas que eu continuo tendo meu valor. 

Porque a vida é assim, minha gente, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. 

Quer saber se você ama alguém? pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você, sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? 
É assim que descobrimos o significado do amor. 
Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. 

Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: “você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você”.

Pe. Fábio de Mello