terça-feira, 13 de março de 2018

E se o amor que a gente espera nunca chegar?

De eventualidades surgem os amores. E de amores surgem eventualidades. Terminam, somem e reaparecem como se pudessem brincar com o que a gente sente. E a gente sente tanto… E tendo somente a saudade do vivido como companhia, lembra com carinho o que já viveu, e com esperança o que ainda vamos viver. Não temos muitas opções além de ter esperança e sorrir à mercê do destino. Se é que ele existe.
Nessa noite, enquanto escrevo e tento evitar comer carboidratos antes de dormir, me pergunto como a vida seria se os dias continuassem assim, com amizades lindas, pequenas surpresas diárias e sorrisos de canto de boca, mas sem um grande amor para dividir tudo isso? E se tivermos que nos contentar em viajar sozinhos, dormir sozinhos, esquentar nossos pés sozinhos, sonharmos com uma linda história de amor, sozinhos? E se a gente tivesse que nos acalmar sem ter ninguém afim de nos acompanhar pela, tão triste, falsa eternidade?
A gente mata e revive o amor que há dentro de nós, todo dia. Pensa, em silêncio, pois não quer admitir, como os outros conseguem viver amores tão febris, e a gente, aqui, passando mais um dia em branco. Sem muito o que fazer, vemos um filme no domingo, trabalhamos um pouco mais na sexta-feira, tomamos um café com gosto de pressa na quarta-feira pela manhã e, entre momentos banais da vida, sentimos na pele a saudade de viver um amor que, como se fosse fácil, só nos fizesse sorrir.
Mesmo sendo cais das minhas dúvidas momentâneas, desconheço pessoas que terminaram a vida de forma feliz, convictas, que desistir do amor seria uma solução pertinente. Acontece que o tempo passa, e a gente fica. Pensando, esperando, vivendo, feliz, mas na espera de algo mais. Alguém para dividir o mundo, acariciar a cabeça pelo amanhecer e sumir entre os cabelos desgrenhados antes de dormir. Alguém para abraçar o eterno, mesmo que ele seja ilusório; para beijar a boca, mesmo que ela seja passageira; para rir na tristeza, mesmo que ela seja somente nossa.
Sem respostas, mas com muitas convicções, a gente procura amores e, na maioria das vezes, encontra somente bocas. Procura corações, e encontra somente olhares que, no fundo, buscam o mesmo que nós. Todos vivem em busca de um grande amor. Até aqueles que, por uma dureza claramente repleta pânico, dizem que não precisam de amor para viver feliz. Ninguém é tão superior assim. Ninguém vive sozinho com tanta gente especial espalhada por aí.
Sendo a poesia mais bonita dos sentidos, que o amor que a gente espera venha, não exatamente como imaginamos, mas como merecemos. E que, por favor, goste de viajar, pois, no auge da minha loucura pessoal, confesso que já fiz todos os nossos roteiros; garanto que vais gostar, o pôr do sol tangerina de Florença é a sua cara.
Frederico Elboni

segunda-feira, 12 de março de 2018

Quando você encontra a pessoa certa

Muita gente não acredita em almas gêmeas. Na pessoa certa, na “the one”. Assim como Ted Mosby, o romântico e às vezes inocente protagonista de How I Met Your Mother, eu acredito. Eu acredito que alguém possa ser a “the one” para alguém, a pessoa certa, aquela que vai fazer você ouvir Madeleine Peyroux cantando Dance me to the end of love. A que vai fazer você pensar: “Deus, se existia esse cafuné no mundo, por que eu passei anos tomando remédio para ansiedade?”. A The one. Mesmo com o artigo repetido em português e em inglês, só para feito dramático.
Mas ela não é a The One no sentido metafísico, divino de que duas pessoas estão destinadas a ficarem juntas. E encontrar essa pessoa é como quebrar um osso: se você tem dúvidas é porque não quebrou, ou não encontrou. E pode ser na primeira vez que você a vê andando na sua direção, guardando o guarda-chuvas, balançando os cabelos e, sentando na mesa e perguntando: “tá esperando há muito tempo?”, e você tem vontade de responder: “estou te esperando a minha vida inteira”. Ou pode ser um estalo no meio de uma conversa trivial em um restaurantes sem vela na mesa, com uma gaveta que nunca fecha, que faça você pensar: “Por que diabos, depois de tanto tempo, eu estou com essa vontade idiota e incontrolável de beijar essa pessoa?”. Na mesa ou na chuva, a resposta é: porque ela é a sua The One.
É a pessoa que demonstra prazer em estar com você sem esperar nada em troca, e sem que haja uma razão aparente para isso. É a pessoa que entende que ninguém é um amontoado de defeitos e qualidades, e sim uma pessoa que não pode ser representada nem somente pelos defeitos nem pelas qualidades. É a pessoa que, depois do beijo, fica com a testa encostada na sua, tocando o nariz no seu, de olhos fechados, e você não consegue sentir nada a não ser uma imensa paz interior. E quando você se lembrar do beijo, a parte dos olhos fechados com o rosto próximo ao seu vai te fazer sorrir sozinho. Essa pessoa é a sua The One, não tenha dúvidas.
A The One não te abraça somente com vontade. Ela te abraça de maneira que, se um precipício se abrir debaixo dos seus pés, ela conseguiria te segurar em seus braços, e, ao mesmo tempo em que com uma mão ela te faz carinhos nos cabelos, com a outra ela te acaricia as costas. Não é qualquer pessoa, não é qualquer paixão. É a pessoa que, quando encosta a cabeça no seu ombro, esquece o mundo lá fora, esquece os problemas e faz você agradecer aos céus por não ter desistido. E você não precisa acreditar nisso, nem a outra pessoa. Porque quando vocês sentirem isso, vocês vão saber.
Um beijo calmo e urgente. Um abraço apertado como se vocês não se vissem há vinte anos, desde que você foi para a guerra. A The One não é a pessoa que você acha que precisa dela. Ela é a pessoa com quem você quer estar o tempo todo, mesmo não precisando, porque é prazeroso estar com ela, e, se você precisasse dela, você não teria escolha. E ela é a The One exatamente porque vocês escolhem estar um com o outro, não porque precisam.

Léo Luz

sábado, 10 de março de 2018

A vida vive sem você

Olha
Eu não quero confundir sua cabeça
Nem posso lhe pedir que me esqueça
Eu só quero paz pro teu coração
Porque
O tempo é a casa da memória
Responde as perguntas na demora
E sem se notar já "foi" o amanhã

Eu já chorei demais
Eu já morri horas atrás
Mas pude perceber que a vida
Vive sem você

Olha
O que passou, passou e não tem jeito
Mas guarde bem dentro do peito
O gosto bom daquele amor
Porque
Têm horas que a ferida cicatriza
Há mundos infinitos, outras línguas
Pra se aprender como ser feliz

Eu já chorei demais
Eu já morri horas atrás
Mas pude perceber que a vida
Vive sem você

Há sempre uma esquina te esperando pra virar
E um sorriso iluminado pra secar
As nossas lágrimas não podem perdurar
Enquanto bate, um coração quer amar

Há sempre uma nova história pra se começar
Um novo amor, outra saudade pra matar
Um dia triste ou feliz pra comparar
Enquanto bate, um coração quer amar


O amor e seus traumas

Todo mundo que já amou e amou direito tem algum trauma. Não tem como fugir.
Porque amar é a melhor coisa do mundo. Mas também dói pra cacete  porque - infelizmente - relacionamento é um dos maiores desafios que existem.
A gente nunca sai de um amor da mesma forma que entrou e - nesses tantos fins e recomeços - a bagagem vai só aumentando. (E nossa lista de traumas também).

Haja paciência para lidar com nossas mudanças internas, inseguranças, incertezas, desconfianças, ciúmes...
Haja tolerância para entender que  o outro - aquele que a gente espera que nos compreenda, acima de tudo - também tem uma pá de cicatrizes que (vez por outra) ainda sangram.
E crescer vai se resumindo a isso: por um lado a gente AMADURECE. Por outro, a gente ENDURECE.

E amar passa a ser difícil, não porque o AMOR é uma faca de dois gumes.
Mas porque onde existe MEDO (e qualquer derivado dessa forte criança), não tem como o amor chegar. E fazer casa.

Por isso, em homenagem aos meus traumas e às feridas alheias (vai me dizer que você não guarda uma?), eu escrevo esse texto.
Porque bagagem boa é bagagem leve. Que a gente segura (sem grande esforço), enquanto o outro toma fôlego.
E descansa da vida.

Fernanda Mello

quarta-feira, 7 de março de 2018

Hoje eu acordei saudade

Tem dia que a gente acorda saudade. E tudo o que o dia pede é uma varanda com vista pro sol e uma cadeira de balanço. Revirar os guardados e desfiar memórias que trazem riso.

Nos dias em que se acorda saudade, tudo a nossa volta faz lembrar alguém, o café da tarde, o fogão a lenha, nós crianças, caçando vagalumes - um amontoado de histórias bonitas. E um mundo que não tinha complicação. No meu ontem o mundo era bonito e sem dor.

Os medos eram sempre remediáveis. E tudo se curava com colo de mãe. Com beijo de vó, banho quentinho, chá e biscoito. Tudo terminava em riso, ou pelo menos, num abraço bom.

O tempo era longo e pressa só existia no dicionário. As tardes eram gastas pulando amarelinha, brincando de boneca e jogando bola na rua. As noites só chegavam depois de muito brincar. Depois era só cair num sono duro, mas sem bicho-papão.

Tem dia que a gente acorda poesia. E tudo o que o dia pede é um mundo colorido, sem embaraços e só quem tem os olhos encharcados de poesia pode ver. Só quem tem olhos de sol é que bate o olho na pedra e vê uma garça. Vê o azul rasgar horizontes. Vê sapo chamando chuva e passarinho trocando asas.

Nos dias em que se acorda poesia, tudo a nossa volta é casa do amor. Tudo tem Deus morando dentro. E nesses dias a gente espera ficar pra sempre.

Cris Carvalho

terça-feira, 6 de março de 2018

A difícil arte de seguir em frente

(Em outras palavras: na hora do aperto a gente apela para a autoajuda, birita, ombro dos amigos, livros bestas e músicas cafonas.)
Por algum motivo as coisas não deram certo. Sua vida seguiu por um caminho e a dele dobrou duas quadras mais para a frente. Você fica se perguntando o que aconteceu, o que deu errado, por que vai ter que enfiar todos os planos dentro da nécessaire, fechar e ficar um tempão sem abrir novamente. 

A gente passa por diversas fases. Sentimos raiva, sentimos dor, sentimos revolta, sentimos desprezo, sentimos saudade, sentimos amor, sentimos medo de nunca mais esquecer, sentimos medo de gostar de novo, sentimos vergonha e receio em repetir os mesmos erros bobos.

Demorei muito para acreditar na mais louca e cruel verdade: quem gosta de você vai te tratar bem. Quem gosta de você se importa, quer o melhor, te procura, te liga, te dá satisfação. Quem gosta quer estar junto. Quem gosta demonstra. Quem gosta faz planos. Quem gosta apresenta para a família e amigos. Quem gosta manda uma mensagem bobinha só pra dizer que ama. Quem gosta carrega uma foto sua dentro da carteira pra ver quando dá saudade. Quem gosta abraça na hora de dormir. Quem gosta dá um beijo de boa noite e de bom dia. Quem gosta aguenta suas reclamações, sua cólica infernal, suas manhas e manias.

Me desculpa, mas não existe medo que seja maior que um sentimento. Não existe timidez que seja mais forte que uma declaração de amor. Não existe distância que deixe uma relação morrer se as duas pessoas querem ficar coladinhas. Não existe estou-dividido-entre-ela-e-você. Quem gosta pode se perder, mas sempre vai saber pra onde quer voltar.

A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.

Infelizmente, antes de seguir em frente tentamos interpretar as ações e atitudes da pessoa indecisa. Ele respondeu assim por tal motivo. Ele falou isso querendo dizer tal coisa. Ele isso, mas tenho certeza que ele aquilo. Quem gosta dá certeza do que sente. Quem gosta te olha com sinceridade. Quem gosta não faz joguinho nem te deixa pela metade. Quem gosta quer te deixar segura.

Por bem ou por mal, precisamos abandonar um sentimento que não traz nada de bom. Simples assim. Basta você se perguntar: é essa a vida que quero para mim? Eu mereço ser feliz? Eu mereço alguém que me ame? Eu mereço alguém que se importe? Eu mereço quem tenha certeza que me quer? Eu mereço ser amada?

O momento em que você percebe que o outro não te quer é mágico. A gente acorda, se sente nova, se sente livre. É claro que não se afoga um sentimento do dia para a noite. Mas a gente tenta preencher aqueles espaços com coisas novas: músicas diferentes, bons livros, trabalho, amigos, decoração da casa, um animal de estimação. Tudo serve para animar, renovar, encher a casa, a vida e preencher o tempo, costurar e remendar nossas feridas. É claro que vai doer, é claro que você vai sentir, é claro que o sentimento ainda vai latejar por um tempo. Mas a gente supera a partir do momento em que decide o que merece.

Clarissa Corrêa

segunda-feira, 5 de março de 2018

Para ser feliz é preciso parar de carregar peso desnecessário

O mundo nos coloca uma mochila invisível assim que vida nos é apresentada. Mas durante a infância, ela quase não carrega peso algum. Porque ainda somos livres; sem horários, sem responsabilidades, sem decepções.
Já quando a adolescência chega, a coisa muda um pouco. Nos bolsos laterais colocamos as primeiras decepções; o primeiro amor que vai embora, o amigo que te apunhala pelas costas, a primeira nota ruim na escola. Mas ainda é um peso suportável, sabe? Mal dá para perceber que se está carregando algo. E por isso, a gente segue em frente com a mochila nas costas.
Os anos passam e começamos a perceber que a mochila não era tão grande assim. Como num passe de mágica, ela começa a se encher rapidamente. Pessoas surgem do nada, bagunçam a sua vida e deixam para trás um passado que, inevitavelmente, você coloca em algum canto ali dentro. A pressão aumenta. As responsabilidades se multiplicam. Faculdade. Emprego. Casamento.
Até que você percebe que a sua mochila está cheia. Cheia de passado. Cheia de fragmentos de pessoas que nunca te completaram. Cheia de promessas que nunca se cumpriram. Cheia de expectativas por um futuro que já aconteceu.
O mundo não te avisa nada sobre isso. Era só uma mochila normal, não era?! O certo não seria você colocar apenas o que te interessasse ali dentro? É você que faz o esforço de carregá-la todos os dias. Você a costura quando surge algum imprevisto. Você a coloca no sol quando a chuva te pega no meio do caminho.
Mas sabe outra coisa que o mundo não te avisa? Que você não precisa carregá-la todos os dias, nem de costurá-la, e muito menos de colocá-la no sol para usar no dia seguinte.
O mundo apenas observa, e espera até você perceber que sequer precisa ter uma mochila.
Neto Alves

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...