terça-feira, 7 de junho de 2016

Para ti


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti
criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre

Para ti
dei voz, às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo
estava em nós

Nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos,
simplesmente porque
era noite
e não dormíamos.

Eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos,
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida.

Mia Couto - (poeta moçambicano)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Loucos e santos



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde


sábado, 30 de abril de 2016

36 Meses



As pessoas pensam que a morte é o único momento em que devemos estar fortes para abandonar nossa "casca", nosso casulo, e voar. Não é. Durante a vida, morremos várias vezes. 
E temos que estar preparados para o vôo. 
Enquanto insistirmos em habitar velhos casulos, cascas apodrecidas que não nos servem mais, deixaremos de crescer, amadurecer, fortalecer.

Fabíola Simões


Amigos são flores que a vida planta na gente
#36Meses ♥

♪ Brilha onde estiver
Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Para ler com os olhos e entender com a alma…


Costumo sempre pensar na vida e em tudo que acontece durante nossa -breve- passagem por esse plano. É uma mania. Uma terapia. Uma loucura. Mas, sem dúvida, é a forma que encontro para refletir, tentar achar respostas, encontrar novas perguntas e buscar evoluir, tanto emocionalmente quanto espiritualmente. Tudo, absolutamente tudo que acontece em nossa vida traz uma grande carga de lições e não podemos tapar os olhos para esse fato.
Desde nova me dei conta disso, pois, fui ensinada cedo, pelos acontecimentos em minha trajetória, a ser atenta a tais questões. A entender que é preciso ter um olhar mais profundo sobre tudo que passamos e vivemos, e a estender esse olhar à vida do próximo. Não, não com curiosidade ou intuito de fazer fofoca, jamais. Mas com empatia e para saber que nossa evolução também se encontra no outro.
A perda de uma amiga próxima me fez, mais uma vez, refletir sobre tudo. Uma morte, literalmente, inesperada. Pegou a todos de surpresa. Despedidas são sempre tristes. Acho que por mais evoluído que o ser humano seja, a dor da partida de uma pessoa amada sempre irá doer. Sempre ficaremos com uma sensação de impotência. Mãos atadas. Coração sangrando. É difícil acreditar que uma alma boa, de aura leve, coração transbordante de amor e energia positiva nos foi tirada, assim, de uma hora para outra. Mas é assim, de repente mesmo que acontece. Sem aviso prévio. Sem dar tempo para algum preparo. Acontece de um jeito que foge do nosso entendimento. E é aí que a gente precisa se propor a refletir. Estamos doando quais tipos de sentimentos? Estamos transmitindo quais tipos de coisas? Estamos perdendo/ganhando tempo com o que? É preciso parar e pensar.
Deixamos de falar o que sentimos as pessoas que amamos porque nos disseram que é  sinal de fraqueza. Porque bonito é ser “casca grossa” e correr atrás é coisa de gente idiota. Demonstrar por atitudes é pior. É pedir para ser “trouxa”. Perdemos tempo com orgulho, medo, falta de tempo ou por acharmos que o temos demais. Deixamos para amanhã. E quando chega o amanhã a gente adia de novo. Guardamos mágoas. Sentimentos que em NADA, eu digo NADA de bom, nos acrescentam. Deixamos de perdoar porque achamos que isso é querer tapar o sol com a peneira, afinal é impossível esquecer o que o outro fez, quando na verdade, perdoar é soltar o pescoço do outro e ver que quem consegue ficar aliviado e respirando melhor somos nós mesmos. Evitamos pedir desculpas e/ou perdão porque nos disseram que é humilhante. Alimentamos ressentimentos. Tem gente se achando melhor do que os outros. Gente puxando o tapete do “amigo” na primeira oportunidade e sem pensar duas vezes. Gente que sofre ao ver o outro feliz.
Mágoa, inveja, rancor, orgulho, prepotência, arrogância, julgamentos… e assim acumulam-se toneladas de lixo emocional. Mas por quê? Não consigo encontrar uma lógica coerente que explique por que perdemos tempo com tanta coisa que só devastam e regressam nossa alma. Procuro a cada dia aprender e tenho a consciência tranquila que não me limito aos meus textos. Sou melhor escrevendo e todos que me conhecem sabem disso. Quando falo,  sou desastrada, desajeitada, mas ainda assim procuro através dos gestos e atitudes demonstrar aos que amo o amor que trago comigo. Com os conhecidos e desconhecidos busco ter pudor com o que digo e faço. Erro. E como eu erro. Sei que tenho muito que aprender e mudar. Mas estou em paz porque estou de braços e coração aberto para isso. Para a vida. E que todos estejamos.
Que a gente não se limite a frases lindas e reflexivas de redes sociais. São importantes, claro. Os textos e as palavras em si possuem um poder enorme sobre nós e por isso sou tão apaixonada pela escrita e encontro nela a chave para abrir a janela de minha alma e coração. Mas precisamos levar tudo conosco. Precisamos que nossas atitudes sejam condizentes com nossos dizeres. Que a gente sorria de verdade e com verdade, que nossos abraços sejam apertados, que nosso orgulho seja deixado de lado, que o amor seja a maior arma que a gente carregue.
Que a gente valorize os que nos amam e deixemos de lado os que não se agradam com nossa presença. E que, dia após dia, a gente aprenda. Evolua. Nossa passagem é breve, mas os sentimentos que plantamos as almas que tocamos os corações que entramos as pessoas que convivemos e vivemos não são. Uma hora eu vou, você vai, nós vamos. Mas o que fizemos e passamos aos outros a gente deixa aqui. Propõe-se a pensar também no que você deixará quando for. 

Ana Luiza Santana

Kryptonita


Permiti uma vez mais que tomasse de assalto meus sonhos
E neles me envolvesse por completo

Efeito de ter cruzado por um sorriso igual cerca de quinze dias atrás
Ou por ter descoberto entre conhecidos, olhos tão parecidos, vinte anos depois

Não sei. 
O fato é que por estas coincidências e semelhanças, 
era você quem vinha me visitar novamente

E isto é perturbador para meu coração
Uma kryptonita que não se dissolve do peito
Muito embora eu ignore, faz-se presente

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sentimentos inclassificáveis



Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos. 
Em mim, a anatomia não faz o menor sentido. 
Sou do tipo que lê um toque, que observa com o coração e caminha com os pés da imaginação.
Multiplico meus cinco sentidos por milhares e me proponho a descobrir todos os dias novas formas de sentir. 

Quero o cheiro da felicidade, o gosto da saudade, o olhar do novo, a voz da razão e o toque da ternura. Luto contra o óbvio, porque sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora sentimentos ruins também transitem por aqui, sei que devo conduzi-los com a força do pensamento até a porta de saída. 

Decidi não delegar função para cada coisa que eu quero. Nem definir o lugar adequado para tudo de bom que eu sinto. Nossos sentimentos são seres vivos e decidem sem nos consultar.

A prova de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos inclassificáveis.

Fernanda Gaona

domingo, 24 de abril de 2016

Que ao piscar chegue Maio

"O que se perde enquanto os olhos piscam" é uma música do OTM.

Queria hoje que ao piscar meus olhos, já fosse o mês de maio.

Não só por este domingo chuvoso em que jogamos TUDO e de nada adiantou.

Não por tantos "anteontens" que me provaram que a política pode ser muito mais cruel e ardilosa do que supomos.

Não só por relembrar uma vez mais que a vida é mesmo efêmera diante da gente, do nosso breve piscar de olhos, que ela é absurdamente rara, como belissimamente canta Lenine.

Que Abril é um mês para que escolhas sejam feitas, ainda que com o coração em prantos.

Mês de chegadas, porém também de despedidas. Chega o fim de uma das minhas bandas preferidas - o Kid Abelha - após 35 anos, e parte meu sobrinho Guilherme. Vai tentar a vida e a sorte em Miami.

Que entre muitas notícias ruins dos últimos 15 dias, brotam felicidades supremas como a chegada da minha gêmea (na próxima quinta) e o nascimento do Vicente - em dia não só de Shakespeare (poeta do amor), mas também de um santo guerreiro feito São Jorge. Não, não sou devota (do santo), mas admiro.

Mas quero logo Maio, sobretudo porque é mês de Santa Rita (que sou devota) e para que o "face" pare de me recordar lembranças difíceis e que saudade alguma trará de volta... 💜

"Pra onde foi?... Autenticidade, compaixão, certeza... o perdão...O estímulo, o exemplo, a voz dissonante...

A coragem do meu coração!"
💙💙💙

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...