sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Tá faltando eu em mim
Pergunto, mas não sei quem sou
Não sei se é bom ou se é ruim
Quero ficar, não sei se vou

Sou doce e amargo ao mesmo tempo
Me policio sem razão
Razão é o tipo que invento
Pra não cair na palma da mão
Tá faltando mais ação
Pra encarar e não fugir
A lava que já foi vulcão
É um iceberg dentro de mim

Pegadas que se tornam areia
Castelo de areia sempre cai
Se olham pra mim de cara feia
Meu coração desaba num ai

Preciso me curtir bem mais
É pena que só olho pros lados
Se a alma quer um banho de sais
O corpo quer me ver apaixonado

O medo aguça a atração
A solidão na pele arde
Espero que quando eu me ver
E acordar não seja tarde


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Será que amar é mesmo tudo?

Eu só queria saber quando é que vai ficar menos difícil. Ou mais fácil, se assim soar positivo. 
Mas, aqui, dentro de mim, a palavra machuca, o silêncio fere e uma frase antiga (que eu mesma escrevi) ecoa na minha cabeça, feito disco arranhado:

SERÁ QUE AMAR É MESMO TUDO?

E não falo só de amor romântico, fraternal ou familiar. Estou falando - na verdade - DOS AMORES QUE NOS MANTÊM VIVOS.

O amor pela arte. Por um objetivo. Por um sonho. Por uma causa. Pela literatura. Ou - no meu caso - pelas palavras. (E por tudo o que isso envolve).

Escrevendo esse texto, às 18:23, horário de Brasília, já encontro, sem querer minha resposta. Que é clara. Dura. E danada de filha da puta: AMAR, MINHA AMIGA, É TUDO, SIM. MAS TER PAZ TAMBÉM.

Por isso, sigo sangrando. E sentindo tantas dores (que não são só minhas, mas também de outros). Esse, talvez, seja o maior desafio que me encara: amar a vida de todo coração. E ainda viver em pura - e completa - paz.

Fernanda Mello

Mais AMOR, por favor! :)

Certa vez, ao final de uma reportagem, bastante triste por sinal, ouvi que o mundo é UM SÓ. Que as fronteiras e as guerras são INVENÇÕES do homem. Isso ficou pontuando meus pensamentos durante dias. Claro que, desde então, com esta frase, me vêm imediatamente lembranças da história em si, mas isso me remete a situações mais amplas e, porque não dizer, mais profundas e variadas também.

Dia desses alguém me relatou "inbox" numa rede social, sua surpresa ou descontentamento por perceber-se então, restrito a determinadas postagens minhas. Fora o fato de que em uma frase ele pergunta "aconteceu alguma coisa?", de resto achei tudo muito absurdo e invasivo. 
Como assim, cara pálida? 

Desde quando eu tenho de notificar qualquer pessoa ou solicitar permissão para que eu mude ou não alguma configuração de uma rede social MINHA? É isso mesmo? Estamos fadados a nos justificar ou explicar nossas ações a todos que se sentirem ofendidos ou preteridos por nós? 

Ou seja, é algo pessoal eu determinar quem eu quero que tenha acesso ou não a determinadas postagens minhas, certo? E por que então as pessoas se acham no direito de cobrar por isso? 

A "justificativa", neste caso, foi dele mencionar que eu tinha toda a "liberdade" para lhe dizer qualquer coisa. Inclusive, sugere um café ou ir à minha casa, se eu preferir, para que ele pudesse "entender". 

E eu pensei... Oi? É sério isso? Estou recebendo uma reclamação por uma atitude minha que alguém não gostou e, em vez de me ligar (com toda liberdade que me sugere e poderia, da mesma forma, se utilizar), opta por fazer um comentário desastroso e sem fundamento? 

Estou sendo intimada a dar explicação? 
A que tipo de liberdade exatamente ele se refere? 

Porque penso que sou livre também para adicionar, excluir, bloquear ou restringir pessoas ou o acesso delas à uma rede social que é MINHA. 
Ou esta liberdade está condicionada à permissão das pessoas envolvidas, no caso, pertencentes ao meu grupo de amigos na rede? 

Mas isto ainda foi além, o que me deixou muito preocupada. Ou melhor, intrigada com o nível de obsessão e envolvimento emocional das pessoas com o mundo virtual. 
Me refiro, é claro, às redes sociais como facebook e instagram e demais aplicativos, como Whats App. 

Não satisfeito em apenas enviar mensagem inbox, resolveu então deixar um comentário sobre o assunto em uma postagem antiga que fiz em sua linha do tempo (lá de 2002) e, como não bastasse, sem retorno meu às duas mensagens enviadas, envia whats app sobre. Isso tudo num período inferior a 48h.

Sinceramente, não aceito este tipo de cobrança. Não tenho mais idade e nem paciência para coisas deste nível. É desgastante, cansativo e me dá preguiça. Por estas e outras que "desativei" minha conta das redes sociais em novembro do ano passado, retornando somente em final de agosto deste ano. E já estou quase arrependida desse retorno.

Não fosse o fato de ser o único meio de contato com algumas pessoas que amo, a desativação teria sido definitiva. 

O mundo é realmente um só. Tudo o que de bom ou ruim acontece nele é obra de Deus, mas principalmente, do ser humano. As pessoas são diferentes, em todos aspectos. O que é normal ou estranho pra mim, pode significar tudo ou absolutamente nada para outra pessoa. O que difere na verdade são os princípios e caráter de cada um.

Não, não sou uma pessoa tão insensível ou uma ogra que se recusa a perceber um pedido de ajuda de alguém, não é isso. Apenas acho que essa reação é demasiada. É algo condizente com alguém muito mimado ou que está com seu amor-próprio tão reduzido a ponto de só se importar em falar de suas carências e frustrações. 

E digo mais: Se expor e lamentar em redes sociais a ponto de buscar de todas as maneiras algum tipo de atenção é, na minha opinião, algo muito surreal nos dias de hoje.
No mínimo, alarmante.

A receita é bem simples: eu tenho um descontentamento, pego meu telefone e toda liberdade que me convém e ligo para esta pessoa, esclarecendo então minhas dúvidas ou marcando uma conversa olho no olho para colocar os tais "pingos nos iis" ou aquilo que incomoda a ambos, se acharmos necessário. 
Simples e prático. 
Sem mimimi, pressão sentimental, tão pouco lamentos de infinitos ais expostos em redes sociais.

Bom, o que penso verdadeiramente sobre isso é de que há um desespero assustador hoje em dia em termos de retorno. 

Todo mundo posta, curte, quer contato imediato, exige uma interação instantânea de conexão, de respostas às suas ansiedades. 

É preciso urgentemente diminuir o volume, o foco sobre si mesmo. 
Não pensar no seu umbigo como sendo o centro do mundo. Parar para refletir e respirar um pouco, tomar um café, desligar o celular, notebook, iphone, iphed, itudo e se desintoxicar. 

Exercício bem básico, quase como curar-se de um vício. Didático feito
reaprender a "engolir o choro", tal qual quando ainda crianças, ouvíamos de nossos pais a cada manha de algum pedido negado ou castigo imposto por alguma indisciplina.

Para atitudes infantis ou insanas, acredito que a melhor solução é tratar feito tal. Tem gente tão mergulhada nisso que não sabe mais respirar sem celular ou seu laptop conectado, não almoça sem o olho no seu "tamagochi" ao lado do prato. 

Já escrevi sobre isso há algum tempo e insisto como uma forma de alerta em geral. 

Estamos desaprendendo a sentir de verdade, esquecendo de captar a beleza das coisas simples, de usar o verbo "curtir" no sentido real de sua existência, que é de aproveitar e viver, sem "clicar" em nada. 

Por muito menos "selfies" e mais olho no olho. 
Por muito menos "emotions" e bem mais sorriso no rosto, mais conversa, papo franco, voz no ouvido. 
Menos curtidas e compartilhamentos virtuais e mais "Carpe Diem" na vida real. 
Mais alegria, bom humor e presença celebrada.
Mais risadas e abraços...
Mais AMOR, por favor! :-)

Um pacote chamado VIDA

Não sei ao certo se a gente recebe um pacote chamado VIDA ou se esse pacote é que recebe a gente. O fato é que no tal embrulho, sem manual de instruções, cada um desenlaça uma narrativa, alguma história escrita assim: sem caderno, caneta, apenas com tinta. Dentro dele, gratuitamente, temos os dias e todos os fenômenos que a Natureza usa para se expressar. Temos nossas preferências sobre cada um destes fenômenos e dizemos “gosto” ou “não gosto” nos posicionando como se algo pudesse impedi-los.

São muitas as pessoas que vivenciam esta mesma experiência e, é com elas que interagimos. Existe uma conexão absoluta entre tudo e todos, mas ainda assim, temos a opção de escolher com quem conviver de acordo com as afinidades e essas coisas todas que fazem com que os laços se estreitem. Também recebemos uma família, ou ela nos recebe: alguns a perdem precocemente, mas ainda podem construir a própria. Outros têm problemas quase indissolúveis com estes laços sanguíneos e, poucos sabem que aí está o nosso verdadeiro aprendizado. Será por acaso que nascemos vinculados fortemente com quem não escolheríamos para ser nosso amigo? Será por acaso essa força que dissolve quaisquer discórdias para socorrer quem quer que esteja vinculado a nós, mesmo que, aparentemente, seja à nossa revelia?

Então existem os sentimentos. Uma infinidade deles. Uma profusão misteriosa de sensações que permeiam nossos dias, determina as cores dos instantes, influencia o nosso humor. Posso chamar esta dor de amor? E o que eu chamaria de apego, então? Essa decepção tem perdão?

A gente se cobra demais. Ou não.

A gente deveria parar de tentar fazer com que o Outro aja como agiríamos e aceitar que, mesmo “falhando”, ele tem o direito ao erro assim como nós. A questão é: eu o quero por perto? O que tal comportamento me diz sobre tipo de relacionamento que desenvolvi com determinada pessoa? Sou tratada com respeito? Ou melhor, sou tratada como eu me trato? Como eu me trato? Eu erro? Eu decepciono? Eu falho? Eu peço perdão? Eu perdoo com a mesma facilidade com que me desculpo? A gente se cobra de menos.

A gente deveria não ser tão condescendente com quem aprendeu que não precisa aprender para ser acolhido. A gente deveria entender que certas pessoas somente poderão ser ajudadas quando não mais nos tiverem como plateia e perderem a nossa compreensão quase maternal. Tem gente que age inconsequentemente e confunde egoísmo com individualismo. Entendam, isso está muito além de um relacionamento amoroso mal sucedido. Todo mundo tem o direito (e o dever, eu diria) de ir embora quando os sentimentos estão desproporcionais, quando a reciprocidade não faz companhia na sensação de eternidade que, até na incerteza do futuro, conjugamos quando apaixonados. Mas de quem é a “culpa” e o Outro não quer caminhar ao nosso lado. A gente se cobra demais.

O fato é que muita gente está lendo este texto entre tantos outros sobre os mesmos temas e, com a caixa ainda por desembrulhar no colo, já colocou sua VIDA num dilema. E envolveu-se nesta vitimização por não haver um manual de instrução que o oriente a fazer dela um bom uso. E, enquanto os Outros escrevem suas próprias narrativas e seguem cumprindo suas missões nesta existência, guiados pela intuição que se fortalece com a nossa (re)conexão, tanta gente ainda não conseguiu sair do status de relacionamento CONFUSO.

Marla de Queiroz

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

OITO, OITENTA? NÃO SE TRATA DE NÚMEROS, SE TRATA DE AMOR!


Outro dia também li uma frase que dizia assim: 
”As pessoas estão preferindo ficar solteiras porque estão cansadas de dar tudo e acabar sem nada.” E porque achamos que devemos dar tudo ao outro? 

É preciso dar amor, atenção, elogios e apoio, sim, para a pessoa a quem amamos e com quem escolhemos estar, mas não tudo. 

Essa é uma fantasia maternal que nós temos, principalmente as mulheres, a de que devemos cuidar completamente de quem amamos, mas se nem com os filhos devemos ser assim?

Diz o psicanalista Antonio Quinet:_ “uma mãe deve ser suficientemente boa:” E o que isso significa? O famoso criar para o mundo! “Dar amor, segurança, cuidados necessários, atenção, mas não tudo porque senão nossos filhos nunca acharão que precisam conquistar alguma coisa,” conquistar o que se já tenho tudo?”

Assim também acontece nos relacionamentos. Corremos o risco de criar uma relação de interdependência quando tentamos suprir todas as necessidades do outro. Tentamos nos fazer essenciais para que a pessoa amada queira ficar perto de nós, ate ela precisar estar perto de nós... 

Mas é isso mesmo que queremos? Alguém que esteja ao seu lado apenas por depender de você ou por escolha própria, apenas por vontade de descobrir aquele sorriso que você ainda não deu?

“O que alguns chamam de fazer jogo podemos traduzir para a frase no Divã que diz:” é na falta que criamos o desejo!”Você tem sede enquanto bebe água? 

No começo de um relacionamento conte um caso bem bacana que faca vocês morrerem de rir, e guarde outro para a próxima saída... 

É preciso dar ao outro motivo para querer mais! Dar motivos ao filho para que queiram ser mais que apenas nossos filhos, mas cidadãos, dar ao seu amor o suficiente para que ele esteja constantemente buscando o seu tudo!

Renata Lommez (Psicóloga)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O AMOR E SEUS TRAUMAS


Todo mundo que já amou e amou direito tem algum trauma. Não tem como fugir. 
Porque amar é a melhor coisa do mundo. Mas também dói pra cacete porque - infelizmente - relacionamento é um dos maiores desafios que existem. 

A gente nunca sai de um amor da mesma forma que entrou e - nesses tantos fins e recomeços - a bagagem vai só aumentando. (E nossa lista de traumas também). Haja paciência para lidar com nossas mudanças internas, inseguranças, incertezas, desconfianças, ciúmes... 

Haja tolerância para entender que o outro - aquele que a gente espera que nos compreenda, acima de tudo - também tem uma pá de cicatrizes que (vez por outra) ainda sangram.

E crescer vai se resumindo a isso: por um lado a gente AMADURECE. 
Por outro, a gente ENDURECE. 

E amar passa a ser difícil, não porque o AMOR é uma faca de dois gumes. Mas porque onde existe MEDO (e qualquer derivado dessa forte criança), não tem como o amor chegar. E fazer casa. 

Por isso, em homenagem aos meus traumas e às feridas alheias (vai me dizer que você não guarda uma?), eu escrevo esse texto. Porque bagagem boa é bagagem leve. Que a gente segura (sem grande esforço), enquanto o outro toma fôlego. E descansa da vida. 

Fernanda Mello

domingo, 30 de agosto de 2015

Dançando...

Hoje dancei uma vez mais com as palavras. 
Era madrugada ainda quando me peguei rascunhando alguns pensamentos...soltos, leves e distantes. 

Corri um bocado atrás de lembranças e, de repente, me deparei com aquele seu jeito todo especial de sorrir com os olhos... 


Por uns instantes pude romper a barreira que nos separa e sorrir de volta, imaginando ser possível voltar ao começo outra vez. 


De uma maneira totalmente imune aos caprichos da vida e distante dos olhos alheios. Como quem insiste em acreditar que se tentar uma vez mais possa dar certo. 


Ahhh... Lá vai ele, aquele velho coração que cede às palavras e se põe a dançar nas entrelinhas, uma a uma, suave e lentamente. E, de um jeito bobo e todo torto, acorda com um livro aberto sobre o peito. 


Então percebe que ainda é madrugada e tudo não passou de um sonho, mais uma visita maravilhosamente doce. 

Quem sabe num dia qualquer, por descuido ou poesia, você decida ficar.

Meg Ryan 🐈💓

“Há quem não mencione a palavra amor e fale sobre ele em cada gesto que diz” Falar algo diferente de AMOR INCONDICIONAL pela guriazi...