segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Nossa Biografia

Gostei da entrevista que a atriz Jane Fonda deu, semanas atrás, para divulgar sua biografia recém-lançada - Minha vida até aqui. Aliás, excelente título. Geralmente biografias pressupõem um início, um meio e um fim. Jane Fonda deixou em aberto o fim: aos 67 anos, ainda pretende colecionar aventuras e emoções para quem sabe publicar uma parte dois.
Não li o livro, mas na entrevista ela diz que seu casamento com o deputado Tom Hayden, a certa altura, deixou de dar certo e, como ela não quis admitir o fracasso, optou então por se divorciar dos seus sentimentos.
Quantas vezes fazemos exatamente isso: em vez de assumir que estamos cansados, frustrados, derrubados por uma desilusão, optamos por fingir que está tudo na mais perfeita ordem e, para não passar pelo estresse de romper um casamento/pedir demissão/trocar de cidade/ou o que for, a gente simplifica: se divorcia do que está sentindo - ou seja, de nós mesmos. E botamos um farsante pra existir no nosso lugar.
Romper - o que quer que seja - não é fácil. E tampouco é um ato solitário. Ao se divorciar de sua mulher ou marido, você inevitavelmente envolverá os sentimentos dos seus filhos e de seus familiares, pra citar apenas os mais chegados.
Sua decisão vai interferir na rotina dos outros. Fará com eles sofram junto com você.

Se deseja largar o emprego, do mesmo modo: não é só você que estará se arriscando ao trocar estabilidade por incerteza. As pessoas que dependem de você também estarão arcando com as conseqüências desta sua escolha.

Assim é: todos os laços que desejamos cortar repercutem nas pessoas que amamos, o que torna tudo mais difícil.
Se você não é exatamente uma pessoa raçuda, acaba se acomodando e optando pelo mais fácil: rompe com seus próprios sentimentos. Anula-se. Faz de conta que sua infelicidade não existe.
Abandona suas dores no quarto dos fundos e abre um sorriso pro mundo como se nada de errado estivesse acontecendo.

Não dá pra negar que é uma atitude nobre, se a intenção é manter a paz a sua volta, mas escuta: você não conta? Os outros são assim tão fracos que não podem segurar uma onda pesada com você, uma onda que, segundo Lulu Santos e Nelson Motta, passa e sempre passará?
Quando fazemos uma escolha, qualquer escolha, estamos dizendo sim para um lado e dizendo não para o outro. Então, algum sofrimento sempre vai haver.
Não adianta se autoproclamar o herói da resistência contra o fracasso. Todo mundo fracassa em alguma coisa. Melhor enfrentar isso, como lá pelas tantas fez a eterna Barbarella, que trocou Tom Hayden por Ted Turner.

Isso, claro, no caso de não querermos encerrar nossa biografia antes da hora.

(Martha Medeiros)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Carta a um amigo


Definitivamente, nada é por acaso e certamente, na vida tudo tem um porque mesmo!
Dia atrás, estava eu “arrumando” minhas gavetas e me “desapegando” de certas coisas já há tanto tempo guardadas e me deparei com um e-mail que enviei a um grande amigo em 22/05/2007.

Por que ainda tinha este e-mail impresso e guardado há mais de 4 anos, não sei.
Talvez para lembrar que outra vez este mesmo amigo anda “sumido”, enfim...
Inclusive, quando percebi este e-mail entre os meus “desapegos”, no mesmo dia postei no "face book" duas frases de Drummond citadas nele na época.

O fato é que por conta deste e-mail, resolvi dar fim ao tempo ocioso de postagens.
Ainda que não seja através de nada escrito recentemente, é algo que escrevi há um certo tempo e que, por alguma razão, “caiu em meu colo” então...
Eis o mesmo que transcrevo abaixo:

Recebendo um e-mail logo cedo da manhã de uma segunda-feira (21/05/2007), resolvi voltar atrás do que até então estava decidida a não comentar igualmente, por e-mail.
Não sei se lerá até o fim ou se, pelo menos, de fato terá paciência e vontade para tanto, mesmo assim, vamos ao meu e-mail.

Uma vez li um lindo texto e, até por eu ser uma pessoa que busca constantemente descobrir diversos significados em uma mesma frase, tenha encontrado então razões suficientes para que duas delas me chamassem a atenção para este momento:

“... quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida...”

“... não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixe cego para a melhor coisa da vida: o AMOR!!!...”

Interessantes, não? Isso é Carlos Drummond de Andrade.

Acredito que ambas refletem, de alguma maneira teu atual momento na vida pessoal. Acho que, esse “amor” que hoje habita tua vida se não for aquele que te levará ao altar e te fará jurar diante de diversos amigos numa igreja que será fiel e respeitará por toda a vida a pessoa amada, pelo menos é o que mais pode estar se aproximando disso tudo neste momento. Então, aproveite. Seja feliz! Curta esse sentimento que é único e pode sim, ser pra vida toda.

Mas... Não esqueça que ele não é a salvação para tudo e a vida não é somente baseada no “amor”...

“Estar a salvo
não é se salvar

Como um navegador
que vai até onde dá
você tem que ser livre
para o que pintar

Nenhuma pessoa é lugar de repouso
juntos chegaremos lá”


(Salvação, de Nei Duclós)


Grifei a parte que acho extremamente interessante quando falamos em relação a dois.
E este poema todo é baseado nisso: num casal.
Na busca para que ambos sejam salvos da rotina costumeira de uma vida a dois: que é a anulação.
O casal viver para si apenas e esquecer-se do resto.

A maioria das vezes um dos dois até consegue seguir sua vida normalmente mesmo estando envolvido com alguém porque, certamente já passou por isso outras vezes e aprendeu com tudo o que viveu até então. Mas o outro, não. O outro vive para o seu amor, respira aquilo tudo e esquece-se de seguir com a sua vida. Se anula em função da outra pessoa. Deixa seus amigos para conhecer e desfrutar da companhia dos amigos da pessoa amada. Vê na outra pessoa o seu “lugar de repouso” e se apóia, se espalha, permanece.
E por quê?
Por que está tudo tão bom, não é mesmo?
Não há razão para mudar muita coisa, mudar o que está vivendo no momento seja por qualquer motivo aparente, algum tipo de ciúme, ou um sentimento de posse ou pelo simples medo de que algo mude repentinamente, que a pessoa amada desista desse amor.

Enfim, por tantas razões que todos em volta talvez percebam e arriscam um palpite pela mudança nas atitudes e ações de uma pessoa, mas nenhum (ou quase nenhum) se atreve a dizer com todas as letras que isso pode vir a ser um grande erro.
Não um erro por arriscar tudo por um grande amor, mas sim por abrir mão de outras coisas igualmente importantes para viver exclusivamente a esse amor.

Não estou afirmando aqui que é errado permitir-se conhecer e estreitar laços com amigos da pessoa amada, longe disso, mas isto não justifica abandonar seus laços antigos e até então importantes em função de um amor.
Os amores, por vezes, mudam com o passar do tempo, os amigos verdadeiros, não.

É meu amigo, há coisas que nossos “ombros” não suportam tão bem...

“Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada espera de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação...”


Esta é outra obra prima de Drummond que tenho há tempos impresso e afixado em um mural no meu quarto.
Algo para se ler mil vezes antes de dormir.
Para se pensar no que muitas pessoas andam fazendo da sua vida enquanto trabalham infinitas horas ao dia, correm tanto diariamente que se esquecem de “amar”, de viver realmente, não percebem que a vida passa rápido demais.

Ou como canta Ana Carolina em sua belíssima “O Avesso dos Ponteiros”: “... na pressa a gente nem nota que a lua muda de formato”.

Coloquei o texto de Drummond que acho maravilhoso para que perceba o lado oposto da coisa toda. Um lado frio, sem amor, sem calor, apenas vivendo o dia-a-dia para o trabalho braçal, intelectual, sem aproveitar nada do que a vida nos proporciona, a beleza infinita que ela nos brinda e oferece todos os dias.
O lado que acaba apenas “sobrevivendo” às batalhas diárias de uma vida sem doçura, sem encantamento, de uma vida sem viver.

Mas é sem aproveitar nada mesmo.
Sem amor, sem amigos, sem festas, sem divertimentos, sem família, sem alegrias.
Tanto que já não adianta mais pensar em como seria “morrer”, porque é tudo tão inútil que até a morte não quer saber disso. Quer mais é que a vida seja, de fato, uma ordem.
Uma ordem que todos temos de cumprir, seja ela breve ou longa.

Bom, quando nos encontramos no casamento do nosso colega ouvi (e falei também) sobre tua atitude de ter ido embora sem ao menos se despedir daqueles que durante maior parte da tua vida foram mais chegados. Não me incluo nestes, por isso não fiquei tão decepcionada. Mas senti por aqueles que certamente ficaram.

Lembro de eu ter comentado que a mim tua atitude não tinha surtido esse efeito todo pelo simples fato de que durante toda a cerimônia do casamento e recepção na festa dos noivos, mal trocamos algumas palavras e, ainda assim, aconteceu curiosamente quando estava absolutamente sozinho à mesa.
Isso me fez dar razão a todos os comentários que há tempos tenho ouvido de diversas pessoas. Entre eles de que o “cara aí” mudou, que anda diferente, que não é mais o mesmo.
E, confesso, cheguei ter esta mesma opinião também quando recordei que a última vez que havíamos saído juntos, e que havia tido a oportunidade de conversar contigo, tinha sido no Natal da turma, no ano passado.

Lembro de todas as coisas que te falei naquela ocasião, meu ponto de vista a respeito da tua atual escolha e tudo o mais que na época era o motivo e foco principal nas rodas da turma, enfim...

O fato é que uma das coisas que falei também era da admiração que tinha pela pessoa que tu eras. Pelo cara maravilhoso que tinha surgido na nossa turma da PUC de uma maneira totalmente “por acaso”, pode-se dizer. E que toda a galera curtia muito aquela pessoa brincalhona, descontraída, alto astral, carismática, agradável, gente boa mesmo. Pessoa rara, meu querido. Pessoa muito rara.
E me recordo, inclusive de ter pedido insistentemente que não mudasse teu jeito.

Acho que de fato isto não aconteceu. Não mudou teu jeito, continuas o mesmo.
O mesmo cara de sempre, divertido, etc., mas acredito que alguém adormeceu por aí.
Ou esse cara está sendo exclusivo e tão especial que raríssimas pessoas possam usufruir hoje em dia desta companhia, pois outros não têm mais acesso a ele.

“... não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta. Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo mesmo...”

(Filtro Solar – Pedro Bial)

A vida não tem ensaio, mas tem novas chances. Viva a burilação eterna, a possibilidade: o esmeril dos dissabores! Abaixo o estéril arrependimento, a duração inútil dos rancores.
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos: a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão”


(Libação – Elisa Lucinda)

Duas pérolas que abrangem conteúdos opostos. Porém, uma não vive sem a outra.
A idéia de se correr riscos, mas sendo prevenido, sabendo que algo pode acontecer quando menos se espera e o querer viver intensamente algo não vivido, não planejado, algo inédito que está por vir. Às novas possibilidades, às novas chances, sem medo, sem receio.
Ambos dividem nosso pensamento quando estipulamos metas, limites para nossa vida. Queremos correr riscos sem estar nem aí para as conseqüências, outras vezes colocamos os dois pés bem fincados no chão por medo de dar um passo em falso, de ter pisado de forma equivocada e não sermos capazes de suportar o que vier pela frente.

Mas, em ambos os casos, temos essa possibilidade, a da escolha.
Podemos optar pelo que queremos de fato, dependendo do momento em que estamos vivendo.
Tudo é questão de escolha.
O que os outros pensam delas? Danem-se! A escolha é única, é nossa e ninguém tem nada a ver com isso, mas, podemos sim, acabar por escolher algo que nos afaste daquilo que até então estava tão perto da gente.
Podemos sim, apesar de ser a escolha certa, acabar por nos fechar num mundo onde ninguém mais possa entrar.
E sabe o que acontece quando um mundo fica “a dois”? As pessoas se magoam, recuam se afastam e perde-se o contato, o carinho, a confiança.

Há verdadeiramente dois lados muito difíceis nas escolhas que fazemos para nossa vida: um é estar certo e confiante da nossa opção e quem quiser que venha comigo, mas acabar agindo de maneira errada e de forma que muitos não conseguem acompanhar, outro é não optar, ficar em cima do muro, fugir da responsabilidade e esperar que as pessoas compreendam e nos apóiem sem sequer pedir a opinião delas.
De qualquer forma, tudo é uma simples (??) questão de escolha.

“Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”


(Mário Quintana)

Preciso dizer mais alguma coisa, querido?
Vários deles abraços com carinho,
Podrinha ;)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Renato Portaluppi


As duas últimas semanas que antecedem ao meu aniversário e que, enfim, encerra-se amanhã (sábado) foram bem complicadas e difíceis para a pessoinha aqui.

Ora por problemas acontecidos simultaneamente, ora pela fragilidade e sensibilidade à flor da pele que se abateu em mim, ou por notícias inesperadas que me pegaram totalmente sem reação...

Mas, dentre todos os acontecimentos inevitáveis, bons ou ruins, que surgiram nesta semana, um deles, de fato me abalou profundamente.

Talvez muitos de vocês não tenham a dimensão do quanto e tão pouco possam imaginar e entender o porquê “apenas isso” pudesse ter feito tamanho estrago, mas fez.

Ontem enquanto tomava meu chimarrão às 22h, sentada em um dos bancos do condomínio, observando Bebê passear pela grama, fiquei durante uns bons minutos sem esboçar qualquer reação, apenas em silêncio, assimilando a notícia da saída de Renato Portaluppi do Grêmio.

E me dei conta de que sou muito mais Portaluppi do que gremista, isto é fato.

Queria escrever algo sobre isto, mas não consigo, desabo em prantos feito uma criança.

Assisti incontáveis vezes o vídeo de sua entrevista de despedida e em todas meus olhos verteram feito longas cachoeiras... Simplesmente, estou sem palavras, sem conseguir escrever uma linha sobre isto.

Não sei explicar.

Mas, hoje cedo lendo a ZH, me deparei com um belo e interessante texto de David Coimbra que transcrevo abaixo e que, se não diz tudo aquilo que eu gostaria de conseguir escrever sobre este cara chamado Renato Portaluppi, pelo menos, reflete em parte o sentimento que me deixou ontem de luto, num misto de impotência, raiva e de tristeza.



Vários deles beijos ;)

Saudações apaixonadamente Portaluppianas!





“O pranto de Renato em sua despedida representa tudo o que de bom se espera do futebol.

As lágrimas do maior ídolo da história do Grêmio, de certa forma, lavaram um pouco da sujeira que às vezes macula esse esporte tão popular.

Por que o futebol é assim tão popular justamente por existir gente como Renato.

Ali estava o profissional que espera ser bem remunerado, mas que faz as coisas por amor.

Ali estava o ser humano que dá importância aos outros seres humanos.

Ali estava uma pessoa capaz de se apaixonar por algo intangível como um clube de futebol.

Ali estava o homem feito que não tem vergonha de chorar em público por causa de uma decepção.

A volta de Renato ao Grêmio, o seu comportamento nesse ano de trabalho e, sobretudo, a forma como ele saiu redimem um pouco o futebol de suas mazelas.

Redimem o jogador mercenário, que beija a camisa de cada clube para o qual se transfere.

Redimem o torcedor profissional, que vende o seu grito na arquibancada.

Redimem o cartola politiqueiro, que coloca os seus interesses por dinheiro ou poder à frente inclusive do clube que comanda.

O Grêmio perde com a saída de Renato.

Mas o futebol ganha com a história de Renato no Grêmio”.



Gente como Renato (David Coimbra)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

É saudade então!


É saudade o que sinto.
Do tipo que aperta o próprio peito.
Saudade sem razão.

Saudade que faz meu coração disparar acelerado e num código Morse, bater incansavelmente as sílabas do teu nome.
Saudade de te ter por perto, de ter ver uma vez mais e poder sentir o perfume que ainda desconheço.

Talvez esteja aí a verdadeira razão das tuas constantes visitas aos meus sonhos.
Sonhos em que teus beijos todos são meus e não há coração que fuja.
Há apenas o nosso encontro, os momentos dos versos e amores que sufocamos.

Um tempo em nos adoramos como inocentes anjos entre um jardim repleto de lírios.
Tempo em que não existem dores perdidas, não existem outros olhos e tão pouco lembranças confusas.

Somos apenas nós selando o silêncio, na noite, na nuvem, até onde os meus sonhos alcançam.
E nada impede naquele momento de buscarmos o melhor de nós, a luz que canta dentro da gente.
Somos tão somente dois corações guardando segredos, vivendo intensamente e com um mundo à parte em cada peito.
Onde o dia e a noite se confundem e entre nossos abraços, num tímido sorriso me pede silenciosamente que de ti eu não desista.

Como me convencer de que devo atender ao teu desejo se o sonho é tão somente meu?
E como te impedir de à noite surgir para roubar os meus sonhos?
Acabo seguindo a rotina de enganar este coração cansado. Sigo sonhando com teus beijos.
E em cada beijo, uma saudade e também a certeza de que ninguém recolherá o meu coração perdido.

Então, fecham-se os olhos das estrelas e aquela cruel claridade surge:
É quando o despertador (sempre ele!) avisa que mesmo em sonhos as palavras de amor expiram e aquela suavidade que mudou meu destino e o carinho imenso que se fez presente, perdem-se entre meus sentidos.

As mãos puras que me deram paz e acariciaram minha alma durante toda a noite, escapam-me diante dos olhos.
Tento em vão que cada palavra escrita voe e busque de volta a primavera que se fez nos meus pensamentos e não encontro nem mais teu sorriso.
E, mais uma vez acordo sem ter tido tempo de amarrar teu coração ao meu.
E como quem chega tarde e encontra a porta fechada, outra vez não consegui te roubar para mim.

"A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer..."

(Certas Coisas - Lulu Santos)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tempestade Secreta


Queria uma tempestade secreta
Onde não se despedaçassem as pétalas nem as palavras

Queria uma tempestade secreta
Onde pudesse sentir o beijo da chuva acariciando docemente meus lábios

Queria uma tempestade secreta
E ao encontro do amor, dormir sem silêncio.

Queria uma tempestade secreta
E brindar com a natureza o cair das lágrimas grossas de saudade

Queria uma tempestade secreta
E ver espalhar todas as cinzas do meu coração queimando

Queria uma tempestade secreta
Para sentir bem de perto o frio que uma ausência causa no peito

Queria uma tempestade secreta
E com ela molhar todos os meus sonhos que não se completaram

Queria uma tempestade secreta
E poder lavar a ferida que pelo amor foi aberta

Queria uma tempestade secreta e suave
Para dar o adeus aos olhos dos meus sonhos

Queria uma tempestade secreta
Que dissipasse as sombras que a vida me tem dado

Queria uma tempestade secreta
Que levasse embora todo o amor que não foi consumado

INTER CAMPEÃO GAÚCHO 2011


Contrariando todas as expectativas e, principalmente, entristecendo a metade azul do Estado, o Internacional sagrou-se o legítimo Campeão Gaúcho no domingo que passou.
De repente tudo mais deixou de ser e aquela taça escapou-nos por entre os dedos.

Parabéns a toda nação colorada pelo merecido título e pela vitória conquistada dentro de um Olímpico lotado.
Hoje tudo arde em azul.

Enquanto escrevo (debaixo das cobertas), ainda me recupero de uma segunda-feira de muita febre e dor de garganta oriunda de um domingo atípico em Porto Alegre.
São Pedro nesse dia resolveu brincar e testar a saúde de todos os presentes ao estádio e, durante a partida, fomos brindados com inúmeros banhos de chuva.

Se, de um lado, cantávamos com o vento empurrando o tricolor, do outro a voz da chuva se encarregava de chorar sobre nossas cabeças.
Talvez fosse um sinal.
Assim como a presença daquela coruja no inicio do jogo indicando que tudo poderia mudar de repente.

Hoje não tenho voz e nem pranto, somente um coração cortado ainda se recuperando de tudo.
Definitivamente nossa existência é muito mais frágil do que podemos imaginar.

Após o jogo, no caminho de volta para casa, passei algumas horas com “papi” até tudo se acalmar e não ter de me incomodar com vizinhos inconvenientes.
Apesar da transparência dos meus olhos derrotados, consegui ainda sorrir naquela noite, vendo diante de mim, meu pai feliz pelo seu Inter campeão.

Durante todo o tempo em que fiquei com ele não havia comigo nenhum tipo de dano e tão pouco as feridas da derrota se fizeram evidentes.
Eu estava em paz.

Futebol para mim é paixão sim, mas a dor escondida dentro do peito naquele momento não era culpa dele e não seria justo apagar toda a sua alegria estampada.
Estava ali simplesmente para acalmar meu coração.

Por volta das 21h fui então de volta pra casa, caminhando em silêncio, lentamente em passos amargos de um dia que havia me consumido a alma por completo.
De um dia que queria muito esquecer.

Em 2008 quando o então técnico, Celso Roth, conseguiu a façanha de eliminar o Tricolor de duas competições em uma única semana, prometi não mais chorar por derrotas do Grêmio, não mais sofrer por títulos perdidos.

Ao chegar em casa, me deparei com a entrevista de Renato Portaluppi dada após o jogo.
E assistindo a ela, não consegui manter minha promessa até então inabalável desde 2008.

Seu olhar carregava tanta tristeza e sua voz rouca trazia tanta emoção embargada que não consegui conter minhas lagrimas.
E desabei.
Chorei de soluçar, tal qual uma criança.

E não era pela derrota do GRENAL ou pela perda do título do campeonato que estava em nossas mãos.
Meu pranto era por Renato (O cara!).
Por perceber não somente um ídolo abatido e triste pela derrota, mas um profissional deixando transparecer diante dos repórteres e das câmeras de televisão seu lado apaixonadamente gremista, expondo sem medo ou vergonha para quem quisesse ver toda a sua dor, todo seu choro sofrido de um torcedor.

Aquilo sim me abalou profundamente e senti todo o sofrimento estampado naquele que tem de fato um verdadeiro e profundo amor pelo Grêmio e que naquela noite tinha nos olhos o reflexo de uma imensa família de dores.

Tive então uma noite de longos soluços e meus olhos verteram incansavelmente como verdadeiras cachoeiras até o momento de adormecer.

Pudéssemos escalar Renato entre os 11 jogadores, não perderíamos mais GRENAIS, mas, infelizmente isto não é possível e futebol nem sempre é justo.
Faltou-nos um pouco de sorte, talvez.

Mas a vida continua.
A vida segue sem nos dar tempo de recuperação e junto dela vem a composição de um novo dia.
Talvez o “carinha” lá de cima esteja reservando algo melhor ou maior para todos nós, torcedores gremistas.

De qualquer forma, mais uma vez, parabéns aos colorados que hoje pintaram o Estado de vermelho.

Em especial ao meu pai e à Dada que sempre souberam separar muito bem as coisas e, desta forma nossas diferenças futebolísticas foram cercadas constantemente de muito carinho e respeito mútuos.


Eu sou borracho sim senhor,
E bebo todas que vier.
Canto pro meu tricolor,
Meu único amor
E dá-lhe,dá-lhe tricoloôoôoôor
E dá-lhe,dá-lhe tricoloôoôoôor,
Eu sou borracho sim senhor
E bebo todas que vier
Canto pro meu tricolor,
Meu único amor!!!
E dá-lhe,dá-lhe tricoloôoôoôor
E dá-lhe,dá-lhe tricolôoôoôoôr
Eu sou borracho sim senhor...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

GRENAL


Vamos a um final de semana importante e, principalmente, decisivo para se conhecer enfim o CAMPEÃO GAÚCHO DE 2011.

A partir das 18h de hoje já estou em ritmo futebolístico total e respirando GRENAL.

Este domingo será um dia em que, certamente, a pessoinha aqui estará uma “pilha” desde cedo e em função do grande clássico. Mesmo estando com uma mão na taça, ainda temos 90 minutos de bola rolando pela frente e precisamos continuar na mesma batida, com a mesma humildade, com os pés no chão e a cabeça no lugar.

E com um único objetivo: o de tentar mais uma vitória em GRENAL.

Que Renato como técnico do Grêmio permaneça INVICTO em GRENAIS.

Rumo ao Monumental cedo (pois vai lotar) incentivar e apoiar do inicio ao fim o nosso Grêmio, time encantador de Renato Portalupi (O Cara!).

O domingo será de Grêmio por todos os poros. Grêmio no peito e na alma, no grito e nas palmas.

GRÊMIO SEMPRE!

TORCEDOR GREMISTA: VISTA-SE DE AZUL! VIBRE NAS CORES AZUIS.

ESTEJA DESDE CEDO NESTE DOMINGO COM O GRÊMIO ONDE O GRÊMIO ESTIVER!

Tudo será GRENAL neste domingo, tudo será Renato e seus Guerreiros Imortais. E que tudo termine em paz.

Que o “carinha” lá de cima olhe com carinho por nós, TRICOLORES e ilumine Renato e seus comandados.

Que possamos após as 18h deste dia 15 de Maio comemorar e muito este título inédito de Renato (o grande e maior ídolo gremista) agora então como técnico Tricolor.

Que esta cumplicidade e parceria dure por muito tempo ainda. E que venham muitos outros títulos sob o comando de Portalupi.

Saudações apaixonadamente Tricolores e ainda mais Portaluppianas.

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...