quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Um pacote chamado VIDA

Não sei ao certo se a gente recebe um pacote chamado VIDA ou se esse pacote é que recebe a gente. O fato é que no tal embrulho, sem manual de instruções, cada um desenlaça uma narrativa, alguma história escrita assim: sem caderno, caneta, apenas com tinta. Dentro dele, gratuitamente, temos os dias e todos os fenômenos que a Natureza usa para se expressar. Temos nossas preferências sobre cada um destes fenômenos e dizemos “gosto” ou “não gosto” nos posicionando como se algo pudesse impedi-los.

São muitas as pessoas que vivenciam esta mesma experiência e, é com elas que interagimos. Existe uma conexão absoluta entre tudo e todos, mas ainda assim, temos a opção de escolher com quem conviver de acordo com as afinidades e essas coisas todas que fazem com que os laços se estreitem. Também recebemos uma família, ou ela nos recebe: alguns a perdem precocemente, mas ainda podem construir a própria. Outros têm problemas quase indissolúveis com estes laços sanguíneos e, poucos sabem que aí está o nosso verdadeiro aprendizado. Será por acaso que nascemos vinculados fortemente com quem não escolheríamos para ser nosso amigo? Será por acaso essa força que dissolve quaisquer discórdias para socorrer quem quer que esteja vinculado a nós, mesmo que, aparentemente, seja à nossa revelia?

Então existem os sentimentos. Uma infinidade deles. Uma profusão misteriosa de sensações que permeiam nossos dias, determina as cores dos instantes, influencia o nosso humor. Posso chamar esta dor de amor? E o que eu chamaria de apego, então? Essa decepção tem perdão?

A gente se cobra demais. Ou não.

A gente deveria parar de tentar fazer com que o Outro aja como agiríamos e aceitar que, mesmo “falhando”, ele tem o direito ao erro assim como nós. A questão é: eu o quero por perto? O que tal comportamento me diz sobre tipo de relacionamento que desenvolvi com determinada pessoa? Sou tratada com respeito? Ou melhor, sou tratada como eu me trato? Como eu me trato? Eu erro? Eu decepciono? Eu falho? Eu peço perdão? Eu perdoo com a mesma facilidade com que me desculpo? A gente se cobra de menos.

A gente deveria não ser tão condescendente com quem aprendeu que não precisa aprender para ser acolhido. A gente deveria entender que certas pessoas somente poderão ser ajudadas quando não mais nos tiverem como plateia e perderem a nossa compreensão quase maternal. Tem gente que age inconsequentemente e confunde egoísmo com individualismo. Entendam, isso está muito além de um relacionamento amoroso mal sucedido. Todo mundo tem o direito (e o dever, eu diria) de ir embora quando os sentimentos estão desproporcionais, quando a reciprocidade não faz companhia na sensação de eternidade que, até na incerteza do futuro, conjugamos quando apaixonados. Mas de quem é a “culpa” e o Outro não quer caminhar ao nosso lado. A gente se cobra demais.

O fato é que muita gente está lendo este texto entre tantos outros sobre os mesmos temas e, com a caixa ainda por desembrulhar no colo, já colocou sua VIDA num dilema. E envolveu-se nesta vitimização por não haver um manual de instrução que o oriente a fazer dela um bom uso. E, enquanto os Outros escrevem suas próprias narrativas e seguem cumprindo suas missões nesta existência, guiados pela intuição que se fortalece com a nossa (re)conexão, tanta gente ainda não conseguiu sair do status de relacionamento CONFUSO.

Marla de Queiroz

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

OITO, OITENTA? NÃO SE TRATA DE NÚMEROS, SE TRATA DE AMOR!


Outro dia também li uma frase que dizia assim: 
”As pessoas estão preferindo ficar solteiras porque estão cansadas de dar tudo e acabar sem nada.” E porque achamos que devemos dar tudo ao outro? 

É preciso dar amor, atenção, elogios e apoio, sim, para a pessoa a quem amamos e com quem escolhemos estar, mas não tudo. 

Essa é uma fantasia maternal que nós temos, principalmente as mulheres, a de que devemos cuidar completamente de quem amamos, mas se nem com os filhos devemos ser assim?

Diz o psicanalista Antonio Quinet:_ “uma mãe deve ser suficientemente boa:” E o que isso significa? O famoso criar para o mundo! “Dar amor, segurança, cuidados necessários, atenção, mas não tudo porque senão nossos filhos nunca acharão que precisam conquistar alguma coisa,” conquistar o que se já tenho tudo?”

Assim também acontece nos relacionamentos. Corremos o risco de criar uma relação de interdependência quando tentamos suprir todas as necessidades do outro. Tentamos nos fazer essenciais para que a pessoa amada queira ficar perto de nós, ate ela precisar estar perto de nós... 

Mas é isso mesmo que queremos? Alguém que esteja ao seu lado apenas por depender de você ou por escolha própria, apenas por vontade de descobrir aquele sorriso que você ainda não deu?

“O que alguns chamam de fazer jogo podemos traduzir para a frase no Divã que diz:” é na falta que criamos o desejo!”Você tem sede enquanto bebe água? 

No começo de um relacionamento conte um caso bem bacana que faca vocês morrerem de rir, e guarde outro para a próxima saída... 

É preciso dar ao outro motivo para querer mais! Dar motivos ao filho para que queiram ser mais que apenas nossos filhos, mas cidadãos, dar ao seu amor o suficiente para que ele esteja constantemente buscando o seu tudo!

Renata Lommez (Psicóloga)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O AMOR E SEUS TRAUMAS


Todo mundo que já amou e amou direito tem algum trauma. Não tem como fugir. 
Porque amar é a melhor coisa do mundo. Mas também dói pra cacete porque - infelizmente - relacionamento é um dos maiores desafios que existem. 

A gente nunca sai de um amor da mesma forma que entrou e - nesses tantos fins e recomeços - a bagagem vai só aumentando. (E nossa lista de traumas também). Haja paciência para lidar com nossas mudanças internas, inseguranças, incertezas, desconfianças, ciúmes... 

Haja tolerância para entender que o outro - aquele que a gente espera que nos compreenda, acima de tudo - também tem uma pá de cicatrizes que (vez por outra) ainda sangram.

E crescer vai se resumindo a isso: por um lado a gente AMADURECE. 
Por outro, a gente ENDURECE. 

E amar passa a ser difícil, não porque o AMOR é uma faca de dois gumes. Mas porque onde existe MEDO (e qualquer derivado dessa forte criança), não tem como o amor chegar. E fazer casa. 

Por isso, em homenagem aos meus traumas e às feridas alheias (vai me dizer que você não guarda uma?), eu escrevo esse texto. Porque bagagem boa é bagagem leve. Que a gente segura (sem grande esforço), enquanto o outro toma fôlego. E descansa da vida. 

Fernanda Mello

domingo, 30 de agosto de 2015

Dançando...

Hoje dancei uma vez mais com as palavras. 
Era madrugada ainda quando me peguei rascunhando alguns pensamentos...soltos, leves e distantes. 

Corri um bocado atrás de lembranças e, de repente, me deparei com aquele seu jeito todo especial de sorrir com os olhos... 


Por uns instantes pude romper a barreira que nos separa e sorrir de volta, imaginando ser possível voltar ao começo outra vez. 


De uma maneira totalmente imune aos caprichos da vida e distante dos olhos alheios. Como quem insiste em acreditar que se tentar uma vez mais possa dar certo. 


Ahhh... Lá vai ele, aquele velho coração que cede às palavras e se põe a dançar nas entrelinhas, uma a uma, suave e lentamente. E, de um jeito bobo e todo torto, acorda com um livro aberto sobre o peito. 


Então percebe que ainda é madrugada e tudo não passou de um sonho, mais uma visita maravilhosamente doce. 

Quem sabe num dia qualquer, por descuido ou poesia, você decida ficar.
♥

Diário da Tua Ausência

Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. 
E se ela não vem ter conosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. 

A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. 

É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer.  
É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver. 

Diário da Tua Ausência (M.B.N.)” – Retirado do blog: https://blocodecotas.wordpress.com/

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

QUEM TEM MEDO DE SEUS FANTASMAS?

Outro dia, numa rede social, li a frase do jornalista Carlos Heitor Cony: 
"Tenho meus fantasmas, e os amo." "Não quero destruí-los." "No dia em que me tirarem os fantasmas, não serei nada." 
Não pude deixar de pensar naquilo que indiretamente atua para que sejamos quem somos. 
Nas vidas não vividas que se somam dentro de nós, nas frustrações, desejos e desistências que também fazem parte de nossa realidade.  

De vez em quando somos obrigados a nos render. 
A abraçar nossos fantasmas e encará-los olhos nos olhos com compaixão, permitindo que permaneçam dentro de nós. Sem medo de que nos roubem a alegria, mas aceitando-os como parte do todo também.  

Somos a soma das alegrias que vivenciamos e das dores que deixamos. E mesmo que o amadurecimento nos permita seguir adiante, com coragem e determinação, ainda assim, em alguns momentos tropeçamos na incerteza de sabermos quem nos tornamos de fato. 

Não sei se sou uma pessoa corajosa. Mesmo abraçando meus medos e entrando de cabeça no desejo de me tornar palavra escrita, deixo de lado muita vida que poderia brotar de mim e não brota, por incapacidade e falta de coragem de dar o primeiro passo. Tenho meus fantasmas. 

A parte de mim que se aterroriza diante da novidade e recua perante os desafios. 
A porção que carrega inseguranças e covardia. A parte de mim que se enfraquece diante do desconhecido e procura uma vida segura e muitas vezes menor... 

Preciso urgentemente aliar-me a eles para juntos darmos os passos seguintes desta dança que só pode ser conduzida a dois. Fácil seria fechar a porta e fingir que não existem interferências. Acender a luz do abajur interior e negar a presença daquilo que nos povoa tanto quanto a alegria. 

Viver intensamente requer entrar em contato com quem somos intimamente, e isso inclui aceitar nossos fantasmas. Aquilo que não sobreviveu, mas ainda assim nos reprime perante os desafios. Aquilo que não vingou, mas ainda causa desconforto. Aquilo que não aconteceu, mas permanece deixando uma ponta de dúvida. 

Nem só de dor são feitos nossos fantasmas. Apesar da distância que quero deles, são eles que me dão humildade, me colocam de volta ao chão, à realidade que me cerca, ao que sou_ independentemente da chuva que molha minha grama no momento. 

Poderia nomeá-los um a um, sem me dar conta que já não é culpa "deles" minha vida estar do jeito que está. Não são as fulanas e os beltranos os álibis para uma vida de incompletudes e imperfeições. Não há tempo para acreditar em bodes expiatórios que justifiquem nossa falta de disposição em sermos plenos e felizes. 

A hora é sempre agora, e já não importam mais os fantasmas. Eles sempre resistirão como sombras a nos lembrar que também temos deficiências, também não controlamos nada, também tentamos resistir bravamente ao mundo que nos cerca e desafia... 

Não tenho medo de meus fantasmas, mas preciso transformá-los no que me agrada... São nossos fantasmas que nos dizem que não somos de ferro. Que já caímos e iremos cair inúmeras vezes, e que a vida é imperfeita mesmo.  Mas quem disse que tudo seria só bom?  

Então tenho que concordar com Cony: "Tenho meus fantasmas, e os amo". Eles me mostram que não há o que temer, pois o pior pode estar dentro de nós. E é lapidando o que somos que nos tornaremos pessoas melhores. Não tentando matar nossos fantasmas, mas entendendo que se este nosso metal sofre corrosões, é porque existe beleza não apenas no brilho, mas no contraste entre ferrugem e fulgor...  

Fabíola Simões

Amores bem resolvidos x Pessoas mal resolvidas

Sinto dizer: não há amor mal resolvido. 
Bem ou mal, gostando ou não, o amor acabou por algum motivo. 
E, infelizmente, as pessoas de fora tendem a achar que era um amor lindo, fantástico, sem defeitos, e ficam tristes por algo que não conheceram de verdade.  

A verdade é que SÓ quem viveu um amor, sabe de seus sabores e (eventuais) dores. 
Portanto, não jogue seu romantismo e sua ilusão do PERFEITO nos ombros de outro casal. Isso só mostra o quanto VOCÊ não superou a perda da SUA ingenuidade, no sentido de achar que contos de fadas - de fato - existem. 
Não, meu amigo, caia na real e aceite de uma vez por todas: AMAR É PUNK PARA TODO MUNDO. 

Fernanda Mello

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...