domingo, 30 de agosto de 2015

Dançando...

Hoje dancei uma vez mais com as palavras. 
Era madrugada ainda quando me peguei rascunhando alguns pensamentos...soltos, leves e distantes. 

Corri um bocado atrás de lembranças e, de repente, me deparei com aquele seu jeito todo especial de sorrir com os olhos... 


Por uns instantes pude romper a barreira que nos separa e sorrir de volta, imaginando ser possível voltar ao começo outra vez. 


De uma maneira totalmente imune aos caprichos da vida e distante dos olhos alheios. Como quem insiste em acreditar que se tentar uma vez mais possa dar certo. 


Ahhh... Lá vai ele, aquele velho coração que cede às palavras e se põe a dançar nas entrelinhas, uma a uma, suave e lentamente. E, de um jeito bobo e todo torto, acorda com um livro aberto sobre o peito. 


Então percebe que ainda é madrugada e tudo não passou de um sonho, mais uma visita maravilhosamente doce. 

Quem sabe num dia qualquer, por descuido ou poesia, você decida ficar.

Diário da Tua Ausência

Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. 
E se ela não vem ter conosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. 

A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. 

É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer.  
É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver. 

Diário da Tua Ausência (M.B.N.)” – Retirado do blog: https://blocodecotas.wordpress.com/

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

QUEM TEM MEDO DE SEUS FANTASMAS?

Outro dia, numa rede social, li a frase do jornalista Carlos Heitor Cony: 
"Tenho meus fantasmas, e os amo." "Não quero destruí-los." "No dia em que me tirarem os fantasmas, não serei nada." 
Não pude deixar de pensar naquilo que indiretamente atua para que sejamos quem somos. 
Nas vidas não vividas que se somam dentro de nós, nas frustrações, desejos e desistências que também fazem parte de nossa realidade.  

De vez em quando somos obrigados a nos render. 
A abraçar nossos fantasmas e encará-los olhos nos olhos com compaixão, permitindo que permaneçam dentro de nós. Sem medo de que nos roubem a alegria, mas aceitando-os como parte do todo também.  

Somos a soma das alegrias que vivenciamos e das dores que deixamos. E mesmo que o amadurecimento nos permita seguir adiante, com coragem e determinação, ainda assim, em alguns momentos tropeçamos na incerteza de sabermos quem nos tornamos de fato. 

Não sei se sou uma pessoa corajosa. Mesmo abraçando meus medos e entrando de cabeça no desejo de me tornar palavra escrita, deixo de lado muita vida que poderia brotar de mim e não brota, por incapacidade e falta de coragem de dar o primeiro passo. Tenho meus fantasmas. 

A parte de mim que se aterroriza diante da novidade e recua perante os desafios. 
A porção que carrega inseguranças e covardia. A parte de mim que se enfraquece diante do desconhecido e procura uma vida segura e muitas vezes menor... 

Preciso urgentemente aliar-me a eles para juntos darmos os passos seguintes desta dança que só pode ser conduzida a dois. Fácil seria fechar a porta e fingir que não existem interferências. Acender a luz do abajur interior e negar a presença daquilo que nos povoa tanto quanto a alegria. 

Viver intensamente requer entrar em contato com quem somos intimamente, e isso inclui aceitar nossos fantasmas. Aquilo que não sobreviveu, mas ainda assim nos reprime perante os desafios. Aquilo que não vingou, mas ainda causa desconforto. Aquilo que não aconteceu, mas permanece deixando uma ponta de dúvida. 

Nem só de dor são feitos nossos fantasmas. Apesar da distância que quero deles, são eles que me dão humildade, me colocam de volta ao chão, à realidade que me cerca, ao que sou_ independentemente da chuva que molha minha grama no momento. 

Poderia nomeá-los um a um, sem me dar conta que já não é culpa "deles" minha vida estar do jeito que está. Não são as fulanas e os beltranos os álibis para uma vida de incompletudes e imperfeições. Não há tempo para acreditar em bodes expiatórios que justifiquem nossa falta de disposição em sermos plenos e felizes. 

A hora é sempre agora, e já não importam mais os fantasmas. Eles sempre resistirão como sombras a nos lembrar que também temos deficiências, também não controlamos nada, também tentamos resistir bravamente ao mundo que nos cerca e desafia... 

Não tenho medo de meus fantasmas, mas preciso transformá-los no que me agrada... São nossos fantasmas que nos dizem que não somos de ferro. Que já caímos e iremos cair inúmeras vezes, e que a vida é imperfeita mesmo.  Mas quem disse que tudo seria só bom?  

Então tenho que concordar com Cony: "Tenho meus fantasmas, e os amo". Eles me mostram que não há o que temer, pois o pior pode estar dentro de nós. E é lapidando o que somos que nos tornaremos pessoas melhores. Não tentando matar nossos fantasmas, mas entendendo que se este nosso metal sofre corrosões, é porque existe beleza não apenas no brilho, mas no contraste entre ferrugem e fulgor...  

Fabíola Simões

Amores bem resolvidos x Pessoas mal resolvidas

Sinto dizer: não há amor mal resolvido. 
Bem ou mal, gostando ou não, o amor acabou por algum motivo. 
E, infelizmente, as pessoas de fora tendem a achar que era um amor lindo, fantástico, sem defeitos, e ficam tristes por algo que não conheceram de verdade.  

A verdade é que SÓ quem viveu um amor, sabe de seus sabores e (eventuais) dores. 
Portanto, não jogue seu romantismo e sua ilusão do PERFEITO nos ombros de outro casal. Isso só mostra o quanto VOCÊ não superou a perda da SUA ingenuidade, no sentido de achar que contos de fadas - de fato - existem. 
Não, meu amigo, caia na real e aceite de uma vez por todas: AMAR É PUNK PARA TODO MUNDO. 

Fernanda Mello

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Secreta Mirada

Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez se aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros; mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. 
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. 

Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. 
Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. 

Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. 

Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. 

Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silêncio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos. (p.227) 




Canção da falsa adormecida

Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora o meu amor agarra-se aos teus braços, 
hora a hora o meu desejo resolve estes escombros
e escorrem dos meus olhos mais promessas. 

Não acredites neste breve sono; 
não dês valor maior ao meu silêncio; 
e se leres recados numa folha branca, não creias também: 
é preciso encostar teus lábios em meus lábios para ouvir. 

Nem acredites se pensas que te falo:
palavras 
são meu jeito mais secreto de calar. 

Lya Luft

Navegue a lágrima

Terminei de ler "Navegue a lágrima", de Letícia Wierzchowski, carinhoso mimo que ganhei de aniversário da amiga Liziê. 

São duas histórias de amor e perdas que, de certa forma, se entrelaçam, se misturam com passagens de tempo cercadas de detalhes e conflitos. Lembranças ou delírios vividos pela personagem principal, uma editora que, isolada na casa que pertenceu à família de uma escritora famosa, busca enfrentar todos seus medos e anseios. 

É muito interessante, à medida que a leitura nos prende por completo nestas infinitas corridas de tempo atrás de lembranças, na mistura envolvente entre a história central da editora e seus pensamentos ou devaneios em relação a acontecimentos sobre a vida da escritora famosa, antiga dona da casa em que ela resolveu se refugiar. 

E, apesar de ser mais um excelente livro de Letícia, onde amor e perdas são brilhantemente retratados, senti muita falta de mais doçura e encantamento. Coisas que "O anjo e o resto de nós" foi capaz de trazer com mais leveza, me fazendo prender suspiros em suas páginas e abraçar o livro com mais entusiasmo. 

Não à toa é o meu preferido dela. ;-)

sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre um 17 de julho ♥ ♥


Sabe quando a gente necessita acreditar que um dia as coisas vão melhorar e que ainda existem pessoas humanas no mundo?

Que, de alguma forma, alguém vai conseguir olhar bem fundo da sua alma de um jeito tão amoroso e puro que você vai entender o real significado da palavra amizade?




Sim, AMIZADE! Falo do tipo gigante, em letra maiúscula mesmo. Daquela que pouca gente conhece de fato ou acaba não desfrutando por se perder colecionando conhecidos.
Raros são os que percebem como traduzir verdadeiramente esse laço na vida.



E então você vai se sentir tão seguro e tão acolhido que vai se permitir voltar a sonhar de novo. Porque você é único e especial. E existe alguém que sabe e se importa com isso.

Enquanto você se vestia de lágrimas e silêncio, alguém com a dose exata de humor e muito romantismo também, não permitiu que você desmoronasse. Aliás, lhe proibiu! E a abraçou, trazendo muita calmaria e alívio ao seu coração.

E Daison tem sido assim em minha vida. Doses diárias de carinho, cumplicidade e amizade. A sintonia que surgiu há alguns anos por acaso total e muitas coincidências envolvidas, foi com o tempo criando um laço muito forte. Uma afinidade surpreendente que chegou feito poesia pedindo para ficar. Hoje não consigo mais desgrudar dele (risos).

Assim foi a noite no "apezinho lindo do Daisinho". Eu, Daison e Jackson numa sexta-feira de completa paz e muito carinho.



Entre o festival de besteiras que cansamos de dizer por aí com total consentimento e disfarce da sobriedade, optamos os três por um 17 de julho com mais leveza, graça e alegria, regado a vinho e muita conversa.

Assistimos uma infinidade de shows em DVD, gargalhamos à beça, choramos um pouco, nos emocionamos um bocado e confidenciamos muita coisa também. Do tipo profundo mesmo, o segredo mais bem guardado ou aquele assunto que faz seu coração bater descompassado.

A regra era curtir a companhia um do outro, se divertir e preservar aquele momento mágico e feliz. E amanhecemos fazendo isso, sem sentir o passar do tempo. Tudo perfeito!
Foi uma sexta maravilhosamente inesquecível. 
No sábado, quando em casa e menos de 1 hora depois, já estava com saudades de ontem.
Coisa bem boa! :)



É, definitivamente amor não surge do nada, tão pouco do além. Amor é sintonia, troca. E se cria na insistência de todos os envolvidos. Pouco importa os degraus pela frente, somos a escada inteira diante do amor. Persistimos e voltamos a acreditar novamente em sorrisos, daqueles que simplesmente brotam da alma da gente sem qualquer controle:
Largos, doces e sinceros.

Sabe quando a gente conhece cada vez mais uma pessoa e ela, na mesma proporção, fica cada vez mais eternizada em nosso coração? Sabe aquela felicidade que ilumina e envolve a gente a cada encontro? Assim me sinto hoje em relação às conquistas diárias deste meu lindo e doce amigo. Por esse contato direto carregado de carinho e cuidados.


Daisinho lindo da sua Nadiolina, dos olhos mais ternos que conheci na vida, mil vezes obrigada por tudo. Por sempre! AMO-TE absurdamente!


"Agradecer as nuvens que logo são chuva, e sereniza os sentidos, e ensina a vida a reviver. Agradecer os amigos que fiz e que mantêm a coragem de gostar de mim, apesar de mim.
... Agradecer as marés altas e também aquelas que carregam para outros costados os males do corpo e da alma."
Maria Bethânia


Ps. Gux, não é pra ficar com ciúmes, ok? Você é meu eterno mano siamês que conhece mais de mim do que eu mesma. Sabe que tem o raio-X da minha alma e enxerga muito além das coisas que calo ou suspiro em absoluto silêncio. Saudades master!!!
Amo-te mais que tudo! ♡ ♡