sábado, 10 de março de 2018

A vida vive sem você

Olha
Eu não quero confundir sua cabeça
Nem posso lhe pedir que me esqueça
Eu só quero paz pro teu coração
Porque
O tempo é a casa da memória
Responde as perguntas na demora
E sem se notar já "foi" o amanhã

Eu já chorei demais
Eu já morri horas atrás
Mas pude perceber que a vida
Vive sem você

Olha
O que passou, passou e não tem jeito
Mas guarde bem dentro do peito
O gosto bom daquele amor
Porque
Têm horas que a ferida cicatriza
Há mundos infinitos, outras línguas
Pra se aprender como ser feliz

Eu já chorei demais
Eu já morri horas atrás
Mas pude perceber que a vida
Vive sem você

Há sempre uma esquina te esperando pra virar
E um sorriso iluminado pra secar
As nossas lágrimas não podem perdurar
Enquanto bate, um coração quer amar

Há sempre uma nova história pra se começar
Um novo amor, outra saudade pra matar
Um dia triste ou feliz pra comparar
Enquanto bate, um coração quer amar


O amor e seus traumas

Todo mundo que já amou e amou direito tem algum trauma. Não tem como fugir.
Porque amar é a melhor coisa do mundo. Mas também dói pra cacete  porque - infelizmente - relacionamento é um dos maiores desafios que existem.
A gente nunca sai de um amor da mesma forma que entrou e - nesses tantos fins e recomeços - a bagagem vai só aumentando. (E nossa lista de traumas também).

Haja paciência para lidar com nossas mudanças internas, inseguranças, incertezas, desconfianças, ciúmes...
Haja tolerância para entender que  o outro - aquele que a gente espera que nos compreenda, acima de tudo - também tem uma pá de cicatrizes que (vez por outra) ainda sangram.
E crescer vai se resumindo a isso: por um lado a gente AMADURECE. Por outro, a gente ENDURECE.

E amar passa a ser difícil, não porque o AMOR é uma faca de dois gumes.
Mas porque onde existe MEDO (e qualquer derivado dessa forte criança), não tem como o amor chegar. E fazer casa.

Por isso, em homenagem aos meus traumas e às feridas alheias (vai me dizer que você não guarda uma?), eu escrevo esse texto.
Porque bagagem boa é bagagem leve. Que a gente segura (sem grande esforço), enquanto o outro toma fôlego.
E descansa da vida.

Fernanda Mello

quarta-feira, 7 de março de 2018

Hoje eu acordei saudade

Tem dia que a gente acorda saudade. E tudo o que o dia pede é uma varanda com vista pro sol e uma cadeira de balanço. Revirar os guardados e desfiar memórias que trazem riso.

Nos dias em que se acorda saudade, tudo a nossa volta faz lembrar alguém, o café da tarde, o fogão a lenha, nós crianças, caçando vagalumes - um amontoado de histórias bonitas. E um mundo que não tinha complicação. No meu ontem o mundo era bonito e sem dor.

Os medos eram sempre remediáveis. E tudo se curava com colo de mãe. Com beijo de vó, banho quentinho, chá e biscoito. Tudo terminava em riso, ou pelo menos, num abraço bom.

O tempo era longo e pressa só existia no dicionário. As tardes eram gastas pulando amarelinha, brincando de boneca e jogando bola na rua. As noites só chegavam depois de muito brincar. Depois era só cair num sono duro, mas sem bicho-papão.

Tem dia que a gente acorda poesia. E tudo o que o dia pede é um mundo colorido, sem embaraços e só quem tem os olhos encharcados de poesia pode ver. Só quem tem olhos de sol é que bate o olho na pedra e vê uma garça. Vê o azul rasgar horizontes. Vê sapo chamando chuva e passarinho trocando asas.

Nos dias em que se acorda poesia, tudo a nossa volta é casa do amor. Tudo tem Deus morando dentro. E nesses dias a gente espera ficar pra sempre.

Cris Carvalho

terça-feira, 6 de março de 2018

A difícil arte de seguir em frente

(Em outras palavras: na hora do aperto a gente apela para a autoajuda, birita, ombro dos amigos, livros bestas e músicas cafonas.)
Por algum motivo as coisas não deram certo. Sua vida seguiu por um caminho e a dele dobrou duas quadras mais para a frente. Você fica se perguntando o que aconteceu, o que deu errado, por que vai ter que enfiar todos os planos dentro da nécessaire, fechar e ficar um tempão sem abrir novamente. 

A gente passa por diversas fases. Sentimos raiva, sentimos dor, sentimos revolta, sentimos desprezo, sentimos saudade, sentimos amor, sentimos medo de nunca mais esquecer, sentimos medo de gostar de novo, sentimos vergonha e receio em repetir os mesmos erros bobos.

Demorei muito para acreditar na mais louca e cruel verdade: quem gosta de você vai te tratar bem. Quem gosta de você se importa, quer o melhor, te procura, te liga, te dá satisfação. Quem gosta quer estar junto. Quem gosta demonstra. Quem gosta faz planos. Quem gosta apresenta para a família e amigos. Quem gosta manda uma mensagem bobinha só pra dizer que ama. Quem gosta carrega uma foto sua dentro da carteira pra ver quando dá saudade. Quem gosta abraça na hora de dormir. Quem gosta dá um beijo de boa noite e de bom dia. Quem gosta aguenta suas reclamações, sua cólica infernal, suas manhas e manias.

Me desculpa, mas não existe medo que seja maior que um sentimento. Não existe timidez que seja mais forte que uma declaração de amor. Não existe distância que deixe uma relação morrer se as duas pessoas querem ficar coladinhas. Não existe estou-dividido-entre-ela-e-você. Quem gosta pode se perder, mas sempre vai saber pra onde quer voltar.

A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.

Infelizmente, antes de seguir em frente tentamos interpretar as ações e atitudes da pessoa indecisa. Ele respondeu assim por tal motivo. Ele falou isso querendo dizer tal coisa. Ele isso, mas tenho certeza que ele aquilo. Quem gosta dá certeza do que sente. Quem gosta te olha com sinceridade. Quem gosta não faz joguinho nem te deixa pela metade. Quem gosta quer te deixar segura.

Por bem ou por mal, precisamos abandonar um sentimento que não traz nada de bom. Simples assim. Basta você se perguntar: é essa a vida que quero para mim? Eu mereço ser feliz? Eu mereço alguém que me ame? Eu mereço alguém que se importe? Eu mereço quem tenha certeza que me quer? Eu mereço ser amada?

O momento em que você percebe que o outro não te quer é mágico. A gente acorda, se sente nova, se sente livre. É claro que não se afoga um sentimento do dia para a noite. Mas a gente tenta preencher aqueles espaços com coisas novas: músicas diferentes, bons livros, trabalho, amigos, decoração da casa, um animal de estimação. Tudo serve para animar, renovar, encher a casa, a vida e preencher o tempo, costurar e remendar nossas feridas. É claro que vai doer, é claro que você vai sentir, é claro que o sentimento ainda vai latejar por um tempo. Mas a gente supera a partir do momento em que decide o que merece.

Clarissa Corrêa

segunda-feira, 5 de março de 2018

Para ser feliz é preciso parar de carregar peso desnecessário

O mundo nos coloca uma mochila invisível assim que vida nos é apresentada. Mas durante a infância, ela quase não carrega peso algum. Porque ainda somos livres; sem horários, sem responsabilidades, sem decepções.
Já quando a adolescência chega, a coisa muda um pouco. Nos bolsos laterais colocamos as primeiras decepções; o primeiro amor que vai embora, o amigo que te apunhala pelas costas, a primeira nota ruim na escola. Mas ainda é um peso suportável, sabe? Mal dá para perceber que se está carregando algo. E por isso, a gente segue em frente com a mochila nas costas.
Os anos passam e começamos a perceber que a mochila não era tão grande assim. Como num passe de mágica, ela começa a se encher rapidamente. Pessoas surgem do nada, bagunçam a sua vida e deixam para trás um passado que, inevitavelmente, você coloca em algum canto ali dentro. A pressão aumenta. As responsabilidades se multiplicam. Faculdade. Emprego. Casamento.
Até que você percebe que a sua mochila está cheia. Cheia de passado. Cheia de fragmentos de pessoas que nunca te completaram. Cheia de promessas que nunca se cumpriram. Cheia de expectativas por um futuro que já aconteceu.
O mundo não te avisa nada sobre isso. Era só uma mochila normal, não era?! O certo não seria você colocar apenas o que te interessasse ali dentro? É você que faz o esforço de carregá-la todos os dias. Você a costura quando surge algum imprevisto. Você a coloca no sol quando a chuva te pega no meio do caminho.
Mas sabe outra coisa que o mundo não te avisa? Que você não precisa carregá-la todos os dias, nem de costurá-la, e muito menos de colocá-la no sol para usar no dia seguinte.
O mundo apenas observa, e espera até você perceber que sequer precisa ter uma mochila.
Neto Alves

domingo, 4 de março de 2018

Sempre tem alguém que nos renova

Todo fim de relacionamento deixa uma marca. Fica a sensação nítida de que nunca mais amaremos. E digo isso por que já passei algumas vezes por esse momento e sei que o sofrimento nunca é opcional: ele existe. Acho que principal diferença é o que fazemos a partir daí.
Há quem se entregue e comece a achar que o fundo do poço é um ótimo lugar para se ficar. Fincar. Criar raízes. E geralmente quem se sente assim é quem pensa que o fim levou tudo: esperança, alegria, prazer. Parece que a Vida só tinha sentido com aquela pessoa e, depois da sua partida, muitas cores do Mundo perderam sua vitalidade.
Mas isso passa.
Passa por que na outra mão temos quem prova do hiato, do tempo cuidando de si e percebe que um término não nos mata, apenas renova a certeza de que amor bom é aquele nos faz bem. Não adianta ficar ao lado de quem tem projetos, sonhos e direções diferentes. Respeitar a individualidade é uma coisa, negligenciar o casal é outra. Então, sabendo que foi melhor assim, tem-se mais chance de voltar a viver mais rápido.
Não que seja uma competição. Se tem uma coisa que é ridícula, isso é aquela mania que os recém-separados tem de disputar para ver quem está melhor em menos tempo. Indiretas, likes em fotos sugestivas, trechos de músicas. É uma idiotice sem tamanho.
Primordial é se encontrar depois que a bagunça é feita. Depois que os sentimentos são espalhados pelo chão sem muito cuidado, que o coração quebra e parece que nunca mais amarelos de novo. Besteira, sabia? Um tempo pra refletir é sempre bem-vindo para, enfim, saber a hora de se renovar. Ou se deixar renovar por alguém. Até por que o Amor não desiste de ninguém. Ele continua a existir e, sem dúvida, mais cedo ou mais tarde volta a insistir em quem sofreu.
O Amor nunca será o problema ou a pergunta tola. O Amor sempre será a melhor das soluções, a mais certeira das respostas.
Gustavo Lacombe

sábado, 3 de março de 2018

Medo do amor

Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele. Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá. É ficar intranquilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele. Antes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido. Está sempre baseado numa repetição do passado. E acha que a vida será como todos aqueles dias idos. Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma. Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las. Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo. Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo. Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou.
Quem tem medo do amor, pra se preservar, não se permite delirar lindamente…e perde a parcela mais deliciosa que o amor prometeu…por medo de amar.
Marla de Queiroz

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...