segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Vida de Solteiro


“E a namorada?” Alguém vai me perguntar. 
Aí vou sorrir e responder: “Estou solteiro!”. 
E logo depois vem aquela cara de: “nossa, coitadinho”, quando ao meu ver era a hora certa da pessoa me abraçar e pularmos gritando: “Parabéns Campeão!” 
Sabe, realmente não entendo essas pessoas que colocam o fato de encontrar uma pessoa como sendo um dos objetivos primordiais da vida. Como se a ordem natural fosse: nascer, crescer, conhecer alguém e morrer. A meu ver, não é assim. 

As pessoas se dizem solteiras como quem diz que está com uma doença grave, alguém que precise de ajuda. Não é nada disso. 
Existe sim vida na “solteridão”! 
E das boas. E isso não quer dizer farra, putaria, poligamia ou promiscuidade. 
Aliás, quer dizer sim, mas só quando você tiver afim. 
No mais quer dizer liberdade, paz de espírito, intensidade. 
E olha que escrevo isso com algum conhecimento de causa, já que tenho vários anos de namoro no currículo. 

De verdade, do fundo do coração, eu estou muito bem solteiro. 
Acho até que melhor que antes. 
Gosto de acordar pela manhã sem saber como vai terminar meu dia. 
Gosto da sensação do inesperado, da falta de rotina e de não ter que dar satisfação. 
Gosto de poder dizer sim quando meu amigo me liga na quinta-feira perguntando se quero viajar com ele na manhã seguinte. 
De chegar em casa com o Sol nascendo. 
De não chegar em casa as vezes. 

De conhecer gente nova todos os dias. 
De não ter que fazer nada por obrigação. 
De viver sem angústia, sem ciúme, sem desconfiança. 
De viver. 
Acredito que todo mundo precisa passar por essa fase na vida. 
Intensamente inclusive. 

Sabe, entendo que talvez essa não seja sua praia. 
Ou talvez você nunca vá saber se é. 
Eu mesmo não sabia que era a minha, e veja só você, hoje sou surfista profissional. 

O que percebo são pessoas abraçando seus relacionamentos como quem segura uma bóia em um naufrágio. 
Como se aquela fosse sua última chance de sobrevivência. 
Eu não quero uma vida assim. 

Nessa hora talvez você queira me perguntar: “Mas e aí? Vai ficar solteirão para sempre? 
Vai ser assim até quando?” 
E eu vou te responder com a maior naturalidade do mundo: “Vai ser assim até quando eu quiser”. 
Quando encontrar alguém que seja maior que tudo isso, ou talvez alguém que consiga me acompanhar. 

E não venha me dizer que aquele relacionamento meia boca seu é algo assim. 
O que eu espero é bem diferente. 
Quando se gosta da vida que leva, você não muda por qualquer coisa. 

Então para mim só faz sentido estar com alguém que me faça ainda mais feliz do que já sou, e como sei que isso é bem difícil, tenho certeza que o que chegar será bem especial. 
E se não vier também está tudo bem sabe? 
Eu realmente não acho que isso seja um objetivo de vida. 

Não farei como muitos que se deixam levar pela pressão dessa sociedade. 
Tanta gente namorando pra dizer que namora, casando pra não se sentir encalhado, abdicando da felicidade por um status social. 
Aí depois vem a traição, vem o divórcio, a frustração e todo o resto tão comum por aí. 

Não, não. Me deixa quietinho aqui com minha vida espetacular. 
Pra ser totalmente sincero com você, a real é que não é sua situação conjugal que te faz feliz ou triste. 
Conheço casais extremamente felizes e outros que estão há anos fingindo que dão certo. Conheço gente solteira que tem a vida que pedi para Deus e outros desesperados baixando aplicativos de paquera e acreditando que a(o) ex era o grande amor e que perdeu sua grande chance. Quanta bobagem. 

A verdade é que só você mesmo pode preencher o seu vazio, e colocar essa missão nas mãos de outra pessoa e pedir pra ser infeliz. 
Conheço sim vários casais incríveis, assim como tantos outros que não enxergam que estão se matando pouco a pouco. 

Só peço que não deixem que o medo da solidão faça com que a tristeza pareça algo suportável. Viver sozinho no início pode parecer desesperador, mas de tanto nadar contra a maré, um dia você aprende a surfar. 

E te digo que quando esse dia chegar, você nunca mais vai se contentar em ficar na areia. Desse dia em diante só vai servir ter alguém ao seu lado se este estiver disposto a entrar na água com você.

Rafael de Magalhães

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♪♫
Quem vem lá
Quem em mim se alastra
Quem vem lá
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Restaura a pedra do peito 
A luz, o lamento, a sombra 

 Volta tal qual 
Chuvas de Janeiro Silêncio, anseio, som e eu 
 Quem vem lá? 

Gigante, miúda, me reanima 
 Liberta o instante, revigora 

 Se o acaso nos distanciar 
E a sorte nos fechar a porta 
Releve o que não importar 
Vai, dê meia-volta e volta 

 Coração pulsa por saber 
Almeja ser razão e ser capaz 
Permita experimentar 
 A soma de você comigo é mais 
 ♫♪


Harmonia


"São delicados e sutis os fios da harmonia. 
Ao contrário da alegria, do entusiasmo, ela é uma das sensações mais discretas. 
Sua voz é quase imperceptível, feito outra qualidade de silêncio. 
Ela não é uma gargalhada, é aquele sorriso por dentro, uma sensação gostosa de estar no lugar certo, na hora adequada. 
Feito um arco-íris depois da tempestade, sua beleza é adornada pelo equilíbrio dentro do derramamento. 
É um adestramento dos fantasmas internos. 
A possibilidade de aprimorar os pensamentos. 
É quase como não pensar. 
Simplesmente, sentimos uma ligação profunda com tudo, um denso bem-estar. 
Como se tivéssemos uma secreta intimidade com o mundo, certa cumplicidade com o tempo. 
É como se observássemos descompromissados, ela é uma descontração. 
Como se o coração batesse pelo corpo todo, mas sem extremada euforia. 
Uma tranqüilidade dilatada no peito, o olhar satisfeito, a mente entendendo que já nem precisa entender o que é prosa ou poesia. 
E o mundo inteiro cabendo num abraço. 
E uma firmeza na carícia, a maturidade que perdeu o cansaço, uma confiança que preenche a existência. 

A harmonia é um contato profundo com a experiência. 
E o tempo do dia não é mais composto por esperas, ele é vivido. 
E já não se fala, palavras passeiam pela boca. 
E já não se escreve, as frases coreografam as paisagens. 
E já não se ama, o amor vigora em nós. 

A harmonia tem fios muito delicados e sua trama faz a ligação mais suave entre todas as urgências já sentidas. 
E o chão do sonho é macio, e tudo parece estar alinhavado, numa ligação sem sufocamentos. 
E a poesia não deseja mais ser nada, vira o afago de um momento. 
E nas letras a textura de um veludo, como se ao correr pela página, os olhos pudessem ser acariciados. 
E você tem todas as coisas sem precisar tomar posse delas. 
Você ama o amor, não o delírio de estar apaixonado. 

Sinto a harmonia como uma espécie de fascínio pela vida. 
É quase uma perda de outros apetites, porque se está tão nutrido pela própria companhia. 
E a gente tem aquela vontade súbita de andar pela noite: não apenas para olhar as estrelas, mas também para por elas sermos vistos. 

Harmonia é como se fôssemos inundados pelo mar onde antes só havia um precipício.” 

Marla de Queiroz

Somos Encanto


"Eles não me entenderam, eles nunca me entenderão na verdade, pois sempre tiveram medo de tentar, vivem num mundo onde as coisas nunca foram feitas para durar. 
Mundo carente de atitudes nobres, mas infestado pela pobreza do próprio espírito. 
Eles continuam pensando no dinheiro, continuam desafiando a si mesmos na busca pelo que não sabem. 
Buscam a fuga que se pode pagar, mas esquecem de todo o resto que não tem preço. 
Nunca percebem aquilo que não se pode comprar nem com todo dinheiro do mundo. 
Falsa riqueza. 
Riqueza de tristeza. 

Meu tempo é simples, é andar debaixo das árvores, é colher um sorriso maduro. 
É regar a ousadia com um pouco de elogio e ver nascer felicidade. 
Meu tempo é ouvir, meu mundo é novo todos os dias. 
Minha sede é por entender o óbvio, por perceber a fundo todos os detalhes, todas as linhas, traços, cores e amores.  

O grande valor das coisas mora no gesto mais simples, ao lado da casa da falta de interesse, em frente à rua da simplicidade, sem número e sem endereço. 
São as atitudes que nos levam até lá, quando não temos condições de ir através das nossas, pegamos carona com outras que raramente passam por aqui. 
São raras, mas quando passam por nós, nunca temos vontade de deixar ir.  
Esse encontro é a melhor coincidência de todas. 
Podemos respirar um ao outro, como evidência de que nada termina quando não permitimos. 

Eu não quero que eles me vejam. 
Não quero que nos vejam, não quero que sofram mais ainda. 
Eles nem sonham o nosso sonho, nem imaginam o tamanho do nosso paraíso.  
Seria covardia demais esculpir tanta felicidade em muros de pedra.  
Nosso passeio pela praça transborda de tanta alegria, nossas mãos buscam umas pelas outras, nossa satisfação é a de poder falar o que sentimos e demonstrar com palavras as atitudes planejadas para depois.  

Quando paramos e olhamos bem fundo nos olhos do nosso coração sentimos que ele é quem vai parar, saímos dessa órbita juntos, sempre juntos e depois retornamos devagar.  
A chuva é só um detalhe. 
É o pano de fundo para nossos risos e sorrisos. 
Risadas nossas, risadas do outro, risadas sem controle. 
Perdemos o controle da hora quando estamos juntos. 
Nunca perdemos tempo olhando o ponteiro nos levar. 
Estamos juntos demais para parar.  
Somos encanto inundando toda a cidade.  

Eles poderiam não resistir, poderiam não suportar e no ato mais louco de revolta transbordar seu próprio mundo no nosso mundo. 
O mundo onde amar é a maior das estradas sem vontade de chegar." 

Walter Oliveira

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A gente tem de ser de verdade


"Não gosto de quem se esconde atrás de uma palavra, um escudo ou base para o rosto. 
Não tolero quem diz uma coisa e faz outra, quem promete e nunca cumpre, quem diz que ama e nada sente. 
Não suporto quem tenta aparecer a qualquer custo, quem acha que o dinheiro compra tudo, quem esquece do que mais importa. 

Gosto de quem mostra o rosto suado, as mãos sujas, o verbo esparramado, os pés descalços. Gosto de quem não tem medo do não, de quem perde o controle, de quem esquece a razão. Gosto de quem se molha na chuva, suja a bochecha de melancia, deita na grama pra olhar o céu. 
Gosto de quem não esconde a emoção, de quem não se importa em secar a lágrima, de quem perde a hora vendo a paisagem. 

Não gosto de quem fala pelas costas, tenta dar o gole, passar a perna ou esconder o jogo. 
Não gosto de quem trai a si mesmo e o outro, distribui promessas rasgadas, espalha mentiras. Não gosto de quem força amizade, vive de aparências ou reage com grosseria. 

Gosto de quem olha com doçura, nunca perde o encanto, esquece as desavenças e perdoa o que passou. 
Gosto de quem se arrepia com uma música, sente uma lágrima rolar com um filme e se alegria com uma lambida de cachorro. 
Gosto de quem sorri ao ver uma criança, de quem mantém seu lado puro, de quem entende que a vida é melhor quando a gente observa o que acontece com olhos inocentes." 

Clarissa Correa

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Que seja doce!



“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. 
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se não fosse nada.Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você.
Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda - feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar.
Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos.
Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone.
Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio.
Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto.
Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha.
Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado.
Que seja doce a ausência do meu medo.
Que seja doce o seu abraço.
Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
Que seja doce. Que sejamos doce.
E seremos, eu sei.”
C.F.A.

#SharonCorr
#Opinião #23/11
#DoceNovembro

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Confiança

"Coragem, às vezes, é desapego.
É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta.
É permitir que voe sem que nos leve junto.
É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho.
É aceitar doer inteiro até florir de novo.
É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."

Confiança é base de tudo. Sempre.
Tanto faz o tipo de relação, se amor, amizade, trabalho, enfim.
Todo sentimento deve ter um mínimo de reciprocidade. Do contrário, deve ser revisto.
Não importa. Se não houver confiança, quebra-se o intuito dos laços.
E é sempre mais fácil destruir um castelo do lado de dentro.

Há quem enxergue apenas a casca, não vai a fundo, não demonstra interesse em conhecer a alma de alguém.
Ao mesmo tempo não se expõe e também não permite perder o controle da situação.
Porque na verdade não confia. E assim não abre espaço da sua vida para que alguém entre, conheça, passe a fazer parte ou alterar em nada sua rotina.
Feito soldados de castelos medievais, com armaduras, impenetráveis.
Ou semi-deuses de segundo caderno da atualidade: Sou assim e pronto. Quem quiser que se adapte.

Quando uma parte não confia, não adianta insistir. É perda de tempo. É perda de vida.
Perceber que a cada passo que se dê é preciso pensar em outros quatro de explicações para aquilo que não se faz a menor idéia que possa estar rondando os pensamentos por aí, é se preocupar demasiadamente com quem, talvez, não mereça tamanha prioridade, nem tantos cuidados.
Por mais que se faça, se demonstre, nunca será o suficiente, pois não há a confiança.
Por experiências negativas ou apenas medo, não importa. A isto chamamos “Pistantrofobia”.

E, o melhor a fazer é se afastar. Dar alimento ao coração apenas.
Não somos peças de quebra cabeças, que se encaixam na vida uns dos outros.
Somos elo, vontade, contato físico, querer estar perto. Carinho retribuído, saudade demonstrada.
Para o resto, para a vaidade alheia, para os egos que necessitam de massagem, para os comentários maldosos, para tudo o que abafa nosso riso, para as perguntas sem respostas, distância.

Não podemos julgar o que acontece dentro dos outros e tão pouco exigir que gostem da gente.
E nos damos conta disso, cedo ou tarde.

Enxergamos que todas as verdades que dissemos talvez não tenham sido levadas tão a sério.
O tempo que a gente teve para amar alguém ou que esse alguém esteve disposto a nos aceitar em sua vida, pouco importa. O que vai valer, verdadeiramente pra gente, ao final das contas, é todo aquele amor que investimos durante determinado tempo.

Chega um momento em que é preciso dar um basta nas insistências que nos deixam longe daquilo que nos faz bem de verdade.
Que nos embriagam, a ponto de visitar um mundo que não faz parte da vida da gente. Tudo para estar perto, para resgatar algum encantamento.
Ficamos paralisados em lugares indesejados tão somente para fazer parte um pouquinho da vida de alguém.

É, por fim, dar-se conta de que não merecemos ser apenas mais uma peça num gigantesco quebra cabeça. Iguais às demais. Nem mais, nem menos. É preciso querer ser bem mais.
Abrindo-se assim, imensas janelas dentro do peito, feito revelações para o nosso verdadeiro eu: boas e más. E as arquivaremos, no devido tempo, como experiência.

Mas a vida é tão mais que isso. Nossos rascunhos diários não são capítulos, é nosso livro mais precioso, mais importante. Nosso objetivo principal e toda razão de ser. Nossa existência maior.
Se a gente se preocupa tanto, se importa absurdamente com alguém e quer imensamente que seja parte da nossa trilha sonora, há que se permitir que entre em nossa vida de verdade, sem meio termo ou quando der.

Tem de ser confiando, de peito aberto, baixando a guarda, se permitindo verdadeiramente, por inteiro, não em intervalos.
Estou aqui porque gosto e quero e não porque preciso agradar alguém.

Que os laços não sejam improvisos, adaptações a uma situação já existente anteriormente.
Que sejam novos, especiais, presentes. Mas que sejam.