quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Apaixone-se por alguém que adore a sua companhia

Outro dia li uma frase que dizia mais ou menos assim: “Não trate como prioridade quem só te trata como opção”, e fiquei pensando nos amores rasos que de vez em quando vejo por aí.

Tenho visto muita relação desigual, e por mais que um dos lados viva de esperanças, na expectativa infantil de que tudo pode mudar num piscar de olhos, é preciso enxergar os fatos como eles são.

Já ouvi muito a história: “A gente não escolhe quem vai amar”, mas será que é isso mesmo? Será que não podemos escolher o que fazer de nós mesmos quando estamos amando?

Nem sempre o coração está certo, e podemos entrar numa “canoa furada” pela simples dificuldade de sermos amorosos com nós mesmos.

Amor nenhum deveria doer. Amor nenhum deveria impor angústia e sofrimento. Amor nenhum deveria fazer você duvidar se o outro sente amor e alegria na sua companhia.

Acredito sim que a gente escolhe quem amar. E muitas vezes repetimos erros porque não aprendemos a ser gentis e generosos com aqueles que deveríamos colocar em primeiro lugar: nós mesmos.

Apaixone-se por alguém que adore a sua companhia e escolha estar com você sob o sol forte ou embaixo de uma chuva fria. Alguém que sinta a sua falta e demonstre que precisa do seu abraço a qualquer hora do dia.

Apaixone-se por alguém que goste do seu cheiro, que aprecia suas ideias e admira suas atitudes. Alguém que não titubeie ao andar ao seu lado nem tenha a intenção de guarda-la só para si.

Apaixone-se por alguém que assuma que lhe ama, alguém que tenha orgulho de ter sido cativado por você.

Apaixone-se por alguém que valorize seus gestos e escute sua opinião. Alguém que lhe queira sempre por perto, e que sinta saudades se você demora.

Apaixone-se por alguém que lhe dê segurança, alguém cujas atitudes dizem mais que mil “eu te amo” recitados da boca pra fora; alguém que faça valer a pena, pois sabe que não é todo dia que é possível encontrar alguém como você.

Apaixone-se por alguém que ame a sua risada e queira ter consigo todas as suas manias; alguém que lhe enxergue como uma pessoa especial e não vacile na hora de ter você como companhia.

Apaixone-se por alguém que releve suas variações de humor e se divirta com sua euforia; alguém que segure forte a sua mão numa turbulência e comemore as vitórias com alegria.

Apaixone-se por alguém que não tenha medo de se comprometer e amar; alguém que não tenha dívidas nem dúvidas, e que esteja disposto a fazer do encontro de vocês uma história especial.

Apaixone-se por alguém que não desista de você quando faltar grana, quando a receita daquela torta der errado, quando você passar mal, quando uma briga boba afastar vocês dois.

Apaixone-se por alguém com quem você não precise insistir para ficar; alguém que deseje estar ao seu lado por vontade e prazer; alguém que tenha a definitiva certeza de que fez a escolha certa ao querer você…

Fabíola Simões

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Das coisas...


Das coisas que sinto e não digo, mas demonstro
Das coisas que consigo ignorar por completo, porém dão uma preguiça danada
Das coisas que, nas entrelinhas todas das minhas emoções, sussurro uma mensagem

Das coisas que me deixam sem escrita, sem ar e inundam a alma
Das cosias que acredito, que me sensibilizam, me deixam à vontade
Das coisas que me silenciam, me carregam no colo e me abraçam de sorrisos

Das coisas que me fazem buscar calma na alma, me embriagam o peito, me transbordam
Das coisas que não adio, que me recuso a silenciar ou esquecer
Das coisas que escondo, que engulo a seco, que desmoronam tudo aqui dentro

Das coisas que me surpreendem e me cativam, me entorpecem os sentidos e deixam meus olhos risonhos
Das coisas que me lembram o tempo todo a ser melhor, a buscar o equilíbrio e a paz
Das coisas que me transmitem sinais, que expõem oportunidades diante dos olhos

Das coisas que me deixam mais disposta e feliz, que envolvem meu coração com saudades gostosas
Das coisas que mudam minhas atitudes, me fazem ir em busca de novas emoções ou revisitar lembranças antigas 
Das coisas que fecham feridas, que espalham sementes, que me apresentam infinitos buquês de carinhos

Das coisas que, independente de todo desgaste, ao final valem todo esforço, me acolhem, me despertam para o momento 
De todas estas coisas citadas e outras tantas que também, por vezes, encobrem meu riso,
Mas me fortalecem, me aconchegam no vazio, me transportam, me fazem ir desocupando abraços, admirando belezas cada vez mais escondidas todos os dias
♥

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A diferença entre "ser amado" e "ser útil"

Você ter utilidade pra alguém é uma coisa muito cansativa. 
Ta certo, realiza. Humanamente falando é interessante você saber fazer as coisas, mas eu acredito que a utilidade é um território muito perigoso, porque muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. 

Ele ta interessado naquilo que a gente faz por ele. 
E é por isso que a velhice é esse tempo que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. 

Porque só nos ama / só vai ficar até o fim, aquele que depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus, sabe? Sempre faço à Ele, a oração D’Ele. Poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. 

Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade, né... 
De ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor. 

Quando eu viver aquela fase na vida: põe o Pe. Fábio no sol… Tira o Pe. Fábio do sol… 
Aí eu peço à Deus sempre a graça de ter quem me coloque ao sol, mas sobretudo, alguém que venha me tirar depois. 

Alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que sabe / que possa saber que eu não sirvo pra muita coisa, mas que eu continuo tendo meu valor. 

Porque a vida é assim, minha gente, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. 

Quer saber se você ama alguém? pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você, sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? 
É assim que descobrimos o significado do amor. 
Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. 

Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: “você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você”.

Pe. Fábio de Mello

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Amor também é desistir

Deixa eu te dizer uma coisa. Nem tudo que a gente quer ter, quer dizer que é realmente bom pra gente. Às vezes a gente tem uma mania de querer empurrar coisas que não fazem mais sentido na vida da gente por medo de encarar a realidade. Às vezes a gente acha que colocar toda sujeira pra debaixo do tapete e continuar em algo que não vale mais a pena, é o melhor caminho. 

A gente erra ao pensar que o amor é permanecer, é suportar absolutamente tudo e ficar independente de qualquer coisa. Mas a verdade é que o amor é, também, cair fora quando o outro não te respeita. É ir embora por que o sentimento não é recíproco, é deixar pra trás aquilo que não te acolhe mais, aquilo que só te machuca. Amor é saber abandonar o barco quando você estiver remando sozinho, é desatar os laços que se transformaram em nós apertados.

Amor é entender que nem sempre a gente fica com o amor das nossas vidas, que amar alguém pode durar uma semana ou uma vida inteira, mas que o amor deixa de fazer sentido quando só um está disposto, quando só um quer fazer valer. Amor é saber seguir em frente sozinho, é se virar com a dor da saudade e aceitar que um dia ela para de doer e você volta a agradecer pelo que foi embora. Amor é ter a consciência de que, se você se doou por inteiro e mesmo assim, o outro não enxergou a tua entrega, quem perdeu não foi você.

Amor é ter que abrir mão de alguém que você gosta pra caralho, porque você, por mais que tente, não consegue enxergar mais razões pra permanecer ali. Amor é ter coragem de dizer: ''chega'', de virar as costas, de se desligar de alguém que nunca está disponível pra você. Amor também é ter coragem de pôr um fim ao invés de adiar algo que já acabou faz tempo só porque você não consegue aceitar.

Até que ponto vale a pena ficar com alguém que não te traz paz, alguém que te tira do sério, alguém que estraga o teu dia, por amor? Uma hora a gente entende que amar alguém requer esforço dos dois lados. Que o amor não é uma disputa de quem alcança a linha de chegada primeiro, amor é caminhar lado a lado. E que amar a dois pode ser prazeroso quando se tem reciprocidade, mas quando isso não existe, se amar já é o suficiente. 

Dizem que a gente deve insistir, persistir e jamais desistir de algo que a gente quer muito. Mas a gente só deve insistir naquilo que realmente vale a pena, persistir no que faz bem e nunca desistir de quem quer ver a gente bem. Amor também é expulsar tudo aquilo que só te traz caos, porque o amor não deve ser um problema e sim, a solução. 

Iandê Albuquerque

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Felicidade necessária

Eu queria ser feliz e mal sabia que a tão urgente e excitante felicidade, em papel fotográfico colorido era um milagre, um nó que aguardava um expert para desatar. E o eterno gosto incômodo de buscar a aurora boreal como saída para a minha sobrevida me encurralava nas coisas mais comuns. A memorável, inesquecível e poderosa felicidade, existia apenas na casa ao lado, na próxima esquina, no botequim de sexta-feira. Era como buscar o centro do mundo no buraco mais frívolo do asfalto. Custou, mas entendi o direcionamento que a vida estava emoldurando, pelo menos para mim.

A felicidade não é aquele prêmio escroto cheia de improbabilidades, colocada bem no topo da prateleira, onde quase ninguém consegue alcançar.

De brava sofredora, passei a ser espiã dos minúsculos bocejos de alegria e enchi minha agenda com todas as badalações felizes. Suportei também o peso dos meus dias vazios, e por fim passei a comemorar minha vida, sem franzir a testa. Acabaram as frustrações. Felicidade era toda a situação libertadora que eu estava acostumada a viver e nem me dava conta disso.

É o leite quente logo cedo. O café que não entornou no fogo. O meu cãozinho lambendo meus pés, de pura alegria pela minha chegada. O meu chocolate predileto. Um dia de descanso depois do trânsito maluco. A comemoração do primeiro beijo. O tênis confortável. O perdão por um erro sem intenção. É visitar o passado borbulhante de boas lembranças e reler pilhas de bilhetes sem a dor da amargura. É saber cuidar do que ficou depois que ele se foi. Ser hospitaleiro quando os sentimentos baterem à porta. A felicidade pode ter uma forma imensa ou apenas o tamanho da palma da mão. Isso tanto faz, pois o resultado possui a mesma dimensão.

Felicidade assim é absolutamente imprescindível. Necessária e insubstituível. Faz parte da ala de sobrevivência, pois não projeta objetivos inalcançáveis. Felicidade necessária que eu, tu, ele e todos os outros necessitam.

Hoje, eu deito e rolo nas misturas simplificadas, pequenas e com um pouco de cor, incluindo as informalidades deliciosas que trazem a simples felicidade, tal como um cafezinho quente nos dias frios.

Felicidade é isso, aquilo e aquilo outro. É a verdade esquecida sobre mim mesma. Posso correr para todos os lados, sempre com a impressão de que se houver uma razão pequena que me arranque um alívio, um suspiro, um sorriso, convenço-me de que é a felicidade necessária.

Ela é divertida, transitória, passageira, rápida, para dar lugar à outra situação simples, comum, mas imperfeita e feliz.

Agora, conforme a demanda do momento, posso ficar feliz com um simples bom dia acompanhado de um sorriso iluminador ou com um abraço inesperado. Estar feliz minimiza o efeito da insegurança, da confusão afetiva e de outras tiranias. Esse sentimento de pertencimento à felicidade parece que nasceu junto com a minha impressão digital e entre as minhas prioridades, estar feliz é quase um código de conduta, uma senha obrigatória. É conferir de perto o arranjo feito entre o acorde e a partitura. Eu entendi isso, e agora aceito todos os imprevistos felizes. Aceito ter como hóspede, a tal felicidade necessária de cada dia, amém.

Ita Portugal

terça-feira, 9 de agosto de 2016

...


Não existe explicação para ser tomado de amor, alegria e gratidão. Um dia, simplesmente, as coisas fazem sentido, principalmente situações aparentemente desagradáveis do passado. Então você percebe que quando não conseguia andar, é porque estava aprendendo a ficar parado pra pensar mais, observar mais, cuidar de outras coisas que estavam sendo negligenciadas pela sua falta de tempo. A gente corre demais o tempo todo, mas isto não faz o nosso dia maior, isto só faz o nosso dia ser mais cansativo e nos empobrece. Por isso as pessoas perdem a beleza da segunda-feira porque passam as horas todas da semana esperando a sexta. E pouco se dão de prazer quando chega o fim de semana, porque além de tudo, se deprimem no domingo. 

Há tanto a ser vivido de maneira mais leve, mesmo dentro desse turbilhão de trabalho e estudo e correria para ver quem acumula mais bens materiais. E todos esquecem que o corpo pede um olhar mais minucioso, os dias pedem mais admiração, as pessoas são mais importantes que as coisas e os acontecimentos são aprendizados, eternos aprendizados. As pessoas estão esquecendo que têm o direito à escolha e que cada um tem que passar por todas as estações do ano. 

Tenham sensibilidade para que a arte, por exemplo, penetre verdadeiramente o coração de vocês. Tenham consciência de que a espiritualidade é um ato de amor e liberdade. Tenham vontade de alegrias cotidianas se dando um pouco mais de mordomia emocional quando tudo está dando "errado". E exerçam o autoamor: ao se colocar nos 5 primeiros lugares você vai se fortalecer a ponto de poder, um dia, ajudar verdadeiramente alguém, ou amar sem posse, ou estar feliz sozinho, ou......(complete a frase). 

Marla de Queiroz

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha

Depois de um longo relacionamento e de ter conhecido algumas pessoas que não me agradaram tanto pelo modo que elas agiam, quanto pelo simples fato de não fazerem absolutamente nada. Hoje, é dentro do meu limbo que eu encontro paz e me sinto satisfeito.

Ando com preguiça de me dispor e me despir pra alguém pela milésima vez, preguiça de começar do zero e ter que contar toda a minha historia outra vez, ter que voltar pro grande jogo das conquistas e planejar encontros. Ando com preguiça de conhecer alguém, enviar uma mensagem e ficar grudado no celular esperando por uma resposta que demora pra chegar e às vezes nunca chega, preguiça de reservar algumas horas da minha vida pra sair com alguém e no outro dia, ter que lidar com o sumiço da pessoa. Não tenho esperado mais resposta de ninguém e tenho tido pavor de responder alguém que não sejam os meus amigos.

Dizem que ninguém consegue ficar sozinho por muito tempo, que viver ao lado de alguém, ter alguém pra cuidar de você é essencial na vida. Mas eu estou ótimo me cuidando sozinho e não acho que ficar sozinho seja o fim do mundo se você está sempre disposto a descobrir coisas novas pra manter o teu mundo maior e tua vida bem mais interessante. Eu não preciso de alguém pra me fazer rir, pra me dar um cafuné antes de dormir, pra me trazer café na cama e pra me apresentar bandas que eu nunca ouvi. Dizem que uma hora chega sua vez, uma dia o cupido acerta a flecha, em algum um momento o amor esbarra na gente e quando isso acontece, não tem pra onde correr.

Não sei se fiquei desinteressante ou se me tornei mais exigente e maduro. Não sei se está cada vez difícil encontrar uma parceria real numa época em que os aplicativos de pegação, a falta de interesse somada a falta de tempo tem transformado as pessoas em seres totalmente desinteressantes pela apatia. O fato é que cheguei num momento que cansei de estar sempre disponível pras pessoas que cada vez mais parecem estar indispostas, cansei de tentar e de pensar em tentar mas acabar não tentando porque o interesse acabou antes disso. Cheguei no momento só meu – e talvez, você que esteja lendo isso também tenha chegado – isso não deve ser ruim se você se sente bem consigo mesmo e confortável pra fazer o que quiser, quando e onde quiser.

Chega um momento que as pessoas vem e vão, vem em vão. Nada contagia, parece que nada é bom o suficiente pra ficar. Ninguém é capaz de te devolver aquele brilho no olhar que todo apaixonado carrega consigo, ninguém é tão bacana o suficiente pra te puxar do limbo. A gente passa por cada coisa, recebe tantas pedradas ao longo do caminho, coleciona mais algumas decepções e tapas na cara que quando a gente amadurece, a gente passa a exigir mais do outro sem nem saber se o outro já passou pelas mesmas estradas que a gente percorreu. E então aquela frase do Arnaldo Antunes passa a fazer todo sentido pra gente: ”Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha”.

Iandê Albuquerque

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...