quarta-feira, 3 de abril de 2013

Desconforto

Esse vazio definitivamente não me serve.
Minhas palavras escritas permanecem do mesmo jeito, exatamente como sempre foram. Mas hoje bem menos doces e, quem sabe, soem até um pouco ásperas ou ácidas.
Mudança de lua talvez explique um pouco disso.
É quando, de alguma maneira, trago à tona as partes que mais me doem.
Então sabemos: logo passa.


A verdade é que já tive dias bem mais felizes por aqui. É fato.
Como se houvesse sempre uma música de fundo, capaz de me fazer levantar da cama, todos os dias, com meu mais terno sorriso de entusiasmo.
Quem ama aquilo que faz sabe bem disso. As mais sinceras tentativas de se fazer florir esperanças que andavam adormecidas, dando outros ares ao que parecia tão desfigurado. Colocando seu jeito, sua maneira em cada tarefa, criando alternativas de melhorias, cultivando com carinho o lugar onde deseja plantar seu jardim.


Mas, em algumas circunstâncias de nada adianta insistir tanto nas mudanças. Em querer transformar algo há tanto já acostumado ao mais difícil e burocrático.
São totalmente infrutíferos os solos.
Persistir apenas resultará num profundo cansaço de toda nossa experiência.
Até desanimarmos e, exaustos tanto mentalmente quanto emocionalmente, optarmos por nos rendermos. O tal ponto final.


Mesmo que se teime em não aceitar o óbvio, em não admitir e respeitar o próprio esgotamento, inevitavelmente, desistiríamos.
E exatamente por já não mais sermos capazes de carregar tanto peso.

Já abri meu coração quando pensei jamais ter coragem para tanto. A ponto de rever minhas atitudes, de voltar atrás, reconhecer um erro e pedir perdão.
Já trabalhei incansavelmente sem esperar retorno, alguma recompensa ou prêmio de consolação.
Mas confesso, esperei por um agradecimento, um elogio pelo trabalho feito. Que nunca veio diretamente. E, era amor tudo que eu guardava.


Mas chega um momento que cansa viver somente para se agüentar. A gente vai esticando a corda até o limite do suportável, mesmo sabendo que isso, invariavelmente com o tempo, tende a encolher nosso coração.
E este aqui anda tão pequeno, apertado, diminuído. Perdendo um pouco das forças, de tanto resistir em admitir de que no fundo não passo de um mero dado estatístico.


Hoje foi um dia difícil, sensação de que por mais que se faça e se empenhe, nunca seu esforço será valorizado. E isso vai cansando.
Como é chato a gente acabar por se acostumar tanto. Quando se dá por conta, o tempo passou rápido demais e suas metas ficaram pra trás.
A gente vai percebendo, timidamente, o quanto se quer bem mais. De repente, todos aqueles indícios se mostram claramente diante dos nossos olhos lembrando que o plano era outro.


Difícil manter-se escravo de um bom comportamento o tempo todo sem, por vezes, chegar a sentir raiva em ter quase que mendigar atenção para se sentir confiável e capacitado. Parece que para ser uma pessoa boa, é preciso estar sempre provando ser ainda melhor, mais capaz o tempo todo, 24 horas por dia. E ainda assim, não é garantia de que seja suficiente.


Já acreditei um dia, que com o tempo, o tal reconhecimento viria. Talvez essa perspectiva um tanto utópica e romântica da pessoa aqui, tenha sido o fator principal que tenha me motivado até então. Hoje meu rosto não reflete mais isso, meu amor diminuindo dia a dia e o coração, acumulando decepções.
Certo protecionismo a um lado, benefício de folgas aos que menos ou nada fazem e sobrecarga de trabalho e cobrança aos em menor número e que mal têm tempo de almoçar com calma. Algo absurdamente injusto. Como se ninguém soubesse, ninguém percebesse.


Nas pautas sempre surge a tal “força tarefa” a ser feita, o que na prática raramente acontece. A falta de comprometimento profissional aliado à dificuldade em assumir responsabilidade de um setor, destrói por completo todo sentimento de equipe de outro.


Há desentendimento no conjunto, um festival de desencontros, uma impossibilidade de compartilhar as coisas já que parecem não falar a nossa língua.
A verdade para mim realmente é um grande desconforto. De um lado a gente abraçando o mundo por idéias, carregando um imenso peso no peito, infinitas vezes e, de outro, uns tantos resistindo em cooperar o máximo que podem, até aniquilar por completo todo nosso empenho.


Definitivamente, não sei fingir que está tudo bem. Se fingimento agora é motivo de orgulho e honra, prefiro me calar. Por que aí já se falou tudo e o melhor é não dizer mais nada. Seria inútil. Eles não compreenderiam.


Se há mesmo verdade na dificuldade dita em encontrar uma única ajuda a determinado setor, não seria interessante valorizá-lo em tempo já que parece tão escassa igual qualidade no mercado?
Ou é preferível perdê-lo por completo pela total falta de interesse em demonstrar o quanto ele importa à equipe toda?


De nada adianta descobrir tarde demais todo afeto, empenho e dedicação. Uma hora o cansaço de não ser olhado, de alguma forma, encontrará o seu jeito de ser plenamente visto e mostrar quem é mesmo que manda.


Como já escrevi diversas vezes, não compartilho da idéia do “ir empurrando com a barriga” até onde se puder agüentar. Feito às tais “reticências” que tantos adoram. Muito menos quando estas mesmas reticências se fazem perpetuar em nossas rotinas.
Sei o quanto é preciso ter paciência. Na verdade, vários estoques dela. Mas não faço experimentos com os limites da minha. Pareço, só pareço.


Aquilo que faltava lá no início de tudo, continuou a faltar do mesmo jeito, ainda que houvesse sinceridade nas partes que buscavam confortar a gente de alguma maneira, não houve qualquer mudança ou desejo de.
A não ser no meu olhar diante de tudo, que agora anda diferente.


Mas, com o tempo a gente aprende a fechar a porta, não levar pra casa. Continuar é a quinta marcha e com ela a gente não encontra congestionamento. O que é algo bom. Sai pra desopilar, desabafa. Aprende a cuidar da gente mesmo e, principalmente, a buscar aquilo que importa de fato, tudo o que dá sentido à nossa vida, que nos move e emociona.
Todas as longas caminhadas, de um jeito ou de outro, nos tornam mais fortes.
E, ao reorganizar sua volta ao que mais te faz feliz, percebe que tem um lado que reconhece a dedicação naquilo que ama. E te conforta, mesmo sem ter a mínima idéia do que a deixava tão desanimada e triste até então. Aí você chega em casa, brinca com os filhotes ao som de OTM, e tudo volta a ficar colorido! Bichos são sempre ótimas compensações. E, trilha sonora mais que bem vinda. Música talvez seja a única ilusão realmente necessária atualmente.


A vida segue, afinal.

“Hoje tenho da verdade outra impressão. Dar a vida por um amigo, acho que a única coisa nobre que existe é dar a vida pelo outro, o resto sai barato e quase nunca vem do coração, tudo vem do cérebro, o coração serve para bombear o sangue, só, só. A gente sente com o cérebro”. (Martha Medeiros)


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

(...)



Até quando é outra pessoa, é você...

One step...

(...)
One step closer
One step closer
I have died everyday waiting for you
Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more

And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more
(...)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Três (quase) Amores

A razão do título deste post é por conta do primeiro livro que li de Claudia Tajes: “Dez (quase) Amores”.

No momento, tive até então três grandes e profundos amores. Que me fizeram perder o rumo, o tino e, porque não dizer, a paz. Mas também me levaram às nuvens, ao encantamento puro, incondicional, pleno. Com eles, as sensações de borboletas no estômago, frio na barriga, mãos gélidas e pernas bambas fizeram-se constantes. Coisas até então totalmente desconhecidas pela pessoa aqui.

Importantes, especiais, inesquecíveis. Porém, todos com uma carga de certeza de que poderiam ter ido muito além, ter tido mais tempo, mais histórias para contar pra se lembrar com carinho e se guardar para a eternidade. Feito lembranças sensíveis que a gente deixa em porta retratos, grava na memória e carrega com carinho no coração.

Foram em épocas distintas, pessoas completamente diferentes, sem qualquer tipo de ligação ou afinidade entre elas.
Em comum o fato de eu sentir quando os encontrarei, quando terei notícias, algum sinal de fumaça ou algo do tipo. Por razão que desconheço, mas que sempre acontece.

Semelhantes também nas razões dos afastamentos: o medo. Medo meu, medo seu, medos nossos.
Tanto faz.
Dois deles do signo de Capricórnio. O outro, de Peixes.
E, todos, amores de primavera, estação das flores.
O primeiro, da adolescência, da vizinhança. Estávamos sempre perto, mas nos desencontrando pelos acasos da vida também. Até o dia em que o destino deu um empurrãozinho e nos encontramos na mesma festa. E aí, não mais nos desgrudamos. Tempos depois, nossos objetivos tomaram rumos distintos e a faculdade fora do País nos fez afastarmos por completo. Nosso receio de algo se perder entre estas idas e vindas foi mais forte. O medo de nos machucarmos nas nossas ausências falou muito mais alto. E aquele instante que sempre se fez tão presente ficou cada vez mais raro, em tempo indefinido, distante.

Na época da faculdade conheci meu segundo “quase” amor. Como quem se sente muito mais à vontade entre estranhos, nos descobrimos entre os desconhecidos do fundo da sala de aula. Gostos em comum, hobby de nadar. Risos e sorrisos que, com o passar do tempo, se encontraram na mesma batida. Mas nossos compromissos nos impediam de ir além de um encantamento mútuo. Nos envolvemos algumas vezes, mas o imenso medo de me machucar por tudo que sentia, me fez colocar os dois pés bem firmes no chão e optar por esquecer, fugir, sumir. E, como quem se esforça para ser maduro, perdemos o contato.

No aniversário de um conhecido, há pouco mais de dois anos encontrei meu terceiro “quase” amor. E último até então.
A todos aqueles que só conseguem perceber e enxergar a casca e ignoram por completo aquilo que se passa na alma da gente, saibam que até estar diante deste, duvidei sempre das historias contadas sobre amor à primeira vista.
Foi de um encantamento instantâneo no primeiro olhar. Algo hipnótico, mágico.
Talvez dentre os três, aquele pelo qual mais fiz loucuras, mais abri mão da minha vida para fazer parte da sua, para conhecer, para ter por perto e, que, durante certo tempo acreditei que pudesse sentir o mesmo. Mas os gestos se justificam, sempre. E minha espera por alguém que nunca conseguiu vir chegou ao fim ao perceber que aquele “passo a frente” jamais seria dado. O medo de se perder o controle por vezes fala muito mais alto.

Como canta o queridíssimo Fernando Anitelli em sua belíssima “Cuida de mim”,

“Pra falar a verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer às vezes o que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo”

Ou seja, quase um blefe (risos).
Semelhante à sensação dos amores que tive até hoje. Dentre todas as paixonites, flertes, namoros e afins, estes três foram realmente aqueles que marcaram de alguma maneira minha vida. E, por esta razão, não necessitam de legendas, estiveram no seu tempo, na mesma sintonia.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

(Des) Encantar-se

Desde o primeiro instante soube que aquele seria um amor bonito.
Mas, acreditou que tão somente esta certeza bastaria.
Sorriu, se encantou, amou absurdamente, sonhou alto, foi feliz querendo muito esquecer o caminho de volta.

Decepcionou-se, chorou, sofreu, sumiu, perdoou, cresceu.
Feito alguém com a praticidade dos conselhos quando o sentimento é alheio, camuflou os seus, fugiu, se protegeu. Despertou para um vazio e se ocupou dele por uns dias, talvez meses.

Ressurgiu, conquistou, fez pessoas felizes, se apaixonou, brincou, decepcionou, fez sofrer, pediu perdão, amadureceu.
Acreditou na coragem como forma de desapego e desconstrução daquilo que ainda perturbava e doía.
Como quem troca sonhos por objetivos, trouxe para dentro uma frieza surpreendente.

“Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar. O dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar”.

Optou pelo simples fechar dos olhos, pelo decidir não mais dar aquela olhadinha no passado, pelo dar de ombros, não se importar.
Desistiu de entender o medo que tanto impede de se dar um passo a frente.
Assim como quem perde as forças diante das resistências, mudou seus planos.
Não reclama, nem lamenta. Não há qualquer tipo de arrependimento.
Mas aquela interrogação do “como seria se” por vezes se faz presente.
Não a consome, não a absorve mais, reorganizou suas prioridades.
Soube se reinventar.

“Tem dia que parece noite e a tristeza parece poesia. Tem motivo pra viver de novo, tem o novo que quer ter motivo”.

Mesmo sendo aquela que exigia sempre estar possuída por algum tipo de encantamento, aprendeu a doar-se menos, a exigir-se bem menos, a perdoar-se também.
Hoje não se preocupa em saber por onde anda os badalos de sinos, a sensação de borboletas no estômago.
Quer apenas aquilo que venha a somar, o sentir-se confortável, compartilhar frutos.

Não, não desistiu do amor. Tem seu olhar ainda doce, puro, tranqüilo.
Mas duvida até que se prove o contrário, até poder novamente acreditar com seu coração isento, livre de opiniões e pré-julgamentos.

E, assim, encantar-se uma vez mais.

“Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais. É querer saber demais”.



* Sonho de Uma Flauta (Pingos ”Mágicos” de OTM)



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pauta da Semana

Hoje não vou falar só por falar, tão pouco ouvir só por ouvir.
Hoje escrevo a pauta da nossa reunião semanal mais especial e importante até então. Assim, feita no improviso, sem seguir roteiro algum, apenas deixando a conversa acontecer naturalmente. Sem pressa, sem antecipar minhas palavras.



O meu tempo de dizer é outro. Mas ele vem.

Errei meses atrás, ferindo com palavras duras e inapropriadas a pessoa mais generosa e de gestos mais doces que conheci este ano.
E, por razões óbvias de hierarquia e respeito, falhei. Absurda e inadmissivelmente, falhei. Não passei a limpo algumas lições de casa e permiti que o tempo nublado em meu rosto me impedisse de sintonizar a freqüência do que realmente importava. Justamente com quem mais acreditou e apostou em mim.

Mas a vida nos abrilhanta com situações de aprendizado, sempre. E, afinal de contas, o que realmente nos move e emociona de fato? Eis a pergunta que martelou meu peito durante dias, meses. E doía tantas vezes mais ela se fazia presente. Porque tinha a resposta imediata aqui dentro: meu trabalho. Eis a verdadeira razão de minha felicidade. Minha prioridade, meu foco principal.



E a dor vinha com a força dos olhos de inverno. Tristes, solitários, amiúdes. Mas carregando junto de si toda a sinceridade do mundo e também a certeza de que era preciso tentar CONSERTAR.
Verbo cruel este, o de “consertar”, voltar atrás, rever, reavaliar, me ajoelhar, se preciso fosse, mas trazer a linha de volta. A linha do equilíbrio, de se fazer o certo, feito um passeio que se faz junto, perto, na mesma sintonia.



Buscar retomar a confiança e carinho que a gente recebe, mesmo nas temporadas mais difíceis, de quem se recusa a desistir da gente. Era preciso fazer algo. E então, fiz.
Hoje, 11 de dezembro de 2012, curvei meu coração em reverência. Respeitei meu tempo de admitir e assimilar o erro e, com toda calma e cuidado do mundo, pude fazer o mais sincero pedido de desculpas de minha vida.



Era o que faltava para me devolver a paz, para tentar corrigir a injustiça feita e que, durante certo tempo, camuflou de tristeza e arrependimento o meu riso mais gostoso. Aqui, por dentro também havia me deixado ferir imensamente.
A gente sabe que não há como mudar ninguém, que as mudanças que esperamos, só podemos promover exclusivamente na nossa própria vida.
Que isso é o que traz o verdadeiro crescimento. E meu desejo sempre foi ir de encontro ao amadurecimento. Rumo à vontade bonita, toda minha, de aprender mais, de evoluir.



Mudei muito nos últimos anos, mais até do que já consigo notar. Este ano, em especial, dei um salto e tanto na minha maneira de ver a vida, nas minhas escolhas e reorganização de minhas prioridades. Sei que há muito ainda a aprender, a corrigir, melhorar, mas a vida é um constante aprendizado e, devagarzinho, vamos indo.
Aprendi a ser mais maleável, mais tolerante, mais flexível, bem mais paciente também. E aprendi isso no trabalho, com as pessoas que hoje me cercam.

Em todas aquelas dificuldades surgidas e que, juntos modificamos. Pela leveza reinventada e transformada ao longo do caminho, por poder contar em qualquer tempo com quem tem o dom de ouvir além dos olhos. Algo que jamais presenciei por todos os lugares que passei.


Aquele cuidado espontâneo com os outros, tão raro de se encontrar por aí. De quem, sem muito esforço, capta com exatidão toda a textura do sentimento alheio. E se importa muito com isso.

A tal sensibilidade que tanto me define e me caracteriza me fez perceber a tempo algumas sutilezas dos pequenos gestos, sorrisos e atitudes.
Tudo aquilo que me torna mais singular dentre todos os meus “infinitos e rotineiros plurais” e que, por vezes, me deixa tão previsível, por incrível que pareça, foi exatamente o me trouxe de volta, junto ao espelho da minha alma. O que me fez enxergar nitidamente tudo o que até então me incomodava, que precisava ser revisto com mais carinho, mais atenção.

A tempo de poder me desculpar diante de quem sempre teve um jeito de ouvir muito além dos olhos, de ver além dos ouvidos. De quem tem a espontaneidade do “sorriso no olhar”, que nos inspira e nos estimula a vestirmos a camiseta, pegar junto, abraçar a idéia, de sorrir sempre, de se estar feliz fazendo aquilo que se ama, de ir de encontro ao nosso objetivo principal, de se fazer sempre o melhor, de não desistir, de acreditar na qualidade ideal, na possibilidade dos 100%.



Fiz o que precisava ser feito. Fiz de todo o coração.
Por toda inocência que existe nesse seu coração bonito, pelo brilho bom que seus olhos dizem e que eu tanto admiro: Meu mais sincero agradecimento.




Responsável pela pauta: Nádia Baldi

Se não ele, quem?

Sábado, 8 de dezembro de 2012. Não, não fui à inauguração da Arena. Minha grande amiga Beta vinha de Caxias e, como de costume, organizou o futebol da mulherada com o tradicional churrasco ao final do nosso jogo.

Enquanto jantávamos, assistíamos a toda festa vinda da Arena. Algo maravilhoso, de arrepiar mesmo. Toda organização, iluminação, simplesmente grandiosa, digno de algo de primeiro mundo. Mas aí, somado ao espetáculo que contagiava a todos, haveria também o amistoso contra o Hamburgo, da Alemanha.


Aquele mesmo time que, no ano de 1983, havia sido nosso adversário na conquista do Mundial. Jogo festivo exatamente uma semana do último Grenal do Olímpico e também o mais frustrante empate de todos os demais. Justamente naquele da despedida do Monumental não foi possível comemorar um gol sequer. O favorecimento do mau futebol, do zero a zero, lembrando um jogo típico de gauchão fez nosso grito ficar preso na garganta. E, diante das circunstâncias deste domingo, não tivemos competência e nem sorte na despedida do nosso casarão. Mas, ainda assim, a torcida do Grêmio deu um show com sua avalanche sem gols. Avalanche de um estádio inteiro. Emocionante.


Uma semana depois e já estávamos lá, de novo, em outro importante dia, em outro momento mágico e, de igual ou superior emoção. Mas o local agora era outro. Saíamos então da nossa casa própria para outra. Maior, bem mais moderna, mas alugada por longos 20 anos. Eis a “nossa” Arena.
A escalação do time do Grêmio para esta partida diante do Hamburgo contrariava a obviedade das últimas e, em vez de Marcelo Moreno, o titular seria André Lima.

Ah... André Lima... Centroavante tão contestado por grande parte da torcida. Mas não pela pessoa aqui.
Desde que se autodenominou “Guerreiro Imortal”, assumindo a camisa 99 do clube, passei a acompanhar mais de perto seu desempenho e seu comprometimento com o manto sagrado do Grêmio. E vi surgir um cara digno de uma entrega comovente. De uma vontade absurda de corresponder às expectativas da torcida, de receber o carinho, a acolhida, o mérito por todo empenho, por tamanha dedicação e amor ao clube.


Sim, amor.


Coisa que não víamos há tempos pelas bandas do Olímpico.
Arrisco afirmar que, desde os tempos de um cara chamado Renato no comando do time gremista, não havia então surgido igual “torcedor” vestindo com orgulho o manto tricolor.


Não, não estou comparando André Lima a Renato. Jamais cometeria este absurdo. Afinal de contas não pertencem à mesma geração, tão pouco a mesma posição. E, mesmo que assim fosse, há que se reconhecer o abismo gigante existente entre eles na qualidade técnica e também no coração da torcida. Ninguém se equipara ao grande e eterno ídolo, Renato Portaluppi.
Mas há a imensa semelhança do carinho, respeito, admiração e amor por um clube. Algo muito raro nestes tempos onde a influência dos cifrões é tamanha.

André Lima já foi "moeda de troca" na gestão de Odone um ano atrás. E, fosse outro jogador, sem a mínima identificação com o clube que paga seu salário e, principalmente com a torcida, teria ido embora para o Palmeiras sem o menor remorso.
Mas não. André Lima quis muito ficar no tricolor. E mais que isso. Ficou no Monumental da Azenha, recusando uma suposta transferência ao clube paulista. Mesmo renegado pela atual diretoria, com os “pés feridos”, foi valente sem perder a coragem de buscar a confiança do torcedor.


Não fez corpo mole feito alguns jogadores da dupla Grenal (Gabriel, no Grêmio ou Kleber, no Inter). Descalçou todos os sentimentos negativos da alma e provou no decorrer do ano, ser um cara indispensável ao time tricolor.


Tal qual “carta na manga”, aguardando momento certo de se utilizar feito um curinga, e vencer o jogo.
André Lima está longe de ser uma estrela no nosso Tricolor, mas também está muito além de ser apenas uma aposta.
Um cara que, mesmo sendo reserva do time do Grêmio, se empenha sempre. Aceitou se doer por inteiro até conseguir, com muito esforço, florir novamente. Porque teve fé, acreditou, se dedicou incansavelmente. É o típico jogador que se entrega a cada partida com igual ou superior intensidade daquele quem tem a titularidade absoluta. Este profissional merece, no mínimo, um olhar mais atento.


Há que se saber fazer um balanço de tudo o que aconteceu neste ano no Grêmio, diagnosticar os erros e tentar repará-los, mas, também, insistir naquilo que vem dando resultado.
E André Lima, de uns meses para cá provou estar nesta sintonia com o manto sagrado. É emocionante ver este jogador em campo. E não foi apenas neste jogo, não foi o de ontem. Há tempos percebe-se um profissional dedicado, qualificado e cada vez mais identificado com o Grêmio, com sua torcida.


Mesmo sendo banco, mesmo entrando em poucos minutos, estava lá fazendo a sua parte. E mais do que isso, fazendo gols. Então, quem mais merecia fazer o gol de estréia da Arena, se não ele?


Uns dirão: ora bolas, Zé Roberto que é o craque do time.
Confesso, não ficaria triste se o atual camisa “dez” fosse o autor do primeiro gol na Arena ou qualquer outro jogador do Grêmio. Mas minha torcida maior foi sim para que o mérito ficasse por conta da dedicação e empenho deste cara chamado André Lima.


E que prova maior de sintonia com a torcida do que a sua comemoração após o gol na Arena? Que outro jogador ousaria igual atitude? Se não ele, quem?


Chega a ser engraçado como a grande maioria das pessoas se surpreende muito mais com uma dose extra de afeto e admiração do que com a indelicadeza propriamente dita e que tanto nos embaça a visão.
Muitos lembraram da pessoa aqui e desta idolatria pelo camisa 99 do Grêmio tão logo ele marcou o primeiro gol da história da Arena.


Mas raros foram os que se emocionaram e se importaram de fato com esta façanha. Com o jogo em si que, por ironia do destino, encerrou com uma vitória do tricolor e no mesmo placar do ano de 1983.


Ao meu “queridinho”, meu desejo de que permaneça ainda por muito tempo vestindo a camisa do Guerreiro Imortal. O importante é saber criar espaço, não se importando com o tamanho dos apertos.

E a pessoa aqui, ao seu lado, mesmo que você não saiba, mesmo que você não veja.

Saudações tricolores...


Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...