domingo, 4 de março de 2018

Sempre tem alguém que nos renova

Todo fim de relacionamento deixa uma marca. Fica a sensação nítida de que nunca mais amaremos. E digo isso por que já passei algumas vezes por esse momento e sei que o sofrimento nunca é opcional: ele existe. Acho que principal diferença é o que fazemos a partir daí.
Há quem se entregue e comece a achar que o fundo do poço é um ótimo lugar para se ficar. Fincar. Criar raízes. E geralmente quem se sente assim é quem pensa que o fim levou tudo: esperança, alegria, prazer. Parece que a Vida só tinha sentido com aquela pessoa e, depois da sua partida, muitas cores do Mundo perderam sua vitalidade.
Mas isso passa.
Passa por que na outra mão temos quem prova do hiato, do tempo cuidando de si e percebe que um término não nos mata, apenas renova a certeza de que amor bom é aquele nos faz bem. Não adianta ficar ao lado de quem tem projetos, sonhos e direções diferentes. Respeitar a individualidade é uma coisa, negligenciar o casal é outra. Então, sabendo que foi melhor assim, tem-se mais chance de voltar a viver mais rápido.
Não que seja uma competição. Se tem uma coisa que é ridícula, isso é aquela mania que os recém-separados tem de disputar para ver quem está melhor em menos tempo. Indiretas, likes em fotos sugestivas, trechos de músicas. É uma idiotice sem tamanho.
Primordial é se encontrar depois que a bagunça é feita. Depois que os sentimentos são espalhados pelo chão sem muito cuidado, que o coração quebra e parece que nunca mais amarelos de novo. Besteira, sabia? Um tempo pra refletir é sempre bem-vindo para, enfim, saber a hora de se renovar. Ou se deixar renovar por alguém. Até por que o Amor não desiste de ninguém. Ele continua a existir e, sem dúvida, mais cedo ou mais tarde volta a insistir em quem sofreu.
O Amor nunca será o problema ou a pergunta tola. O Amor sempre será a melhor das soluções, a mais certeira das respostas.
Gustavo Lacombe

sábado, 3 de março de 2018

Medo do amor

Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele. Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá. É ficar intranquilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele. Antes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido. Está sempre baseado numa repetição do passado. E acha que a vida será como todos aqueles dias idos. Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma. Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las. Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo. Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo. Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou.
Quem tem medo do amor, pra se preservar, não se permite delirar lindamente…e perde a parcela mais deliciosa que o amor prometeu…por medo de amar.
Marla de Queiroz

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

De vez em quando um "deixa pra lá" faz milagres, e nos liberta a prosseguir

Faço o tipo certinha. Preocupada em não levantar polêmicas, me desviar de discussões acaloradas e tentar não desagradar ninguém. Prefiro o comodismo da imparcialidade à agitação do enfrentamento. Troco a necessidade de ter razão pela minha paz, e evito ao máximo me expor de forma que possa me arrepender depois. Porém, todo comportamento tem um preço. E o ônus de ser tão ajustada é sofrer quando alguma coisa sai dos eixos, e não ter a ginga necessária para sair ilesa de situações inesperadas, que invariavelmente ocorrerão.
Como boas meninas e bons meninos, fomos educados a não responder, a sermos cordiais e obedientes, a aceitar as frustrações com resignação, a controlar nosso gênio indomável, a engolir sapos e abrir mão de nossas indignações. Ninguém nos ensinou a chutar o pau da barraca, a dar de ombros, a tapar os ouvidos e exorcizar nossos incômodos. Porém, de vez em quando é necessário. De vez em quando um “deixa pra lá” faz milagres, e nos liberta a prosseguir.
Dia desses me deparei com uma música ótima da Lily Allen e não me contive. Dancei no mais alto som dentro do meu quarto, como não fazia há tempos. De porta fechada, cantei o refrão com vontade, dando um “deixa pra lá” a tudo o que ainda me afeta de forma desproporcional. Pra uma pessoa certinha como eu, foi uma libertação. A música, intitulada “Fuck you”, (com o perdão da palavra), foi feita para o ex presidente dos Estados Unidos, George W Bush; mas Lily incentiva a todos a entrarem no clima, como uma catarse. Juro que me senti mais leve; cantando, dançando, gesticulando e pensando em tudo aquilo que eu queria deixar pra trás.
Tudo tem um limite. E de repente, num dia qualquer, você acorda e se pergunta porque ainda dá tanta importância àquilo que te magoou, oprimiu ou te prende a um passado que não existe mais. Você começa a questionar as razões de ser tão perversa consigo mesma; de deixar que bobagens tão pequenas lhe tirem a leveza; de autorizar que minúsculos acidentes lhe desviem do curso perfeito de sua vida.
É preciso redimensionar os fatos. Parar de fazer “tempestade em copo d’água” por pouca coisa e tratar de atribuir menor significado aos acontecimentos ruins. Se fulano não te quis e isso está te dilacerando por dentro, comece a prestar atenção ao valor que você está dando a ele. Será que ele é tanta areia assim? Será que você não está supervalorizando alguém que não vale nenhuma lágrima sua? Será que não é hora de deixar pra lá? Simplesmente deixar pra lá?
Somente quando nos permitimos “deixar pra lá”, percebemos nossa força, nossa própria luz, nossa confiança e capacidade de superação. Descobrimos, com uma ponta de admiração, que sobrevivemos, que esquecemos, que seguimos adiante.
O problema é que muitas vezes nos apegamos às dores, mágoas, tristezas e traumas, como se isso desse significado a nossa vida. Planejamos pequenas vingancinhas, desejamos estar fortes para revidar, amarguramos palavras não ditas e cultivamos ressentimentos sem nos dar conta que o lado bom da vida só vai ter espaço em nossos dias se a gente deixar. Se a gente conseguir “deixar pra lá”, mandar tudo “praquele lugar”, dançar até ficar sem folego e enfim desapegar.
Quero ter ginga e jogo de cintura para sair ilesa dos pequenos arranhões da vida. Quero aprender a rir das pequenas peças que o destino me pregar e conseguir ter molejo diante das travessuras da existência. Quero valorizar o que merece ser reverenciado e conseguir dar um basta ao que me aprisiona, magoa ou fere. Que minha busca por leveza me liberte dos antigos nós e que, cheia de bom humor e renovada coragem, eu possa chutar o pau da barraca, dançar de olhos fechados, e finalmente repetir em alto e bom som o refrão de Lily Allen que diz: “Fuck you”…
Fabíola Simões

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Gratidão sempre

Porque acordar e deitar a manhã no rosto é uma forma de participar da vida. E deslizar pelo dia até ser confundida com a tarde, me dá alguma noção de escassez ou acúmulo de tempo. E quando a noite chega, deixar que os pontos luminosos perfurem minha retina, me traz a sonolência docemente, como quem tem os cabelos afagados pelo travesseiro. Abraçar a cama e deixar que ela me acolha. Receber o cansaço e transformá-lo em um sono sossegado. Confiar na vida e me entregar ao sonho. Acordar de um pesadelo e agradecer pelo alívio.
Participar da vida é absolutamente conviver com a naturalidade das coisas: sentir fome e poder comer, sentir saudade e poder entrar em contato, ter energia e poder produzir algo, sentir preguiça e debruçar os olhos deixando a vida passear por eles. Sentir sono e poder dormir (como tudo isto é precioso!). Estar inserido neste cotidiano e ser grata: por estar inteira nele e na gratidão. Perceber que enquanto o mundo se move o peito respira e reconhecer a alma na gente e nas coisas. E respeitar o que a alma guarda ou expõe.
Entender a dor: física ou emocional. Estender a alegria. Respeitar o momento de cada momento. Buscar paz dentro disso tudo mesmo que ela só chegue nos intervalos dos pensamentos. Mas, acima de tudo, ser grata: pela transitoriedade, pela sensação de eternidade, pelo que dura, pelo que se vai rapidamente. Cada uma dessas coisas terá uma importância diferente de acordo com as circunstâncias. Mas sobreviver e viver, a tudo, em tudo, com todos e ser grata, ilumina a mente e acalma o coração.
A gratidão é o elemento essencial em cada segundo do meu tempo. Ela me traz coisas boas, um olhar mais otimista, um senso de proteção espiritual poderoso e a paciência necessária para superar cada etapa desconfortável e aproveitar intensamente cada minuto de entusiasmo.
A gratidão me faz recordar incessantemente dos meus privilégios: e estes são listados assim mesmo: hoje sou milionária porque tive uma manhã, uma tarde e recebo esta noite que chega. E tive uma das maiores alegrias da minha vida. E depois o dia continuou tão normal quanto qualquer outro. E nada me doeu ou magoou. E o amor que dou e recebo é tão explícito sempre: o medo nunca nos guiou. E eu sou tão grata por tudo. E sinto que a vida me dá coisas maravilhosas porque sabe disto.
Desejo boas notícias.
Marla de Queiroz

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Não posso trair a menina corajosa que mora dentro de mim

Na vida a gente se blinda como pode. Como consegue. Como é possível naquele momento que vivemos. Nem sempre nos protegemos da maneira correta, e muitas vezes preferimos nos refugiar em mentiras que nos abraçam e confortam do que encarar uma realidade nua, crua, gelada e dura.
Por algum motivo, de vez em quando a gente aceita ilusões que nos garantem algum bem-estar momentâneo, mesmo que isso nos afaste da verdade, da compreensão da vida e de suas imperfeições. Nos blindamos das decepções, mas não crescemos como deveríamos.
Na vida nos confundimos muitas vezes. Nos confundimos com os sentimentos que as pessoas dizem sentir por nós; nos confundimos com o valor que atribuímos a nós mesmos; nos confundimos ao não enxergar lobos sob a pele de cordeiros. Acreditamos nas histórias que contamos e que contam pra nós, num esforço sobre-humano de sentir que estamos seguros, que nada nos ameaça, que a vida é estática e linearmente perfeita.
Durante algum tempo, essa tática realmente funciona. Porém, quando nos refugiamos em ilusões, não adquirimos compreensão da vida. E compreender a vida, com tudo de bom e ruim que nela existe, aceitando e tolerando aquilo que nos desaponta, decepciona e até destrói um pouquinho, é o que nos faz crescer. É o motor que nos impulsiona pra frente, e nos faz entender que não podemos trair a pessoa corajosa que temos a vocação de ser.
Dentro de cada um de nós existe uma força que precisa ser explorada. Dentro de cada um há uma pessoa corajosa que precisa ser desvendada. Porém, muitas vezes traímos essa pessoa corajosa que carregamos dentro do peito. Traímos quando preferimos nos retrair e aceitar mentiras que nos protegem. Traímos quando preferimos recuar e não enfrentar a realidade dura, mas real, que existe do lado de fora. Traímos quando preferimos nos calar, fingir que não enxergamos, fingir que não ouvimos, fingir que não sentimos. Traímos quando camuflamos nossa insegurança, dúvida e medo de amar com orgulho e falsa indiferença.
Não posso trair a menina corajosa que mora dentro de mim. Não posso autorizar que o medo do sofrimento me afaste da verdade; da autenticidade em todas as relações; da capacidade de me entristecer, emocionar, alegrar ou emburrar diante daquilo que me atinge ou comove. Não posso trair a menina corajosa que escreve cartas, confronta silêncios e desafia mal-entendidos. A menina que aprendeu a crescer com os baques da vida, e por isso não os evita nem os enfeita, e sim os encara como forma de melhor compreender essa aventura linda e apavorante que é a existência.
“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdade, porque não desejam que as suas ilusões sejam destruídas”. Essa frase, do filósofo Nietzsche, serve para qualquer um de nós. Pois em um momento ou outro da vida, todos nós passamos por algum tipo de negação, e isso é perfeitamente normal. A negação é um dos estágios do luto, e faz parte do processo de cura. Porém, com o tempo, a negação tem que dar lugar a outros sentimentos, igualmente curativos, até que se encontre a aceitação da realidade tal qual ela é. Se ficamos estagnados na negação, enxergando apenas o que queremos ver, e não o que está bem à nossa frente, não evoluímos, não subimos degraus, não compreendemos, não agimos de acordo com a realidade, não seguimos em frente.
Quando você se refugia na negação, você se aprisiona. E não dá chance aos recomeços. Porém, quando você rompe com a negação, e decide enxergar as coisas exatamente como elas são, você se autoriza a virar o jogo; a transformar a realidade; a ter outro tipo de vida, de relacionamento, de situação. E só assim descobre que é capaz, que tem coragem, que pode suportar e reiniciar seus passos sem dor, sem desespero, e com muito mais amor…
Fabíola Simões

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Não confunda "aceitar" com "compreender"

A gente não precisa do reconhecimento do Outro para saber o valor que temos.
Podemos compreender uma situação e não aceitar uma atitude.
Podemos julgar um comportamento sem desvalorizar, por inteiro, a pessoa que o exerceu.
Que cada um se responsabilize pelas suas mazelas e que administre a sua raiva ou irritabilidade.

Não precisamos de plateia e nem de ser plateia do que é cáustico.
Entupir-se de citações de espiritualistas e filósofos não nos faz mais sábios.
As nossas atitudes denunciam o que apreendemos verdadeiramente.
O que nos faz mais sábios é o nosso comportamento: quando genuinamente amoroso.

Mude seu discurso se você não consegue incorporá-lo.
Não cobre do Outro o que não é capaz de fazer e nem se deixe ser cobrado.
Seja honesto consigo, viva a transparência por pura leveza de Consciência.

Não sejamos inescrupulosos agindo de maneira conveniente com quem não nos espelha e descontando nossos desconfortos em quem nos ama e apoia;
em quem achamos que não se afastará de nós por pura compreensão.

E não aceite, embora possa compreender, um problema que não é seu.
Não se torne o problema que o Outro criou para vocês. Separe as coisas: investigue-se, reflita, seja atencioso com a sua conduta.
E reconheça se estiver errado. Mas devolva, mentalmente, quaisquer atitudes que o fizerem se sentir menor.

Esteja ao seu lado para crescer ou ajudar a quem quiser sua ajuda.
Cresça com esta ajuda sem se regozijar por tê-la dado.
Esteja em consonância com o que acredita e, tente acreditar no melhor: se permita.

Marla de Queiroz

Saudade unilateral

Não, não é nem bonito e nem saudável esta saudade unilateral.
Queria ter só 1/3 deste sentimento que tá me embriagando.
Perder o equilíbrio e controle não é nada legal.
Mas, né? Também é a sensação mais gostosa de se ter. 
Olhos com motivos pra sorrir novamente. :)
Coisa bem boua 😍

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...